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Comércio Mundial abranda em 2001 num contexto de incerteza

Espera-se que o crescimento do comércio mundial de mercadorias, abrande em termos de volume para apenas 2% em 2001 – comparado com os 12% de 2000. No entanto, e de acordo com um relatório International Trade Statistics 2001, publicado ontem pela Organização Mundial do Comércio (OMC), este crescimento não está confirmado devido às presentes incertezas que se vivem em relação ao desenvolvimento económico e comercial. De qualquer forma, espera-se que o comércio na Europa Ocidental e nas economias em transição, aumente mais de 2%, enquanto que a América do Norte vai provavelmente ficar abaixo da média global. Em relação ao Japão, vai experimentar uma contracção das exportações, conjugada com um moderado crescimento das importações. O crescimento do valor do comércio da América do Norte, desacelerou durante o primeiro semestre de 2001, enquanto que no segundo trimestre, tanto a exportação como a importação estiveram abaixo dos níveis do ano anterior. Os valores da exportação e importação de produtos da Europa Ocidental, aumentaram apenas 2,5 e 1,5% respectivamente. Em relação ao comércio de mercadorias a nível mundial, o valor dos produtos transaccionados, subiu apenas 1% na primeira metade do ano, em comparação com os ganhos de 12,5% em 2000. O comunicado relata que 2001 contrasta nitidamente com o crescimento saliente da produção global e comércio em 2000, quando a expansão da produção e comércio de mercadorias foi a mais forte por mais de uma década. O crescimento da economia acelerou na maioria das regiões no ano 2000. A América do Norte e a Ásia, que manifestaram ambas um crescimento do produto interno bruto acima da média em 1999, mostram agora variações apenas moderadas. Contrariamente, a actividade económica aumentou fortemente na América do Sul e Rússia, após ter estagnado no ano anterior. O aumento da produção em África foi fortalecido no ano 2000, mas sempre a um nível inferior aos outros países em vias de desenvolvimento, enquanto que o crescimento económico da Europa Ocidental aumentou para os 3,4%, sendo esta a sua maior expansão na última década. Por seu lado, a recuperação do Japão continuou modesta e frágil. Os países em vias de desenvolvimento tiveram uma contribuição acima da média para a vigorosa expansão do comércio e produção mundial em 2000. A estimativa do aumento de 15% no volume de exportações dos países em vias de desenvolvimento, foi três vezes mais rápida que o crescimento do Produto Interno Bruto, tendo as suas quotas no comércio e produção mundial, continuado a aumentar como durante os anos 90. Além disso, apenas uma pequena parte deste aumento resulta dos altos preços do petróleo. Entre outros desenvolvimentos, o estudo apresenta alguns pontos altos em 2000: – O volume das exportações mundiais de produtos subiu 12,5% em 2000, o triplo do crescimento em 1999. A exportação mundial de serviços comerciais aumentou 6% em 2000, alcançando 1,4 biliões de dólares (315 mil milhões de contos), com o sector dos serviços de transporte a atingir o maior crescimento. – As categorias de produtos com maior crescimento foram os combustíveis e equipamentos de telecomunicações, enquanto que a exportação de produtos agrícolas registou o mais fraco crescimento de todas as categorias de produtos. – O forte crescimento do sector das tecnologias de informação, beneficiou particularmente a América do Norte e a Ásia, enquanto que o aumento da procura da energia mundial e a recuperação dos preços do petróleo, impulsionou a economia dos países exportadores destes produtos. – O valor das exportações dos produtos da América do Norte, cresceu 12,5%, ou seja, o dobro do ano anterior. – A Europa Ocidental registou o mais acentuado crescimento no que diz respeito ao comércio e à produção da última década. – O crescimento da produção da América Latina em 2000 deve-se principalmente à recuperação do Brasil e ao forte crescimento do PIB do México. – A Ásia e as economias em transição registaram ambas o maior crescimento das exportações entre as maiores regiões, e o maior aumento das importações. Apesar da moderada aceleração do crescimento económico da Ásia em 2000, o seu volume de comércio cresceu mais de 15%, cerca do dobro da média de crescimento nos anos 90. – Os 49 países menos desenvolvidos participaram igualmente no dinamismo da produção global na expansão do comércio, tendo o seu Produto Interno Bruto e o crescimento do comércio excedido a média global. – Estas diferenças na exportação entre os países menos desenvolvidos, podem ser em grande parte atribuída à sua estrutura de produtos. – O desenvolvimento do comércio nas áreas abrangidas por Acordos Regionais do Comércio, variou de forma mais acentuada em 2000. O comércio entre os estados membros do MERCOSUL e da ASEAN expandiu-se mais rapidamente que o comércio global de mercadorias, enquanto que o comércio entre as regiões membro da UE e CEFTA aumentou menos rapidamente do que entre as regiões que não pertencem à organização. O comércio entre os membros da NAFTA, expandiu-se mais rapidamente do que as exportações para outras regiões. No entanto, as importações da NAFTA cresceram tão depressa como o seu comércio interno. – Para a UE a quota do comércio entre os estados membros no que diz respeito aos serviços foi de 55% em 2000, valor que se manteve desde os anos 90. Para a NAFTA, a quota em 2000 era, pelo menos, um quarto do total no que diz respeito ao comércio de serviços. O Portugaltextil vai acrescentar amanhã os dados do Relatório de Comércio Mundial de Têxteis e Vestuário que estavam a ser publicados à hora do lançamento desta notícia.