Início Notícias Mercados

Comércio eletrónico soma e segue

Num mercado em mudança, com consumidores mais exigentes e em busca da maior conveniência, as vendas no canal online continuam a somar taxas de crescimento elevadas e a atrair novos players, incluindo empresas portuguesas que estão a aderir às vendas online.

Em 2018, o comércio eletrónico atingiu 2,8 biliões de dólares [cerca de 2,5 biliões de euros] a nível mundial e deverá continuar a crescer. Nos EUA, de acordo com o site Statista, as vendas online deverão ascender, em 2019, a 485 mil milhões de euros, prevendo-se um aumento a uma taxa anual de 7,8%, que deverá culminar num valor de 655,7 mil milhões de euros em 2023.

Na Europa, segundo o European B2C Ecommerce Report 2019, o estudo promovido pela Ecommerce Europe e EuroCommerce e publicado este mês, o comércio eletrónico direcionado para os consumidores cresceu 11,87%, para 547 mil milhões de euros em 2018, devendo aumentar 14% em 2019, para 621 mil milhões de euros.

A Europa Ocidental é o maior mercado de comércio eletrónico na Europa, com aproximadamente 66% do valor total, seguindo-se o Sul da Europa – que engloba Portugal, Espanha, Itália, Grécia, Chipre, Malta, Turquia e Croácia –, com 14% (equivalente a 78 mil milhões de euros). O Norte da Europa representa apenas 9%, mas os consumidores desta região são os que gastam mais (em média, cada consumidor despende 2.046 euros).

Do lado das empresas, Marlene ten Ham, secretária-geral da Ecommerce Europe, afirma que «as empresas ainda enfrentam barreiras ao desenvolvimento, sobretudo além fronteiras. Como tal, temos de estabelecer ações ambiciosas mas fazíveis ao nível da UE para os próximos anos e acelerar os nossos esforços», citando a necessidade de assegurar o cumprimento da legislação existente e harmonizar a legislação. «Por último, precisamos de mais investimentos em novas tecnologias e competências digitais para que os negócios de comércio eletrónico tenham capacidade para moldar o futuro digital da Europa», acrescenta.

Já para Christian Verschuren, diretor-geral da EuroCommerce, «o que fica claro é que a Europa, como um todo, tem de recuperar face ao progresso massivo que está a acontecer no comércio eletrónico e tecnologia digital noutras regiões do mundo, mais especificamente na China e nos EUA».

Consumidores ainda retraídos

O estudo revela ainda as razões mencionadas pelos consumidores para não comprarem online, estando entre as principais queixas a rapidez de entrega, problemas de confiança em relação a receber e devolver artigos e preocupações com a segurança dos pagamentos – uma área onde Portugal se destaca, com 29% dos consumidores a referirem este motivo.

Adolfo Fernández Sánchez

Na sua apresentação na segunda edição da conferência “Tudo Sobre E-Commerce”, que teve lugar em maio último, no Porto, Adolfo Fernández Sánchez, global program manager de estratégia de crescimento internacional da Google, revelou que «em apenas cinco anos, a população mundial ligada à Internet deverá crescer 40%, de 3 mil milhões em 2016 para 4,2 mil milhões em 2021». E já em 2019, a Google aponta para que haja 26,7 mil milhões de dispositivos conectados – mais do triplo da população mundial. O número de consumidores online também está a aumentar e as previsões da gigante tecnológica indicam que vão ultrapassar os 1,9 mil milhões em 2019.

O consumidor está, contudo, a mudar e Fernández Sánchez deixou algumas dicas para as empresas que já estão ou querem apostar no comércio online, tendo por base dados da Google. «82% dos consumidores têm mais probabilidade de comprar se o material promocional estiver na sua própria língua» e «dois-terços dos consumidores abandonam o carrinho de compras porque um site não suporta métodos de pagamento locais». Há ainda a questão da entrega: «60% dos consumidores compraram bens de um vendedor online em vez de outro porque as opções de entrega eram mais convenientes», destacou o global program manager de estratégia de crescimento internacional da Google.

O papel dos marketplaces

Ryan Frank, diretor de marketplace na Amazon Spain, focou, também, na conferência “Amazon – O seu parceiro para o negócio online na Europa”, que também teve lugar em maio no Porto, a importância do consumidor. «O que fazemos para proporcionar uma boa experiência de compra é o mais importante», realçou, dando como exemplo o serviço de subscrição Prime, que conta com 100 milhões de membros. «É um serviço conveniente e uma forma de os clientes dizerem que confiam na Amazon», apontou. Para as empresas que vendem na Amazon, a plataforma é uma porta de acesso a milhões de consumidores europeus através dos cinco marketplaces: Espanha, Reino Unido, Alemanha, França e Itália. «Ao abrir conta na Amazon não se vende apenas para um mercado, mas para toda a Europa», garantiu Frank.

Ryan Frank

Embora Portugal esteja ainda pouco envolvido com o comércio eletrónico, esta é uma área indispensável e que está a crescer. «O e-commerce é, nesta segunda década do século XXI, uma aposta fundamental para mobilizarmos as empresas para o sector exportador», assegurou Eurico Brilhante Dias, Secretário de Estado da Internacionalização, na sua intervenção nesta mesma conferência.

As empresas parecem estar empenhadas em acompanhar esta onda online e há já diversos exemplos de sucesso, desde o marketplace Springkode, que está a conseguir levar a indústria produtora da moda para o negócio digital, ao recém-chegado Dott, que conta, por exemplo, com empresas de têxteis-lar como a Traços Singelos, até à pioneira Salsa, que realiza já parte significativa das suas vendas na internet.