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Concreto reforça digitalização

A marca do grupo Valérius apostou nas vendas online durante o confinamento e lançou o seu próprio website. Uma estratégia definida há algum tempo que está a contribuir para o rejuvenescimento da Concreto.

Teresa Marques Pereira

O digital não era novo para a marca, que tinha já a plataforma otimizada para os contactos B2B. «Ao longo das estações fomos preparando os clientes de retalho», explica Teresa Marques Pereira, que sublinha que «era já uma estratégia pensada e o site estava 100% pronto, caso contrário era impossível o lançamento durante a pandemia».

O ponto fulcral, refere, é que «o mundo é global e não podemos viver somente do mercado do retalho. A partir do momento em que o preço de venda ao público está marcado, o retalhista até pode beneficiar do online». Prova disso, conta a CEO da Concreto, é que «há muita gente que vê online e vai a uma loja física, contactam-nos a perguntar qual é a loja física mais próxima. O online muitas vezes serve só de montra».

Com poucos meses de atividade, «os resultados não são ainda exponenciais», até porque a rede de lojas onde a marca está presente é grande, mas o online tem permitido «chegar a um público mais jovem – começámos a ser procurados por uma faixa etária já a partir dos 25 anos», adianta ao Jornal Têxtil.

Mudanças que afetaram mesmo as novas coleções. «O próprio retalho comprava muito de acordo com o seu consumidor de loja, o que acabava por balizar também o tipo de peças que desenvolvíamos», justifica Teresa Marques Pereira. «Hoje em dia temos muitas parcerias com influencers, mulheres profissionais um bocadinho mais jovens» e a marca acabou por ficar igualmente «mais jovem. A própria vida ficou mais jovem e mais leve. Esta pandemia fez-nos abrir os olhos a todos, um sinal de calma, porque a qualquer momento isto pode mudar. Mudou, as pessoas têm todas que se adaptar e nós também», afirma. Contudo, destaca, «o ADN da marca não mudou, apenas o estilo». Além do público mais jovem, «a nossa consumidora também rejuvenesceu. Uma mulher de 40 ou 45 anos tem um comportamento mais jovem hoje em dia», acrescenta.

Entre as alterações constam ainda «uma coleção mais pequena, trabalhámos por cápsulas», revela a CEO. «Temos uma coleção-mãe e depois vamos lançando mensalmente alguns apontamentos para que haja também sempre uma nova entrada de produtos nas lojas», esclarece.

A adaptação foi igualmente importante no contacto com os clientes B2B, até pela falta de feiras profissionais. «Tivemos que criar o nosso showroom virtual, que está elencado à plataforma B2B. Todos os nossos clientes internacionais aderiram. Claro que tivemos que antecipar as sessões fotográficas, os vídeos, tivemos que fazer um trabalho de background para potenciar as vendas na próxima estação», indica Teresa Marques Pereira. O digital tornou-se assim «complementar» à presença em certames internacionais. «Enquanto existirem feiras, nas quais nos seja permitido estar presentes, e houver quem visite, nós estaremos lá. O digital é um complemento, uma ferramenta, como se tivéssemos um comercial extra», assinala.

A Concreto faz 80% a 90% das vendas nos mercados internacionais e isso refletiu-se na atividade da marca. «O nosso principal mercado é Itália», salienta a CEO, que menciona o colapso também de Espanha e da Bélgica «e a seguir do mundo inteiro». Uma situação que foi «muito difícil de gerir», mas que tem vindo a recuperar, apesar das incertezas. «Acho que a retoma do sector vai demorar, porque a coleção de verão, que estamos agora a apresentar, quer queiramos, quer não, está minada em termos de vendas, porque o stock deste ano ficou no retalho, seja ele online ou físico», lembra. Além disso, «está a começar uma nova vaga de Covid e as pessoas ficam novamente com receio», reconhece Teresa Marques Pereira, que admite, no entanto, que «o processo das vendas está a decorrer até muito tranquilamente. Os clientes dão-nos os parabéns pelas alterações, foram positivas, portanto a nossa mudança foi uma boa aposta». Agora «é continuar o mesmo processo, step by step, e aguardar que o mercado global acalme», assume a CEO, que aponta para 2022 como o ano da recuperação plena. «É um número de que gosto muito, que tem muito significado para mim, um deles pela parte da simbologia que tem, e acho que vai ser também o ano da retoma», conclui.