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Confeção mexe com o tempo em Paris

Na Calvelex, mostrou-se uma coleção sincronizada com a dos tecidos, permitindo que os visitantes conhecessem in loco o resultado das somas que acontecem entre os halls da Première Vision Paris. As cronologias assumiriam igual grau de importância na Rorene, uma estreante que recebeu interessados a cada meia hora, ou na Goucam, que tem vindo a preparar o futuro.

«Está a ser uma edição positiva», afirma Marco Araújo, administrador da Calvelex, ao Portugal Têxtil. «Registámos já novos contactos de toda a Europa, mas também sentimos a presença do mercado americano», acrescenta.

As propostas apresentadas na Première Vision Manufacturing pela produtora de vestuário, que emprega mais de 700 pessoas, dão já forma às tendências de tecidos anunciadas para a primavera-verão 2018, onde se destacam estampados primaveris e cores quentes. «Foi pensada para os nossos clientes espalhados pelo mundo», explica o administrador da Calvelex. «Notamos que há cada vez mais compradores», revela Marco Araújo. «Esperamos também ter cada vez mais empresas portuguesas a participar, pois a parceria CENIT/ANIVEC deu outra dinâmica a esta feira», assegura o administrador da Calvelex, que soma já três participações na Première Vision Manufacturing.

A parceria em questão, o projeto 100% Internacional do CENIT, ajudou a Rorene a voar com os seus vestidos – que Irene Rocha, a matriarca da empresa familiar, garante captarem a atenção até dos mais distraídos – para Paris.

Ricardo Rocha partilha o código genético de Irene e Avelino, casal fundador da Rorene, mas foi uma verdadeira transfusão de sangue novo para o negócio de 34 anos, estando atualmente comprometido com a internacionalização da empresa.

«No primeiro dia, até às 17h00, recebi pessoas de meia em meia hora», contabiliza num caderno de capa preta transformado em ampulheta. Ricardo Rocha nota ainda a forte procura de jovens marcas, sublinhando que junto destes potenciais compradores, a resposta da Rorene se mantém: «não é pela quantidade, mas sim pelo preço» que o negócio se acerta.

Igual entra e sai tem conhecido o stand da especialista em gravatas António Manuel de Sousa, também apoiada pelo projeto 100% Internacional. A meio da tarde do segundo dia de feira, Ana Sousa estava já sem cartões e com clientes em lista de espera. «Tenho aqui um cliente que me pediu para o avisar quando estivesse livre, porque me tem visto sempre ocupada», declara satisfeita com o feedback positivo dos visitantes em relação à vasta oferta da empresa. «São precisas muitas gravatas para se encher um stand destes!», observa sobre uma coleção que conta mais de 1.000 referências e que nesta edição tem apelado a franceses, belgas e americanos.

Também pela primeira vez na Première Vision Paris, a Soeiro, uma estreante no certame sob a égide do projeto From Portugal da Associação Selectiva Moda, está já capaz de antecipar um balanço positivo da edição. A diretora comercial, Antonieta Barbosa, sublinha «que o primeiro dia foi particularmente bom», com visitas marcadas e contactos de potenciais clientes. «Acho que é uma feira para continuar a investir», admite.

Outra das viajantes a bordo da parceria CENIT/ANIVEC, a Triple Marfel teve «contactos interessantes e visitas de particularmente interessados». Assim assegura Anabela Queirós, responsável de exportação da empresa que, nesta edição da Première Vision Manufacturing, apresentou uma camisa em veludo para o outono-inverno 2017/2018, perfeitamente alinhada com as tendências de homem e de senhora. «As mulheres cobiçam e pedem estas camisas», revela.

Objeto de cobiça tem também sido o stand da Goucam. «Houve uma altura em que ter pessoas no stand parecia atrair ainda mais gente», analisa o CEO José Carlos Castanheira. Por isso, «o balanço é positivo, estamos satisfeitos», continua. Para esta afluência terá contribuído a renovação da imagem da empresa na Première Vision Manufacturing, inserida numa onda de mudança mais ampla. «Esta coleção para nós é quase uma novidade completa e os clientes habituais viram isso, que havia uma reviravolta muito grande. Uma reviravolta na imagem da coleção, porque sentimos a necessidade de nos darmos a conhecer de outra maneira», explica. A diversificação de mercados e, com a devida ponderação, uma aposta no crescimento da marca própria são outros dos vetores que colocam a Goucam já com um pé no futuro, ainda com o outro no último dia da Première Vision Manufacturing.