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Combate ao trabalho infantil

A Limited Brands divulgou que depois de saber da acusação começou a investigar a fundo o assunto. «Dependendo dos resultados, estamos preparados para agir rapidamente de forma impedir o uso ilegal do trabalho infantil nos campos onde aprovisionamos o algodão orgânico Fairtrade no Burkina Faso», afirmou a empresa em comunicado. A declaração surge na sequência de um relatório da Bloomberg, que descreve a vida de uma menina de 13 anos de idade, que é espancada pelo agricultor para o qual trabalha num campo de algodão no Burkina Faso. O algodão colhido por esta menina foi para fábricas noutros países onde foi transformado em limgerie para a marca detida pela Limited Brands, a Victoria’s Secret, segundo o relatório. O documento observa que os lucros pagos pelo algodão orgânico Fairtrade têm «perversamente criado novos incentivos para a exploração». O programa atraiu agricultores de subsistência que dizem não ter os recursos para cultivar algodão de comércio justo sem forçar os filhos de outras pessoas a trabalhar nos seus campos, «violando um princípio fundamental». A Limited Brands estabeleceu um programa piloto para a compra de algodão orgânico com a certificação Fairtrade, principalmente de mulheres agricultoras no Burkina Faso, em 2007. A ONG suíça Helvetas e o organismo de certificação Fairtrade International, mencionados no relatório, também referem que estão a conduzir investigações completas e imediatas sobre o assunto. «Levamos esta alegação sobre a violação dos direitos humanos das crianças muito a sério», refere uma declaração do Fairtrade International, acrescentando que ainda não é possível confirmar se os casos de trabalho infantil estão em explorações agrícolas com a certificação Fairtrade. «A UNPCB, a organização nacional de agricultores de algodão no Burkina Faso, é composta por centenas de milhares de agricultores, dos quais apenas uma fração pertencem ao certificado Fairtrade», realça o comunicado. Apesar do Fairtrade International proibir o trabalho infantil, conforme definido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e as convenções da Worst Forms of Child Labour, «nenhuma pessoa ou sistema de certificação de produto pode oferecer uma garantia a 100% de que um produto está isento de trabalho infantil». O comunicado refere ainda que «simplesmente pagar mais pelo algodão não é suficiente para garantir que as crianças não são maltratadas, negligenciadas e/ou exploradas». O organismo que coordena a rotulagem Fairtrade e estabelece padrões de Comércio Justo em todo o mundo afirma, por seu lado, que, apesar «desta importante questão de direitos humanos» ser comum na África Ocidental e na produção de algodão em geral, está preocupado que as alegações possam desencorajar as empresas de aprovisionarem algodão do Burkina Faso ou de outras áreas empobrecidas, o que iria afetar negativamente as comunidades produtoras de algodão e as suas famílias, incluindo as crianças.