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Confia no “Made in China”? – Parte 1

A preocupação com os padrões de segurança dos produtos chineses alastrou recentemente ao sector de vestuário, quando níveis perigosos de contaminação foram encontrados em bibes e pijamas de criança. Existe uma forte possibilidade de que os consumidores ponderem um pouco mais perante a etiqueta "Made in China", o que traz novas oportunidades para os concorrentes da China. Padrões de segurança chinesesAs preocupações com a segurança dos produtos chineses têm aumentado em todo o mundo desde Março, altura em que 150 marcas de comida para animais fabricada na China foram recolhidas na América do Norte, devido a apresentarem doses letais de contaminação. Esta situação foi seguida por descobertas semelhantes que afectaram outros produtos como a pasta de dentes e os brinquedos. Em meados de Agosto, as preocupações começaram a alastrar para a indústria de vestuário. Em 17 de Agosto, a Toys"R"Us recolheu alguns bibes em vinil para criança fabricados na China, devido a preocupações com a segurança. Em 20 de Agosto, um jornal britânico noticiou níveis perigosos de chumbo em peças de joalharia de fantasia fabricadas na china e colocadas à venda na Monsoon Accessorize. No dia 21 de Agosto, um programa de televisão na Nova Zelândia referiu a existência de níveis perigosos de formaldeído e padrões de inflamabilidade impróprios em pijamas para criança fabricados na China (ver notícia no Portugal Têxtil), preocupação que foi renovada passados um ou dois dias na Austrália em lençóis provenientes da China. Uma perspectiva alternativaExiste sempre uma versão diferente para cada história, e o caso dos problemas nos produtos chineses não é a excepção à regra. Em relação aos bibes da Toys"R"Us, estes estavam de acordo com os níveis de segurança nos Estados Unidos. Segundo as análises realizadas pelo norte-americano Consumer Product Safety Commission, para que uma criança conseguisse absorver uma dose de chumbo próxima do perigoso teria de tocar ou colocar na boca o bibe 2.500 vezes por dia. As jóias contaminadas com chumbo no Reino Unido não estavam lá apenas devido às irregularidades chinesas. Os rigorosos padrões britânicos em relação ao conteúdo de chumbo em brinquedos não se aplicam ao conteúdo de chumbo em jóias artificiais, as quais podem eventualmente ser usadas por crianças. O problema neozelandês com o formaldeído foi, pelo menos parcialmente, resultado da Nova Zelândia ter padrões mais relaxados no formaldeído do que, por exemplo, a UE. Mas esta situação tem sido refutada desde essa altura pela New Zealand Retailers Association que refere que o programa de televisão realizou os ensaios errados. Por outro lado, os 20 milhões de brinquedos da Mattel que foram recolhidos, apesar de não existirem crianças afectadas, o facto é que a Mattel estava a adquirir brinquedos na China com mais chumbo do que especificado. Deste caso emergiu uma terrível série de relatos de falsos certificados de segurança, oficiais corruptos e conduta errada por toda a China. Na segunda parte deste artigo vamos abordar a forma como o governo chinês está a lidar com a situação e quais os resultados dessa abordagem.