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Competitividade é prioridade do novo presidente da ATP

A competitividade das empresas, a visibilidade da indústria têxtil e vestuário na sociedade e a transição para a economia circular são as prioridades para o mandato de Mário Jorge Machado, o recém-eleito presidente da ATP - Associação Têxtil e Vestuário de Portugal.

As eleições foram ontem e a tomada de posse terá lugar na próxima quarta-feira, 7 de agosto. Mário Jorge Machado, presidente do empresa Adalberto, encabeçou uma lista única, que conta como vice-presidentes com Miguel Pedrosa Rodrigues, administrador da Pedrosa & Rodrigues, e Isabel Gonçalves Furtado, administradora da TMG. Paulo Melo, presidente da Somelos, sai da presidência da ATP, mas mantém-se ligado à associação, ocupando um dos lugares de vogal na direção.

Os novos órgãos sociais são resultado de uma lista de continuidade – o próprio Mário Jorge Machado era vice-presidente na direção anterior. «Entendi que a ATP tem vindo a fazer um bom trabalho a ajudar a que as empresas sejam devidamente representadas, quer junto do poder político, quer junto da opinião pública», afirma, ao Portugal Têxtil, Mário Jorge Machado. «E entendo que esse trabalho deve continuar a ser feito exatamente nessa senda, naquilo que me move a mim, pessoalmente, que é ajudar o sector, ajudar as empresas e, com tudo isso, vamos estar a ajudar o país, porque aquilo que é bom para o sector têxtil e para as empresas portuguesas, vai ser bom para o país», sublinha.

É esta a mensagem principal que o novo presidente da ATP pretende destacar ao longo do seu mandato, que se prolonga até 2021. «É uma mensagem um pouco inglória, porque há alguns atores que não têm este tipo de visão de que aquilo que é bom para as empresas, é bom para os trabalhadores e é bom para o país. As empresas não são os inimigos dos trabalhadores. As empresas, pelo contrário, estão preocupadas com os trabalhadores das empresas, quer em termos de remuneração, quer em termos de condições, quer em termos da sua vida, para permitir que todos possamos viver melhor», garante.

Três prioridades

Defender a competitividade das empresas a nível internacional é, por isso, uma das prioridades. «Preocupa-me que o sector perca competitividade, que o poder político não entenda que os sectores industriais e exportadores têm de manter a sua competitividade. E todos os fatores que estão envolvidos dentro da competitividade podem afetar gravemente qualquer sector económico. Esse é um aspeto que é muito importante ser defendido perante os decisores políticos», revela, apontando, como uma das preocupações as leis do mercado de trabalho. «Há dias foi aprovada uma série de medidas de alteração da legislação laboral que vai exatamente no sentido oposto daquilo que é necessário no século XXI, que é incrementarmos a flexibilidade», considera. «É muito fácil e populista vender este tipo de medidas, só que na realidade acaba por ser o oposto daquilo que elas pretendem defender, que é permitir a criação de mais emprego, emprego mais bem remunerado e emprego com mais oportunidades. Tudo o que seja rigidificar os sistemas, faz exatamente o oposto», acrescenta. «As leis que um país tem influência de forma direta aquilo que acontece em termos de crescimento», destaca Mário Jorge Machado.

Um outro foco será «a questão da visibilidade da fileira têxtil, vestuário e moda, o trabalho que tem vindo a ser feito para mostrar que o sector têxtil, do ponto de vista de carreira, tem muitas oportunidades para os jovens trabalharem em empresas com tecnologias de ponta», explica ao Portugal Têxtil. «É um sector que, felizmente, tem vindo a atrair mais jovens para os cursos de engenharia. Os salários que estão a ser pagos a modelistas ascendem, alguns deles, a milhares de euros por mês. Portanto, é um sector que paga bem a pessoas competentes e bons profissionais. Continuar a mostrar ao país que o sector têxtil e vestuário é um sector onde existem muitas oportunidades é fundamental», acredita o novo presidente da ATP.

Por último, Mário Jorge Machado assume como missão ajudar as empresas a fazerem a transição para a economia circular e a sustentabilidade. «São ameaças mas são também oportunidades para o sector têxtil português. Quer empresas, quer empresários, quer investigadores, estão a fazer bons trabalhos nessa área. A associação também tem aqui um papel e estamos a desenvolver o plano estratégico para 2020/2030 exatamente para mostrar onde é que vão estar as oportunidades e ajudar as empresas todas, em conjunto, a perceber o que vai acontecer no futuro e a preparamo-nos para ele», conclui.