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Comportamento ambiental à lupa – Parte 2

Para além da C&A com o programa “We C&Are” (ver Comportamento ambiental à lupa – Parte 1), também a cadeia norte-americana de retalho de moda a Gap não quer ficar para trÁs na resposta ecológica, embora o seu plano seja menos ambicioso do que os apresentados pelos seus homólogos europeus. O retalhista pretende cortar em 11% as suas emissões de gases de estufa nos Estados Unidos, através da conservação de energia, desenvolvimento sustentÁvel e reciclagem de resíduos. A Gap pretende também reduzir o consumo de energia nos seus centros de distribuição. No ano passado, substituiu 7.500 lâmpadas por fontes luminosas de baixo consumo, o que deverÁ resultar numa poupança anual de cerca de 1 milhão de dólares. A empresa reforçou ainda a sua aposta na reciclagem de cartão em 90%, relativamente ao período de 2003/2006, e cortou em 8,7% o seu consumo de energia. As incursões ambientalistas das cadeias de vestuÁrio surgem após as iniciativas de retalhistas generalistas como as britânicas M&S e Tesco, que lançaram iniciativas mais ambiciosas, pelo menos em termos de investimento. A cadeia de hipermercados Tesco vai investir 500 milhões de libras para financiar uma gama de produtos “verdes” e iniciativas empresariais para reduzir as emissões de dióxido de carbono. Na opinião de alguns analistas, como Ian Wade da Seymour Pierce, outras cadeias vestuÁrio poderiam beneficiar ao seguirem as iniciativas ecológicas dos seus rivais, acrescentando que esse esforço iria trazer importantes economias de custos e benefícios ao nível da imagem corporativa. Muitos retalhistas estão a planear a implementação de campanhas ambientais em antecipação a uma legislação europeia que irÁ forçar as empresas a reduzir drasticamente as emissões de CO2 ao longo dos próximos anos. Também as empresas de pequena e média dimensão estão a adoptar uma postura mais ecológica. A Burberry, por exemplo, estÁ a expedir 46% mais de carga por via marítima do que por via aérea. A American Apparel utiliza energia solar para abastecer a sua fÁbrica de Los Angeles e oferece bicicletas aos trabalhadores que querem pedalar até ao trabalho. Ainda não basta Apesar destas iniciativas ecológicas, os retalhistas não estão a fazer o suficiente para efectivamente beneficiar o ambiente», afirma Lisa Feinaldi, directora de campanha do Greenpeace nos EUA. Feinaldi congratula-se, por exemplo, com os esforços da Wal-Mart no sentido de se tornar uma empresa mais amiga do ambiente, mas refere que estes esforços são demasiado fracos para terem um efeito positivo na redução de gases de estufa. Acrescentando que, neste caso, a Wal-Mart terÁ de trabalhar com os fornecedores para incentivÁ-los a adoptar prÁticas amigas do ambiente e encontrar mais fornecedores com produtos ecológicos. A activista refere que muitos retalhistas de moda não possuem a transparência necessÁria para comunicar as suas metas de redução de emissões de CO2, e acrescenta não ser suficiente dizer que se vai reduzir as emissões, é necessÁrio haver a clareza necessÁria para identificar quais os elementos que estão a ser considerados com este objectivo. Os retalhistas precisam de realizar auditorias mais profundas para tornar os seus negócios mais “verdes”, considerando a energia consumida, os resíduos produzidos, as actividades de transporte e as infra-estruturas.