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Coletes no mar e em terra

Os coletes salva-vidas que acompanharam os refugiados que atravessaram o Mediterrâneo em busca de um porto seguro na Europa estão a ganhar uma nova utilização, servindo como matéria-prima de colchões para estes mesmos refugiados.

O que fazer com as centenas de milhares de coletes salva-vidas deitados fora pelos refugiados que chegam às costas europeias? No início deste ano na Grécia, voluntários na ilha de Lesbos pensaram no mesmo problema e acabaram a ter uma ideia: reutilizar os coletes para fazer colchões para os mesmos refugiados que os trouxeram.

Os voluntários dinamarqueses Mads Damgaard Petersin e Anezka Sokol idealizaram o conceito quando perceberam que os coletes deitados ao lixo, que estavam a usar para se sentarem porque o chão estava frio, podiam também ser usados para ajudar os refugiados que estavam a dormir diretamente no chão duro.

«Estávamos a ver este enorme problema na ilha com toda a confusão e ao mesmo tempo a ver todos os refugiados a dormirem no chão», explicou Damgaard Peterson à Agência da ONU para Refugiados (Acnur), citado pela Fast Company. Os coletes são feitos com espuma, o que significa que têm pequenas bolhas de ar e, como tal, criam um excelente isolamento, além de serem “almofadados”.

O par pegou nos cordões e fez alguns protótipos, um colchão simples conseguido através da junção de três coletes salva-vidas. Fizeram 20 e deram-nos aos refugiados que esperavam no centro de registo de refugiados de Moria logo a seguir ao Ano Novo, quando as temperaturas exteriores tinham descido para -6º C.

Alguns dos refugiados não gostaram da ideia no início. Afinal, a maior parte dos coletes tinha estado amontoada na lixeira municipal. Também traziam más memórias da viagem perigosa que os refugiados tinham feito ao fugir da sua terra. Por isso, uma segunda versão do design usou a parte de baixo das tendas para esconder os coletes e ultrapassar as preocupações relacionadas com a higiene.

Segundo o Acnur, mais de um milhão de migrantes e refugiados vieram para a Europa pelo mar em 2015 e metade deles chegou à Europa por Lebos. Isto significa que não há falta de matéria-prima para os colchões, com centenas de milhares de coletes que, de outra forma, iriam para ao lixo.

Há vários projetos para ajudar refugiados, mas um dos critérios mais importantes é que é preciso ajudar muitas pessoas em pouco tempo. Isso levou a designs simples, como um casaco que se transforma numa tenda ou a mochila NoBorders, fabricada a partir de barcos de borracha. Mas nada parece ser mais rápido do que atar coletes salva-vidas deitados fora para fazer colchões.