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Combate de titãs

Preços especiais, reduções, promoções : a Zara e a maior parte das outras grandes cadeias espanholas de vestuário estão a entrar numa guerra feroz de preços para contrariar a quebra das vendas, numa altura em que Espanha enfrenta um verdadeiro marasmo económico. Os saldos de Verão só terão início no final de Junho no país vizinho, mas há já algumas semanas que surgem nas vitrinas cartazes a anunciar reduções que se prolongam até aos 50%. é o caso das lojas Sfera, abertas pela líder de department stores em Espanha – o El Corte Inglés – em concorrência directa com a gigante Zara. Nas montras da loja Sfera na madrilena Gran Via, em pleno coração comercial da capital espanhola, grandes autocolantes coloridos proclamavam “-30%, reduções estratosféricas, de 17 a 30 de Abril”. O mesmo tom alguns metros à frente, na Springfield, filial do número três espanhol de vestuário – a Cortefiel – que anunciava igualmente “-50% em todas as peças de vestuário de mangas compridas, de 13 a 27 de Abril”. Estas reduções fazem parte da nossa estratégia face à crise. São uma espécie de saldos de meia-estação que se revelam muito eficazes», explicou Ignacio Sierra, director da Cortefiel. Em período de crise, as reduções e as promoções são o que funciona melhor para estimular a procura. Chamam a atenção dos clientes, que têm a sensação de estar a fazer um bom negócio», sublinhou Borja Oria, presidente da Acotex, a organização patronal do sector têxtil em Espanha. Estas reduções são perfeitamente legais» já que dizem respeito apenas a alguns produtos e são de curta duração», acrescentou Oria, assegurando que não se trata de saldos mascarados» fora dos dois períodos previstos por lei (um no início do ano e outro no Verão). Porque o sector, como todos os outros, é tocado pela crise, com vendas em baixa de 15% no primeiro trimestre em relação ao ano anterior, de acordo com os números provisórios». Segundo o presidente da Acotex, as marcas de pronto-a-vestir estão a fazer face a um duplo problema: a falta de liquidez, com os bancos a fechar as “torneiras” do crédito, e a diminuição no consumo», particularmente acentuada, num dos países europeus mais tocados pela crise, com uma taxa de desemprego que ultrapassa os 15%, a mais elevada da zona euro. Graças às promoções, as marcas estão a escoar os produtos que se vendem mal, não acumulando stocks e obtendo a liquidez necessária para pagar as rendas, os salários dos funcionários», explicou Oria. Na Zara, a marca estrela do gigante mundial Inditex, a estratégia é mais velada: nada de cartazes nem publicidade mas uma nova gama, baptizada “Special Price”, que entrou discretamente nas últimas semanas nas gamas das suas lojas em todo o mundo. Na secção feminina, as t-shirts a 7,90 euros fazem conjunto com os calções em algodão a 5,90 euros. A particularidade destes produtos? São mais baratos», responde mecanicamente uma vendedora da loja na Gran Via. Mas não se trata de uma estratégia específica» face à crise, defendeu-se um representante do grupo galego, é simplesmente uma nova gama, para a qual apostamos particularmente na relação qualidade-preço, com produtos distinguíveis pela etiqueta Special Price para orientar o cliente». A “guerra”, contudo, está apenas a começar. No site de Internet da cadeia de vestuário Blanco, os clientes tiveram a oportunidade de imprimir, até 30 de Abril, cupões de redução de 10%, aplicáveis a todas as peças de vestuário e mais promoções perfilam-se no horizonte.