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Coltec aposta alto na tecnomoda

A especialista em laminagem e revestimento Coltec está empenhada em ir mais longe na chamada tecnomoda, uma área recente na qual investe forte para prosseguir na rota do crescimento. As membranas estampadas foram um dos produtos mais procurados na última edição da Techtextil.

Aos 36 anos, a Coltec continua a acompanhar, a par e passo, a evolução da indústria têxtil, num processo que a levou a evoluir das malhas e telas de algodão para a indústria do calçado e dos termocolantes, uma tecnologia introduzida há 25 anos, para novas competências.

«Estamos a trabalhar com empresas que fazem produtos mais avançados – gabardinas, roupa militar, vestuário para hipismo, ou seja, peças com valor acrescentado – e tudo isto foi possível com as novas tecnologias que temos», revelou o CEO Paulo Neves, numa entrevista publicada na edição de março do Jornal Têxtil (ver Vestuário dá corda às exportações).

«A Coltec entrou muito na moda, com a tecnomoda. Não fomos pioneiros, porque já existiam empresas em Portugal que compravam os efeitos especiais fora e aplicavam-nos depois cá», explicou o CEO, mas «hoje, a Coltec já está verticalizada nesse sector porque temos uma máquina que nos permite fabricar os próprios desenhos», sublinhou.

Na última edição da Techtextil, que decorreu na semana passada (ver Há vida em Frankfurt), o stand da empresa foi procurado em particular pelas «membranas, principalmente as estampadas, e pelas diferentes colagens que apresentámos, de diferentes materiais», adiantou, ao Portugal Têxtil, Francisco Fernandes, diretor técnico da Coltec, acrescentando que «a leveza de alguns laminados também teve procura».

Entre os visitantes do stand da Coltec, sobretudo europeus, de países como França, Alemanha, Holanda e Polónia, estiveram sobretudo «clientes para vestuário que procuram soluções mais técnicas. Procuram aplicações muito específicas, soluções novas na área dos têxteis», detalhou Francisco Fernandes.

Renovação a todos os níveis

A diversificação da oferta da empresa e das soluções que saem das suas instalações são uma das grandes mais-valias da empresa familiar, que tem já a terceira geração envolvida. «Eles [os dois filhos de Paulo Neves, Paulo e José Eduardo] têm ideias mais concretas, em avançar com novos projetos que se calhar já não me sentiria capaz de realizar», confessou Paulo Neves ao Jornal Têxtil.

Um desses projetos é a construção de uma nova unidade produtiva, um investimento de 3,2 milhões de euros, que irá incluir tecnologias inovadoras, desenvolvidas à medida para responder às necessidades atuais dos clientes. «Vamos continuar com o que temos [em termos de valências industriais], mas vamos ter máquinas novas porque, com o passar dos anos, algumas já se estão a tornar obsoletas. Então vamos aproveitar para fazer uma fábrica com tecnologia nova, com máquinas de laminagem e de revestimento», afirmou o CEO.

As novas tecnologias serão aplicadas, por exemplo, no revestimento de protetores de colchão, «para não fazer exclusivamente laminações de membranas de poliuretano, mas também coatings de poliéster e de poliuretano», destacou Paulo Neves.

O desenvolvimento de novos produtos está sempre na agenda da Coltec, que emprega atualmente 40 pessoas e registou um crescimento de 5% em 2016, para um volume de negócios que superou os 5 milhões de euros. «A empresa tem máquinas piloto para o desenvolvimento de novos produtos e essa será, sem dúvida, a mais-valia em termos futuros», reconheceu Paulo Neves. «Aqui fazemos coisas diferentes todos os dias. E a mais-valia nos têxteis técnicos é superior ao têxtil convencional – temos uma margem mais atrativa, acrescentamos valor e funcionalidade aos produtos. É muito fascinante trabalhar num produto que sabemos que só nós ou um número muito restrito de empresas consegue fazer», realçou.

Novos mercados à vista

Em 2017, a somar ao crescimento, o CEO da Coltec apontou como meta a consolidação da carteira de clientes, que além de Portugal estão espalhados por países como França, Espanha, Bélgica e Holanda – as exportações da empresa representam 40% das vendas. Em linha de mira estão os mercados nórdicos, adeptos de produtos ecológicos.

«Em relação aos têxteis convencionais, podemos fazer aqui muita coisa, que não temos necessidade de agredir o ambiente. Não utilizamos muitos resíduos, todos os nossos resíduos são recicláveis, portanto, isso faz com que tenhamos um olho no bem-estar ambiental», admitiu Paulo Neves ao Jornal Têxtil.

A moda representa neste momento 20% e os têxteis-lar representam 40% do volume de negócios da empresa (o calçado é responsável por 20% e os restantes 20% dizem respeito a áreas diversas como saúde, automóvel e construção civil) e é nestas áreas que o CEO da Coltec antecipa um maior crescimento. «Queremos entrar mais na área da moda técnica, conferir mais funcionalidades aos tecidos. Já nos têxteis-lar, aplicar os efeitos moda na área das colchas, edredões, cobertas, cortinados», revelou.

Um projeto que vai ao encontro daquilo que Paulo Neves ambiciona para o futuro da empresa. «O ideal é não nos darmos por satisfeitos e saber quando é altura de começarmos a mudar as máquinas, a filosofia da empresa, a trabalhar com outros produtos, a saber quando dizer basta, quando aparece muita gente no mercado e, enquanto eles não chegam, vamos andando nós», explicou ao Jornal Têxtil.