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Compras no espaço em 2030

Na recente conferência WGSN Futures, em Nova Iorque, Andrea Bell, editora daquele portal de tendências, abordou o tema das viagens espaciais e o seu impacto na moda e retalho. A intervenção “The Vision 2030” adiantou as tendências que irão dominar o mercado nos próximos 15 anos.

Bell afirmou que, com a ajuda de empresas e projetos como o SpaceX, Google, Vulcan Aerospace e o Connectivity Lab do Facebook, o “turismo espacial” vai descolar e crescer significativamente em apenas dois anos. Este desenvolvimento, observou Bell citada pelo portal Fashionista, terá um impacto considerável no vestuário e no retalho. «As nossas roupas não vão parecer as mesmas no espaço», afirmou.

As empresas de moda têm procurado estar na linha da frente mas, como questionou Andrea Bell, «como se vai desenhar para este consumidor?». Bell apontou, como exemplo, a parceria entre a Y-3 e a Virgin Galactic.

A Virgin Galactic, a nova versão da malograda SpaceShipTwo – que se desintegrou no ar e causou a morte do copiloto –, nasceu para reerguer o projeto de turismo espacial do milionário britânico Richard Branson e tem como principal objetivo permitir que o público em geral tenha a oportunidade de fazer o impossível: viajar para o espaço.

Os engenheiros e técnicos da Virgin Galactic dedicaram as suas atenções ao hardware da nave, enquanto o equipamento dos respetivos ocupantes foi destacado para um fornecedor imprevisível: a Y-3 de Yohji Yamamoto para a Adidas – a primeira marca desportiva a desempenhar este papel.

A Y-3 foi selecionada para fornecer os fatos e as botas – desenvolvidos com recurso a tecnologia 3D – para os futuros astronautas, pilotos e tripulação (ver Adidas no espaço).

Sobre a linha de produtos, Andrea Bell revelou que «são leves, high tech e o material é praticamente indestrutível».

Não obstante, à medida que o mercado de turismo espacial se vai expandindo, os consumidores vão precisar de vestuário, acessórios e produtos de beleza que possam viajar com eles além do planeta. Bell citou então o papel de Jeff Bezos, na Amazon, que se destaca como o principal investidor na corrida espacial atual e está já a trabalhar para criar a primeira loja espacial. «A Blue Origin [a empresa aeroespacial privada fundada por Bezos] teve os voos espaciais mais bem-sucedidos», reconheceu a editora.

Uma segunda tendência relevante nos horizontes do WGSN é a roupa inteligente que, em 2030, já terá feito a plena transição dos acessórios wearable (como relógios e pulseiras de fitness) para os tecidos (ver A evolução natural dos wearables).

Neste campo, em maio, batizado em memória de um mecânico francês que no século XIX construiu um tear inteiramente automatizado, nasceu o Projeto Jacquard. Nas mãos de uma pequena equipa da Google, a divisão de tecnologia e projetos avançados (ATAP na sigla inglesa) do grupo (ver Jeans inteligentes), o projeto tem como objetivo confrontar as limitações convencionais da tecnologia wearable.

O Projeto Jacquard faz com que gestos simples, como tocar os deslizar sobre a roupa, enviem um sinal para o aparelho móvel do utilizador, ativando funcionalidades, como silenciar chamadas ou enviar uma mensagem de texto. A Levi Strauss foi a primeira parceira do Projeto Jacquard e o primeiro fruto da aliança deverá chegar a lojas selecionadas da marca já em 2017.

O portal WGSN vê ainda o comércio móvel – “m-commerce” como está a ser designado – como a próxima fronteira do retalho. No ano passado, o segmento do comércio móvel já havia alcançado 142 mil milhões de dólares nos EUA (aproximadamente 139 mil milhões de euros), só com vestuário.

Andrea Bell adiantou que o boom deste segmento deverá acontecer no sudeste Asiático e em África, onde o m-commerce vai saltar para os 88 mil milhões de dólares até 2025.