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Compromisso continuado

O Convento do Beato, em Lisboa, reuniu alguns empresários, gestores, economistas, advogados e professores numa iniciativa de apoio da sociedade civil a algumas iniciativas do Governo, como forma de dinamização de algumas das suas estratégias e reformas urgentes, conformeanunciadoanteriormente pelo JT. Mais do que assegurar um diagnóstico dos problemas e necessidades de que padece o país, a iniciativa denominada Compromisso Portugal sugeriu soluções, por intermédio do seu vasto e ilustre leque de interlocutores, cujo discurso foi sobretudo dominado pela urgência das reformas estruturais que permitam uma maior competitividade das empresas portuguesas, numa tentativa de aproximação do Portugal à UE nos próximos dez anos, esbatendo o distanciamento dos últimos três. 

António Carrapatoso, presidente da Vodafone, pôs a tónica do seu discurso na qualificação dos trabalhadores, na transparência e competitividade das empresas enquanto que António Borges, vice-presidente da Goldman Sachs, salientou a necessidade de reforçar, na liderança do país, a confiança e o rigor. Da intervenção de António Mexia, presidente da Galp Energia, destaca-se a necessidade do cidadão assumir o papel do consumidor/pagador, e deixar ao Estado o de redistribuidor de riqueza, sendo para tal essencial a estreita confiança destes agentes. Braga de Macedo sublinhou a importância de uma maior cooperação entre as associações empresariais, preocupação partilhada por José Maria Ricciardi, presidente do BES – Investimento, ao qual acrescentou a entre-ajuda no tecido empresarial. Ainda com este sentimento, Jorge Armindo, presidente da Portucel, adiantou que sem dimensão não é possível sobreviver. A advogada Sofia Galvão recordou a necessidade de um melhor funcionamento e menor despesismo da Administração Pública, conseguido também pela redução do numero dos seus funcionários, e Diogo Vaz Guedes, presidente da Somague, sublinhou a falta de consenso dos partidos nas decisões essenciais para o desenvolvimento do país, e a lentidão com que as reformas estruturais se estão a processar, exemplificando com o atraso na elaboração do Código do Trabalho.

Alexandre Relvas, administrador da Logoplaste, apresentou um plano para aumentar o peso das exportações no PIB e para aumentar a produtividade, e Fernando Ulrich, vice-presidente do BPI, pôs a tónica do seu discurso na emergência da redução da carga fiscal e na liberalização do mercado de trabalho. O presidente do Instituto Nacional da Administração, Valadares Tavares, realçou a urgência da cultura de exigência, da política com objectivos claros e da prioridade do investimento na Educação.

Segundo os seus principais promotores, esta iniciativa pretende ser um pontapé de saída para um debate futuro e regular, que se prende extensível às universidades e às empresas, para o qual foi criada a pagina www.compromissoportugal.com, assim como foi adiantado a intenção de criar um observatório para assegurar o acompanhamento de tantos objectivos e soluções propostas, e voltar a reunir sempre que necessário. A ideia dos impulsionadores desta iniciativa, não-institucionalizada, é realizar uma segunda reunião em Maio, subordinado ao tema da Internacionalização.