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Comércio tradicional bracarense penalizado

O comércio tradicional bracarense está ameaçado pelo franshising de pronto a vestir “a única área que tem registado aumento de vendas”, adianta Alberto Pereira, presidente da Associação Comercial de Braga (ACB), ao Jornal de Noticias. Com uma excessiva oferta comercial e a abertura de novas grandes superfícies, o comércio tradicional está a ser gravemente penalizado, o que preocupa os comerciantes. Neste momento Braga é o município do país com maior densidade de oferta de comércio, apresentando uma média de 24 lojas por cada mil habitantes, sendo que a média nacional se situa nas 11 e a média europeia não ultrapassa as sete. As lojas que inundam a cidade “pertencem a grupos internacionais com uma base que, no outro comércio, não há e têm conseguido atrair a maior atenção dos consumidores”, acrescenta Alberto Pereira. “Os sectores com maiores problemas continuam a ser o pronto a vestir não franshisado (…), são sobretudo lojas que não estão ligadas em rede, não possuem marca própria e, por isso, estão mais vulneráveis à concorrência de sectores que possuem organizações mais agressivas e um marketing económico muito forte”, referiu o presidente da ACB. Para a Associação Comercial de Braga, a evolução do comércio no distrito criou excessos e desequilíbrios devido à elevada oferta. Esta situação leva a que as mais de 50 mil famílias que dependem do comércio tradicional no Minho, vivam “problemas dramáticos e uma parte (entre 30 a 40%) anunciem falência técnica. Apenas sobrevivem” sublinhou o responsável. José Manuel Gomes, é um dos empresários bracarenses que aderiu ao franshising de uma conhecida marca de pronto a vestir, abrindo uma loja numa das ruas do centro e garante não ter tido “quaisquer problemas desde o início. A loja vende bem e beneficia do prestígio que a marca tem”. Nas palavras do empresário, a crise que se vive no comércio minhoto é “normal” e faz parte de um “ciclo”, “depois da expansão, a recessão é natural. As «vendas não podem estar sempre a aumentar e também não podemos esquecer a actual conjuntura económica», lembrou. Mas estes argumentos não aquietam os comerciantes do mercado tradicional. Por exemplo, junto ao mercado Municipal de Braga, a Sandomi, uma loja de vestuário pertencente ao casal Domingues, tenta fazer face às grandes superfícies e à concorrência desleal dos feirantes. “De há cinco anos a esta parte, existe uma diferença de 30% no dinheiro de caixa que se fazia na altura” afirma José Domingues, que trabalha há 16 anos neste ramo e que tem consciência de que o impacto dos franshisings é tão forte “por pertencerem a grupos internacionais e terem um maior poder negocial”. As lojas de franshising vendem a peça a um preço mais baixo pois a peça “não passa por vários intermediários”, mas não é só esta característica que as torna mais apelativa, na opinião de José Domingues é o facto de as “pessoas gostarem de ir onde já está muita gente”.