Início Notícias Retalho

Compras mais fáceis em 2022

A chegada de tecnologias que permitem a aquisição de produtos por mensagem de texto, o fim da necessidade de fornecer os dados de check-out no comércio eletrónico e das filas nas lojas físicas para processar o pagamento dos artigos adquiridos são algumas das mudanças que deverão revolucionar a ida às compras este ano.

[©TextRetailer]

Nas últimas duas décadas, a tecnologia transformou a experiência de consumo. Quando compramos em lojas, já nem precisamos de usar o cartão de crédito, podemos simplesmente usar o telemóvel. Além disso, podemos praticamente comprar tudo online. Mas embora seja mais fácil do que nunca fazer compras, há margem para melhorias, destaca um artigo da Fast Company, citando, entre outras, o tempo de espera para fazer o pagamento das compras nas lojas – em conjunto, os americanos esperam 37 mil milhões de horas na fila anualmente – ou até os minutos perdidos para preencher os formulários nas compras online.

Os avanços tecnológicos deverão, contudo, colmatar estas dificuldades e algumas inovações deverão chegar ao mercado ainda este ano, permitindo gastar menos tempo nas compras e torná-las mais divertidas.

Olá SMS

Na China, em Singapura e noutras partes do mundo, é cada vez mais comum fazer compras através de uma mensagem de texto. Noutras partes do mundo, como nos EUA, isso ainda não é possível, mas tal poderá estar a mudar, graças a uma série de empresas que estão a desenvolver tecnologia nesse sentido, incluindo o TextRetailer, Text2Shop e Walmart Luminare, esta última uma tecnologia desenvolvida internamente pela Walmart.

A Wizard Commerce deverá igualmente ser lançada em 2022. Cofundada por Marc Lore, ex-diretor de comércio eletrónico da Walmart, e Melissa Bridgeford, uma empresária da área tecnológica, a empresa angariou 50 milhões de dólares de financiamento em outubro do ano passado. A Wizard Commerce está a desenvolver uma plataforma que irá permitir que o consumidor envie uma mensagem de texto a uma marca e tenha conversas sobre produtos. Esta interação será alimentada por inteligência artificial, mas também haverá humanos a interagir, para situações mais complicadas. Num último passo, o consumidor obterá um link para um website seguro para submeter os seus detalhes de pagamento, que podem ser gravados para transações futuras. A Wizard espera anunciar parcerias com grandes retalhistas e marcas já este ano.

«Os consumidores asiáticos tendem a adotar a tecnologia mais cedo do que nós nos EUA», indica Melissa Bridgeford. «Mas o facto de o comércio à base de mensagens de texto ser tão popular na Ásia sugere que pode também descolar aqui [nos EUA]. E eu acredito que é a altura certa para os consumidores americanos experimentarem esta nova abordagem às compras», acrescenta.

A cofundadora da Wizard Commerce destaca que os americanos já estão a viver num mundo onde os dispositivos móveis estão em primeiro lugar, pedindo viagens de Uber ou Lyft e encomendando mercearia pela Instacart ou Postmates. «Mas embora estas apps sejam pensadas para smartphones, o comércio eletrónico, no geral, foi desenhado para um computador e encolhe para se adaptar ao telemóvel», afirma. «Estamos a criar tecnologia que é mais orgânica para a experiência de mobilidade, usando o tipo de conversas por mensagem de texto que já estamos habituados a ter com os nossos amigos», explica.

Adeus cartão de crédito

Uma das partes mais aborrecidas de fazer compras online é a necessidade constante de se ter o cartão bancário por perto. O Shopify resolveu este problema ao guardar a informação de pagamento para todas as marcas na sua plataforma, enquanto a Amazon é famosa pelo seu sistema de encomenda com um clique.

[©Fast]
Mas ainda não é possível fazer o mesmo em todos os websites, algo que a Fast, uma start-up lançada pelo empresário australiano Domm Holland em 2020, espera conseguir. Atualmente, 60% dos consumidores abandonam os carrinhos de compras online porque se esquecem da sua palavra-passe ou não querem dar os detalhes do seu cartão de crédito. Para solucionar este problema, a Fast criou um sistema que permite que os consumidores comprem artigos em qualquer lugar na internet com apenas um clique, sem ser necessário fazer login. Eventualmente, a Fast pretende incorporar estes botões de compra nos websites de editores e de correio eletrónico. «Se vir um produto que gosta no website da Vogue ou numa newsletter, por exemplo, pode clicar para o comprar imediatamente», esclarece Domm Holland.

A Fast indica que o sistema demora menos de uma hora a ser instalado pelos retalhistas e a adicionar os botões de compra aos produtos e que os primeiros a adotarem a tecnologia, como a Ski Haus e a Gerard Cosmetics, registaram um aumento nas taxas de conversão após a instalação dos botões. O Guardian Bookshop, que permite aos leitores do jornal inglês comprarem um livro sobre o qual leram no jornal, aumentou as encomendas totais em 43% após ter instalado a Fast.

Segundo Domm Holland, contudo, a Fast não tem a ver apenas com as compras, mas com o ajudar a criar uma identidade online segura para o consumidor. A Google, o Facebook, a Apple e a Amazon criaram ecossistemas nos quais os consumidores se sentem seguros a partilhar a sua identidade e a usarem essa informação para pagar por produtos ou para entrarem em websites. A meta da Fast é criar um sistema transversal a toda a internet igualmente fiável, para que os consumidores se sintam seguros a partilhar a sua informação. «É vitalmente importante para nós ganhar a confiança dos consumidores ao tornar claro que estamos a proteger os seus dados e não a usá-los para qualquer outro propósito», sublinha o fundador da Fast.

Robôs na caixa

Comprar em lojas físicas também deverá tornar-se mais fácil e evoluir além das caixas de registo automático que hoje se encontram em vários supermercados, mas que exigem que o cliente passe o código de barras por um scanner. A Amazon Go tem um sistema que permite aos consumidores pagarem e saírem da loja sem passar por uma caixa, o que levou várias empresas tecnológicas, como a Grabandgo, a Caper e a Zippin a desenvolverem tecnologias que dispensam as caixas, tornando as compras mais fáceis e rápidas.

[©Mashgin]
Durante a pandemia, a Mashgin, uma startup fundada em 2013 especializada em visão computacional para instantaneamente dar preço aos produtos sem usar códigos de barras, registou uma forte procura. A tecnologia é particularmente boa a reconhecer os artigos que não estão em embalagens tradicionais, como produtos frescos – os computadores do sistema conseguem automaticamente identificar o artigo de qualquer ângulo e pesá-lo para determinar o preço. Permite inclusive que sejam colocados vários artigos ao mesmo tempo em frente à câmara, para poupar tempo.

Com um investimento de 11,5 milhões de dólares, obtido numa ronda de financiamento em 2017, a Mashgin duplicou o número de quiosques em 2021, um ano em que muitas empresas procuraram formas de manter os seus funcionários e consumidores em segurança. A empresa lançou a sua tecnologia em mais de 500 pontos de venda, incluindo estádios desportivos, cafetarias dos hospitais, restaurantes dos aeroportos e lojas de conveniência, permitindo aos consumidores pagarem numa questão de segundos. Isso permitiu aos retalhistas reduzir o número de trabalhadores na linha da frente. Com ou sem pandemia, a Mashgin espera capitalizar com o facto de os consumidores terem cada vez menos paciência para esperar numa fila e preferirem fazer eles próprios o processo de pagamento.