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Comércio acelera, mas com ameaças no horizonte

A OMC revelou estimativas de crescimento robusto para este ano e para 2019, mas tudo depende do resultado da guerra comercial que se desenha entre os EUA e a China.

O comércio mundial irá crescer 4,4% este ano, depois de uma década, marcada pela crise financeira, em que a média foi de 3% anual. No ano passado, as transações aumentaram 4,7%, um valor muito acima dos 3,6% que estavam previstos em setembro e para 2019 a subida deverá atingir os 4%, revelou a Organização Mundial do Comércio (OMC).

«Apesar disso, este progresso pode ser rapidamente comprometido se os governos recorrerem a políticas de comércio restritivas, sobretudo num processo de olho-por-olho que leve a um agravamento inimaginável», afirmou o diretor geral da OMC Roberto Azevêdo em comunicado (ver Crescimento do Comércio em Risco).

Os Estados Unidos e a China têm-se ameaçado mutuamente com tarifas de mais de mil milhões de euros em nas últimas semanas, o que fez aumentar a preocupação em torno de uma guerra comercial entre Washington e Pequim.

As previsões da OMC para 2018, baseadas no crescimento do PIB, apontam para um aumento de 5,5%, mas «um agravamento na guerra comercial poderá conduzir a um valor significativamente inferior», avisou a organização. «Estas estimativas não contam com, e repito, não contam com a possibilidade de uma escalada dramática de obstáculos ao comércio», referiu Azevêdo, salientado que os países mais pobres serão «os mais afetados».

Mas não é só a guerra comercial a ameaçar os números da OMC. O aumento das taxas de juro por parte dos bancos centrais também é considerado de alto risco para as tensões geopolíticas, porque pode causar uma subida da inflação. Os ciberataques são outro fator problemático, com um impacto potencial ainda maior nas transações de serviços, um item que cresceu em 7,4% no ano passado depois de dois anos bastante fracos.

Os resultados do ano passado foram liderados pela Ásia, em gastos e nos preços elevados. A mudança da China, mais virada para o consumo e menos para o investimento, pode implicar que importe menos bens, desacelerando o crescimento do comércio mundial. A falta de uma maior liberalização pode ser outra das questões a travar o crescimento mundial.