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Comparações mais fáceis abrandam queda das exportações

Nos primeiros dois meses de 2021, as exportações de têxteis e vestuário desceram 7,7% face ao mesmo período do ano anterior, um número melhor do que em janeiro mas que beneficia de comparações com números mais baixos, uma vez que a pandemia se tinha já feito sentir em fevereiro do ano passado.

De acordo com os dados divulgados hoje pelo INE, as exportações de matérias têxteis e suas obras em janeiro e fevereiro acumularam cerca de 823 milhões de euros, o que representa uma queda de 7,7% face a igual período de 2020. Nessa altura, contudo, as exportações nacionais estavam já em ligeira queda (-0,9%) em comparação com os primeiros dois meses de 2019, provocada pelos primeiros efeitos da pandemia no negócio da moda no mês de fevereiro de 2019.

Segundo o comunicado da ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, assinado pelo presidente Mário Jorge Machado, «recordamos que fevereiro de 2020 foi o mês em que as exportações do sector começaram a diminuir (-1,3%), já com alguns efeitos da disrupção da cadeia de abastecimento, situação que viria a intensificar-se nos meses seguintes em resultado das medidas de confinamento impostas um pouco por todo o mundo para travar a propagação do Covid-19».

Tendo apenas em consideração o mês de fevereiro, as exportações de matérias têxteis e suas obras baixaram 5% face a fevereiro de 2020, correspondendo a menos 21 milhões de euros. Em janeiro deste ano, a redução tinha sido de 10,1%.

Por categorias, as exportações de vestuário em tecido são as mais afetadas, mantendo uma queda acima dos 30% nos primeiros dois meses do ano (-31,5%), o que corresponde a menos 54,7 milhões de euros do que o valor exportado no período homólogo de 2020. Em termos absolutos, o vestuário e seus acessórios, de malha (menos 8,5 milhões de euros, equivalente a -2,3%) e as lãs (menos 5,1 milhões de euros, representando menos 50,1%) foram as categorias mais afetadas neste período.

As notícias são melhores para os outros artefactos têxteis confecionados, onde se incluem a maioria dos têxteis-lar e as máscaras, que registaram uma subida de 7,7% das exportações, representando mais 8,4 milhões de euros, e também para os tecidos de malha, cujos envios para o exterior aumentaram 7,9%, equivalente a 1,8 milhões de euros, para um total de 24,7 milhões de euros.

Espanha em queda

O mercado espanhol é o principal culpado da queda atual das exportações nacionais de têxteis e vestuário. Nos primeiros dois meses de 2021, os envios para Espanha caíram 23%, equivalente a uma perda de 57,8 milhões de euros. O país representa agora uma quota de 23,6% das exportações do sector – no mesmo período do ano passado, Espanha detinha uma quota de 28,3%.

Considerando apenas as exportações de vestuário, a queda nos envios para Espanha aumenta para 26,5%, sendo que o país detém uma quota de 29% neste tipo de artigo. No vestuário de tecido, Espanha comprou nestes primeiros dois meses de 2021 menos de metade (queda de 51,5%) do que adquiriu no ano passado, representando menos 36,6 milhões de euros. No vestuário em malha, a descida é menos acentuada (-11,2%, equivalente a menos 13 milhões de euros).

Em sentido contrário destaca-se França, com um aumento de 8,3% nas exportações portuguesas de matérias têxteis e suas obras. O acréscimo de compras dos gauleses deu-se essencialmente pelo vestuário e seus acessórios, de malha (mais 5,8 milhões de euros, equivalente a +11,1%) e pelos outros artefactos têxteis confecionados (mais 2,3 milhões de euros, representando +10,5%).

Também Itália regressou a comparações positivas, embora com valores mais modestos. As exportações de têxteis e vestuário para o país transalpino subiram 1,1%, sendo essencialmente impulsionadas pelo crescimento na categoria de vestuário e seus acessórios, de malha (+7,2%, equivalente a 2,3 milhões de euros).

Segundo os dados da ATP, as importações caíram 30% nos primeiros dois meses, «com as matérias-primas a diminuírem cerca de 18%, o vestuário 45% e os têxteis-lar e outros artigos confecionados, entre os quais as máscaras têxteis, a aumentarem 26%». O saldo da balança comercial foi de 307 milhões de euros.