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Colaboração leva inovação a países em desenvolvimento

O desenvolvimento de um fio circular com desperdícios e outro com características sustentáveis, produzido a partir de sisal, são dois dos resultados do programa-piloto de inovação promovido pelo UAL Fashion, Textiles and Technology Institute, numa parceria com o British Council, em países como a Indonésia e o Quénia.

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Num relatório publicado no passado mês de setembro, o UAL Fashion, Textiles and Technology Institute (FTTI) revela que o programa-piloto de inovação New Landscapes: Fashion, Textiles and Technology (FTT) Catalyst R&D Grant Scheme, que decorreu entre janeiro e abril, reuniu cinco pequenas e médias empresas de têxteis e moda do Reino Unido com empresas sediadas em países em desenvolvimento para «trabalhar em projetos mutuamente benéficos que promovam os valores culturais, sociais e ambientais de uma indústria têxtil e de moda global sustentável».

Durante os quatro meses, o programa testou seis novas tecnologias e desenvolveu quatro protótipos de produtos. Nos países em desenvolvimento, foram criados seis postos de trabalho permanentes e os meios de subsistência de 72 agricultores foram melhorados, adianta o FTTI.

O relatório descreve cinco estudos de caso. Num deles, na Indonésia, foi desenvolvido um fio circular a partir de algodão regenerado e resíduos têxteis. «A Indonésia enfrenta um problema crescente com resíduos têxteis, que muitas vezes são incinerados, um processo que liberta carbono para a atmosfera, poluindo o ar assim como os pulmões das pessoas. Mas muitos agricultores e artesãos rurais, como fiandeiros e tecelões – sobretudo mulheres – dependem desta indústria. O Circular Livelihoods [como se chama este projeto específico] pretende reduzir o impacto ambiental, mas também ter um impacto económico e social positivo ao criar e melhorar a subsistência para as mulheres nestas áreas rurais», explica Zoë Powell, designer e investigadora independente, que esteve envolvida na iniciativa.

Noutro, desenvolvido no Quénia, foi criado um têxtil sustentável e usável, a partir de fibra de sisal. «O nosso plano original era utilizar enzimas para amaciar as fibras, mas havia uma escassez mundial na altura, por isso mergulhámos no conhecimento vernacular e usamos as capacidades tradicionais de bater as fibras até ficarem macias. Para além de ser eficaz, a técnica de processamento manual tem mais possibilidades de produzir uma fibra mais macia», avança Iona McCreath, diretora criativa da marca queniana KikoRomeo. Depois de ultrapassados alguns desafios, a equipa criou dois fios: um 100% sisal e uma mistura 50% sisal/50% algodão sustentável. «O próximo passo será escalar a produção de fio para os tecer em tecidos para mais experiências», acrescenta.

Resultados promissores

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Do programa fizeram ainda parte um projeto para apoiar práticas circulares de denim entre os trabalhadores da indústria de denim da Nigéria e dois outros no Bangladesh: um dedicado à utilização de acessórios e fechos mais sustentáveis na indústria de vestuário e outro para a introdução de ferramentas digitais na execução de amostras para reduzir o desperdício na indústria de vestuário.

«Sentimo-nos encorajados pelos resultados e pelo impacto do nosso programa piloto New Landscapes com o UAL Fashion, Textiles and Technology Institute, demonstrando como a cooperação internacional, com acesso a uma oferta académica e empresarial especializada através do UAL FTTI, pode ser um poderoso agente do progresso rumo a um futuro sustentável para a indústria mundial de moda», destaca Sevra Davis, diretora de Arquitetura, Design e Moda do British Council.

Para Jane Harris, diretora do FTTI, este relatório «mostra quanto potencial existe para aplicar a investigação realizada e implementar práticas ambiental e socialmente responsáveis na indústria têxtil e da moda à escala mundial. Estamos verdadeiramente inspirados pelo impacto alcançado através deste projeto de intercâmbio de conhecimento num período de tempo relativamente curto».