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Coltec está mais sustentável

Uma oferta de produtos sem bases solventes para indústrias como a moda, o calçado e a publicidade e os investimentos realizados em painéis fotovoltaicos, que têm contribuído para a empresa contornar a subida dos custos energéticos, estão a tornar a Coltec mais sustentável e mais atrativa para os clientes.

Paulo Neves

«Os nossos produtos são cada vez mais funcionais e mais sustentáveis, livres de solventes e acho que, cada vez mais, vai haver uma aposta maior neste tipo de mercado», afirma Paulo Neves, CEO da Coltec.

É sobre estes dois pilares – funcionalidade e sustentabilidade – que a empresa tem trabalhado e evoluído, como mostram os novos artigos que a Coltec apresentou na mais recente edição da Techtextil. «As últimas inovações são produtos para a indústria da publicidade, banners para publicidade, e fazemos revestimentos por extrusão, com TPU (termoplástico de poliuretano), em toalhas de mesa e protetores de colchão», enumera o CEO, que considera que a presença em Frankfurt é um passo importante na chegada ao mercado. «Esta feira é boa para dar a conhecer estes novos artigos. Depois temos que trabalhar isto com os clientes, porque tem que haver afinações dos produtos: tem que ser mais macio, tem que ser mais resistente às lavagens, permitir mais ciclos de lavagens, … Uma série de coisas que ainda têm que ser afinadas. Mas estamos contentes porque vai ao encontro daquilo que o cliente procura, principalmente a extrusão de poliuretano, uma vez que é feito sem bases solventes – dizemos que é um solvente frio –, o que faz com que o artigo tenha uma procura muito grande», explica ao Portugal Têxtil.

Esta aposta na sustentabilidade pode mesmo, acredita Paulo Neves, abrir mais portas nos mercados internacionais, que atualmente representam cerca de 45% das vendas da empresa. «Principalmente para os países nórdicos e outros, é muito apelativo ter um produto de solvente frio», refere o CEO, acrescentando que «gostava de apostar mais, por exemplo, no mercado alemão, porque é um mercado onde vendemos muito pouco e é um mercado sensíveis às novas tecnologias e às preocupações ambientais».

2022 melhor que 2021

O investimento num novo edifício, em novas tecnologias e em painéis fotovoltaicos também tem permitido à Coltec ser mais “verde” nos processos e, devido à situação atual no mercado energético, poupar nos custos. «Não trabalhámos com gás e não temos um consumo muito elevado. No projeto que a Coltec fez há dois anos metemos muitos painéis fotovoltaicos na empresa, de maneira que não tivemos um aumento muito significativo no custo produtivo», indica.

A diversidade de produtos e segmentos de mercado para os quais trabalha – a moda vale 30% das vendas, mas a oferta chega também à construção e publicidade – permite à Coltec navegar mais facilmente os altos e baixos dos diferentes mercados e a capacidade de adaptação que ganhou durante o pico da pandemia, onde produziu artigos para batas e protetores de colchão para a área hospitalar, fez com que enfrente os desafios de forma diferente. «Estamos mais preparados, mais reforçados agora e pensamos que ultrapassaremos qualquer crise com mais facilidade pelo trabalho que desenvolvemos continuamente», justifica Paulo Neves.

O primeiro semestre de 2022 tem um saldo positivo, com um aumento do volume de faturação face ao ano passado. «Neste momento já faturámos à volta de 4 milhões de euros», revela Paulo Neves, que prevê que o ano encerre «à volta de 7 ou 7,5 milhões de euros», apesar do abrandamento que se tem sentido, nomeadamente junto dos clientes da área dos têxteis-lar. «Temos muitos clientes de têxteis-lar que notamos que estão a comprar menos. Razão também pela qual viemos à Techtextil: pretendemos arranjar alternativas e soluções para entrar noutros nichos de mercado que nos permitam ter mais rentabilidade», conclui o CEO.