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Comércio de vestuário cai 35%

A atividade de comércio mundial nas cadeias de aprovisionamento da indústria de vestuário caiu 35% entre o primeiro e o segundo trimestres do ano e, apesar da taxa de declínio ter dado sinais de melhoria em junho, as perspetivas continuam voláteis, sobretudo nas economias ocidentais.

Com base na análise às transações business-to-business na plataforma Tradeshift, o volume de transações no vestuário desceu cerca de 40% em abril em comparação com a média mensal no primeiro trimestre. Os dados revelados pelo just-style.com, que teve acesso aos números, mostram um declínio de 38% em maio face à média do primeiro trimestre e de menos 27% em junho.

A análise na plataforma, que é usada por mais de 1,5 milhões de fornecedores e compradores para efetuar encomendas e processar faturas, revela que o comércio mundial total baixou 14,8% no segundo trimestre de 2020.

As evidências de uma curva ascendente em junho sugerem, contudo, que o impacto da pandemia de Covid-19 pode situar-se nos valores mais baixos da previsão da Organização Mundial do Comércio, que apontou para uma queda entre os 13% e os 32%.

O índice mundial de saúde do comércio da Trafeshift mostra ainda que o Reino Unido teve a maior queda entre as economias ocidentais no segundo trimestre, com os volumes de transação a baixarem 23,1%. A atividade na Zona Euro caiu 21,9%, enquanto nos EUA desceu 16,1%.

O exemplo chinês

A China, que registou o maior impacto no comércio no primeiro trimestre, sentiu um aumento de 31,8% da atividade no segundo trimestre. Os volumes de transação subiram 430% quando as fábricas reabriram no final de fevereiro. A atividade aumentou mais 14% quando as restrições de confinamento começaram a ser levantadas em abril, mas este dinamismo, refere o just-style.com, «começou a estagnar».

A média de transações semanais na China caiu 8% desde a semana iniciada a 15 de junho e a atividade comercial nas últimas duas semanas de junho manteve-se 22% abaixo dos níveis que a Tradeshift registou na plataforma no último trimestre de 2019.

«A recuperação da China é um indicador útil do que a forma da recuperação pode começar a parecer, à medida que outros países começam a ter a disseminação do vírus sob controlo», explica Christian Lanng, CEO da Tradeshift.

«Um enorme mercado doméstico dá à China algumas vantagens em termos de rapidez de recuperação. Mas a natureza interligada das cadeias de aprovisionamento globais significa que nem mesmo a China consegue recuperar completamente isolada. Todo o ecossistema tem de estar a funcionar bem. Atualmente, esse não é o caso», sublinha.

Fornecedores em dificuldades

Nas economias ocidentais começaram a emergir focos de recuperação, mas o cenário geral continua volátil. Após recordes em baixa em abril e maio, os volumes de encomendas começaram a subir no mês de junho. A Zona Euro foi a que mais beneficiou de uma retoma pós-confinamento, com o número de pedidos a aumentar 24% em junho em comparação com os valores baixos de abril.

Os volumes de encomendas nos EUA e no Reino Unido também começaram a crescer no final de maio, mas o aumento da atividade tem sido bastante menos pronunciado.

No entanto, embora o número de encomendas esteja a subir, os pagamentos aos fornecedores não estão a manter o mesmo ritmo da retoma. O volume de faturas na União Europeia, Reino Unido e EUA caiu 19% no total no segundo trimestre e, apesar da atividade estar a recuperar no início do terceiro trimestre, está a fazê-lo mais lentamente.

Com muitos fornecedores com baixa liquidez depois de um longo período de inatividade, a falta de capital a fluir na cadeia de aprovisionamento pode impedir estes fornecedores de responder às encomendas, colocando um travão na retoma.

«Tentar reiniciar as cadeias de aprovisionamento sem um acesso rápido e previsível a liquidez é um pouco como tentar pôr um carro a trabalhar sem combustível no depósito. Não nos leva longe», compara Christian Lanng. «Os estímulos dos governos fizeram um ótimo trabalho a isolar as empresas do pior do confinamento. Mas à medida que entramos num novo capítulo na pandemia, precisamos de procurar novas formas de desbloquear a liquidez e fazê-la chegar rapidamente aos fornecedores», conclui.