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Comércio eletrónico dispara em 2020

As vendas online deverão aumentar 25% este ano, para 748 mil milhões de dólares, nos EUA, segundo a FTI Consulting. Se tal acontecer, será o maior crescimento desde 2006 e supera as previsões iniciais da consultora, que apontavam para 677 milhões de dólares.

[©Sourcing Journal]

De acordo com a FTI Consulting, em 2023, as vendas do comércio eletrónico deverão quebrar o bilião de dólares (cerca de 854 mil milhões de euros), atingindo este valor um ano antes das previsões apontadas na análise anterior. A quota de mercado deverá alcançar os 27% até 2025 e 33% em 2030, comparativamente com as previsões anteriores de 19,2%.

A longo prazo, a FTI Consulting espera que a quota de mercado total atinja os 33% até 2030 e 39% até 2040, com o limite máximo para a quota de mercado online de aproximadamente 500 pontos-base (cinco pontos percentuais), estimativas mais altas do que as destacadas na análise pré-pandemia da consultora.

Além disso, as projeções da FTI Consulting apontam para que a quota de mercado online no total das vendas de retalho aumente 350 pontos-base (3,5 pontos percentuais) em 2020, mais do dobro da quota de mercado nos últimos anos. O aumento representa um ganho incremental de quase 220 pontos-base (2,2 pontos percentuais) em 2020 face à estimativa anterior.

Durante os últimos anos, os lucros da quota de mercado online têm oscilado entre os 125 e os 140 pontos-base de ano para ano. Por isso, 2020 é um ano atípico já que engloba os lucros da quota de mercado de um único ano, destaca o Sourcing Journal.

Em geral, 80% dos consumidores afirmaram que é mais provável fazerem compras online este ano do que no ano passado, segundo os dados do estudo “Holiday Gift Giving Survey” da consultora. Por consequência, a quantia que os compradores planeiam gastar online para a quadra natalícia é também superior ao montante dos anos anteriores.

[©Dmexco]
«O Covid-19 teve um impacto profundo no nosso quotidiano e acelerou as tendências já existentes», afirma Christa Hart, diretora-geral sénior na atividade de retalho e produtos de consumo da FTI Consulting. «Este ano, vimos um aumento no comércio eletrónico e um ritmo acelerado no encerramento de lojas de retalho por todo o país devido, principalmente, à adoção forçada ou posterior de compras online pelos consumidores confinados em casa. Mesmo quando o Covid-19 acalmou e os estilos de vida mais normais puderam ser retomados, este acontecimento histórico explica, provavelmente, para sempre a forma como escolhemos comprar produtos», continua.

Já a EMarketer tem projeções não tão otimistas, apesar do crescimento do comércio eletrónico nos EUA, em 2020, ser notório. As expectativas são de um aumento de 18%, para 709,9 mil milhões de dólares, enquanto as vendas no retalho físico deverão sofrer um declínio historicamente significativo de 14%, para 4,2 biliões de dólares. Neste último caso, as vendas totais no retalho não devem recuperar os níveis de 2019 até ao final do corrente ano.

De igual forma, o relatório da EMarketer no que diz respeito às vendas de retalho nos EUA, incluindo sectores como automóveis e combustíveis, vão descer 10,5% este ano, para 4,89 biliões de dólares.

Na mesma linha de análise, a Forrester Research prevê que o retalho digital escale 18,5% na América do Norte ao longo do ano. Pelo contrário, estimativas de queda não são tão negativas, assinalando os 2,5% para 2020.

Transformação digital

Segundo o Sourcing Journal, o aumento nos gastos online deve estimular as empresas a investir no atendimento na área digital, uma vez que o comércio eletrónico faz cada vez mais parte das opções do consumidor, uma prática que deverá aumentar na época natalícia.

Prova disso, é o relato da Kindred, empresa de robótica, cuja frota de robots instalada já atua em 100 milhões de unidades de retalho desde o lançamento, em 2017, que sugere que a aplicação de robots de inteligência artificial no quarto trimestre de 2020 aumentou. Ao longo deste ano, os robots pick-and-place aumentaram as unidades em 50% em cada trimestre, o que ilustra o crescimento que os retalhistas online registaram desde o início da pandemia de Covid-19.

A Gap e a American Eagle são alguns exemplos de retalhistas que reforçaram a aposta em robots em 2020.

[©Reuters]
A J.D. Wichser, líder na atividade de retalho e produtos de consumo da FTI Consulting, concluiu que a pandemia criou um novo «consumidor marginal», tendo em conta que os hábitos viram-se transformados com as medidas restritivas e as problemáticas de segurança. A J.D. Wichser antevê que os compradores vão continuar a optar mais pelo canal online, deixando o retalho tradicional para segundo plano.

A FTI Consulting assume, contudo, que o crescimento histórico assinalado em 2020 é improvável de se voltar a replicar no futuro. As estimativas, deste modo, sustentam uma desaceleração do crescimento nas vendas de retalho online para os dois dígitos durante os próximos anos. Para o próximo ano, a queda será de 11,5%, graças às comparações «desafiantes» de 2020.

A pandemia vai influenciar ainda a altura em que os consumidores começam a comprar, visto que um estudo da Listrak estimava que 35% dos consumidores iam iniciar as compras da quadra natalícia já em outubro, uma percentagem que aumentou para 50% no caso das previsões da Affirm partindo do mesmo pressuposto.