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Concreto continua em viagem

A estratégia de expansão da marca portuguesa deu uma volta de 180º, desde que entrou no grupo Valérius. Se antes a presença no mercado internacional era praticamente irrelevante, agora é motor que impulsiona o crescimento, estreando-se, desta vez, em novos países europeus.

Teresa Marques Pereira

«Desde que a Valérius comprou a Concreto [em 2015] que sempre foi o nosso enfoque fazer a internacionalização da marca», revela Teresa Marques Pereira, global brand manager da marca. «Era uma marca 100% nacional, não exportava absolutamente nada, e nós queríamos fazer exatamente o caminho oposto: exportar», explica ao Portugal Têxtil. E, de facto, o objetivo parece ter sido cumprido. Atualmente, a Concreto vende entre 80% e 90% da sua produção para o mercado internacional, principalmente Itália, seguida por Espanha, França e Grécia.

A esta lista acrescem as mais recentes estreias da marca nos mercados europeus da Áustria, Polónia, Alemanha e Bélgica. «Nós queríamos entrar muito lá até porque consideramos que, neste momento, o produto tem todas as valências para lá estar – até em termos das nossas matérias-primas que já são todas nobres», afirma a global brand manager. Tendo em conta que, «muitas vezes, o mercado nacional não consegue acompanhar» os preços elevados das marcas, Teresa Marques Pereira reforça que as exportações são necessárias «até por uma questão de dimensão da faturação».

Neste sentido, dentro do universo da Valérius, a Concreto regista um volume de negócios de 2 milhões de euros e «o objetivo é duplicar para o próximo ano, passar para os 4 milhões [de euros]», confirma. Para além dos novos mercados, a marca tem ainda a seu favor o crescimento significativo das suas vendas em grandes armazéns de Hong Kong e Japão, logo Teresa Marques Pereira acredita que esta ambição é perfeitamente «viável».

A estratégia de internacionalização da Concreto tem por base uma forte participação em feiras. «Fazemos seis feiras por estação e depois, obviamente, trabalhamos com parcerias e os nossos agentes comerciais dentro dos mercados», adianta. Além disso, a Concreto faz um esforço de adaptação a cada um dos mercados em que está inserida. «Temos um pensamento global do que queremos para a marca, e depois vamos atuando localmente consoante as necessidades», garante a global brand manager. Deste modo, a marca vende exclusivamente em lojas multimarca e grandes armazéns, contando atualmente com cerca de 600 clientes, a nível mundial.

Primavera-verão mais jovem

Para a coleção primavera-verão 2020, Francisco Rosas, diretor criativo do grupo Valérius, desvenda que «estamos a incentivar os clientes com uma aproximação mais moderna, mais jovem». Assim, a Concreto propõe uma coleção «60% de malhas tricotadas e 40% de tecidos. Daí no desfile [do Portugal Fashion, em outubro] vermos alguns estampados, porque sendo verão usa-se menos malhas», assegura.

Francisco Rosas

Francisco Rosas evidencia que a participação neste tipo de desfiles é mais pertinente na perspetiva dos clientes, que acabam por «ter uma visão um bocadinho mais interessante do que um catálogo. Um desfile tem uma presença de movimento e de grupo de cores».

Por outro lado, a Concreto está já a adiantar trabalho para a estação outono-inverno 2020/2021 e prepara uma colaboração com a designer portuguesa Susana Bettencourt. «É uma pessoa com um talento incrível em termos de malha retilínea e consideramos que esta parceria faz todo o sentido», assume Teresa Marques Pereira.