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Coliseu ao rubro

No mesmo palco onde hoje Rui Reininho e os GNR darão voz ao rock português, os designers nacionais mostraram que também sabem dar espetáculo. Pela segunda vez na história, o Coliseu do Porto abriu as portas ao Portugal Fashion e a moda invadiu uma das salas mais míticas da Invicta.

Pedro Pedro teve as honras de abertura de uma noite memorável no Coliseu do Porto, que voltou a ser, por um dia, a casa do Portugal Fashion. Silhuetas alongadas e femininas invadiram o palco da sala de espetáculos, numa orquestração perfeita que conjugou tecidos fluídos e muitas sobreposições. «É uma coleção muito feminina e sensual, como sempre», indica o designer, que confessa ter sentido a vontade de criar para uma mulher um pouco mais madura. «Apeteceu-me fazer algo para uma mulher que cresceu e tem agora mais festas», acrescenta.

À feminilidade contrapôs-se, momentos depois, a masculinidade (quase) absoluta das propostas de Júlio Torcato. “Tríptico” trouxe três momentos distintos de uma coleção muito urbana, sportswear e mais vanguardista, onde a principal novidade foi, contudo, o lançamento de uma linha feminina, com sete coordenados. «Já andava há muito tempo à procura disso. Fazer mulher tem uma filosofia diferente do homem, nas formas, nos tecidos, na própria técnica», admite Júlio Torcato. «Muita gente me perguntava para quando mulher, até me pediam vestidos de cerimónia, mas ainda não estavam reunidas as condições para o fazer com a credibilidade e a qualidade que eu pretendia. Agora encontrei o momento e a equipa certa», refere.

Anabela Baldaque, tal como o Portugal Fashion, onde esteve presente desde a primeira edição, está em modo de celebração. A designer, que festeja 30 anos de carreira, mostrou uma coleção “Em nome próprio” em homenagem à sua marca. Vestidos compridos, blusas com misturas de padrões e cores fizeram parte das propostas pensadas para «uma mulher muito romântica, sofisticada mas também audaz», explica. Um tipo de consumidora que tem vindo a aumentar. «Tenho cada vez mais clientes», assume.

Elsa Barreto, por seu lado, fez a estreia desejada na passerelle do Portugal Fashion. «Estar aqui é um reconhecimento do meu trabalho», considera a designer, que conta já com uma carreira de mais de 25 anos «Para um criador, desfilar no Portugal Fashion é uma meta muito importante e quando conseguimos é uma projeção completamente diferente do que sozinhos», refere. As diferentes artes foram a inspiração desta coleção, que, depois dos primeiros coordenados em branco, a lembrar as telas, prosseguiu em amarelo, com várias declinações do indispensável vestido preto e peças estampadas com pinturas do artista Pedro Guimarães. «Fiz uma coleção mais prêt-a-porter, com materiais diferentes que se podem usar mais vezes, no dia a dia», sublinha.

Usabilidade foi igualmente um conceito que Fátima Lopes fez questão de transmitir com a sua coleção, a primeira que desfilou no Coliseu do Porto. «Na outra edição do Portugal Fashion que se realizou no Coliseu [em 1996], eu deveria ter desfilado no dia seguinte ao do incêndio. Aliás, quando o fogo começou fui chamada cá porque tinha aqui a minha coleção», conta. Um “quase” desfile que ficou na memória da designer madeirense, que acabou, ao invés, a fazer uma produção de moda no Mercado do Bolhão para uma televisão internacional.

19 anos depois, contudo, o desfile aconteceu mesmo e na passerelle viu-se uma Fátima Lopes «renascida», como afirma a própria, onde designs da primeira linha se conjugaram com a segunda linha, batizada FL. «A FL é casual, com peças muito mais práticas, com preços diferentes e direcionada para as vendas online, para um mercado que se quer internacional e abrangente», indica. T-shirts e cropped tops combinaram-se, assim, com saias mais sofisticadas, num desfile que culminou com um vestido em malha metálica dourada. «A coleção é sofisticada mas é para ser usada», resume Fátima Lopes.

Os desfiles das coleções para a primavera-verão 2016 dos designers portugueses continuam hoje, divididos entre a Alfândega do Porto (Susana Bettencourt, Estelita Mendonça, Meam by Ricardo Preto, Daniela Barros, Hugo Costa, Diogo Miranda e os jovens talentos Eduardo Amorim, Pedro Neto, Klar e Teresa Abrunhosa, no Bloom), o Silo Auto, onde irão desfilar as propostas de Katty Xiomara, e o Palácio de Cristal, com o desfile de Miguel Vieira.

Amanhã, o programa arranca às 12h30 com Nuno Baltazar na Alfândega do Porto e prossegue com o desfile de Luís Buchinho no Quartel Serpa Pinto. Durante a tarde, e já de regresso à Alfândega do Porto, serão apresentadas as propostas do calçado e da indústria e as coleções de final de curso do Modatex, ESAD e Escola de Moda do Porto. Luís Onofre, Dielmar e Lion of Porches completam a jornada, com Carlos Gil a ter a responsabilidade de apagar as velas na celebração desta 37.ª edição do Portugal Fashion.