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Confiança está a Subir – Parte II

3) ITV Nacional Ao longo do ano foram várias as notícias que avaliavam a evolução da ITV destacando as dificuldades que o sector enfrentava. A liberalização do comércio e o forte aumento dos fluxos da China para a U.E. são temas incontornáveis numa análise do desempenho da Indústria Têxtil e do Vestuário em 2005. De facto, o aumento da concorrência nos mercados de destino das exportações lusas reflectiu-se no desempenho de indicadores como o volume de negócios, o emprego e a produção. Índice de Confiança A informação disponível relativa ao índice de confiança empresarial aponta para um aumento do optimismo no decorrer de 2005. O índice de confiança dos industriais têxteis e do vestuário reflectiu a evolução do processo de liberalização do comércio e a reposição das quotas. Neste contexto, de acordo com os dados do Observatório Têxtil do CENESTAP, o índice atingiu o mínimo aquando da assinatura do acordo entre a U.E. e a China (Junho- mínimo absoluto da série iniciada em Abril de 2005) tendo evidenciado também um aumento da incerteza que coincidiu com o embargo dos produtos chineses nos portos comunitários (Agosto), assim como na assinatura do acordo entre Washington e Pequim (Novembro). Para este resultado contribuiu sobretudo a opinião dos empresários do vestuário mais susceptível às alterações das regras do comércio nos mercados internacionais. Com efeito, o índice de confiança do vestuário atingiu o valor mínimo em Junho. O índice de confiança têxtil, por outro lado, manteve uma tendência ascendente ao longo do ano, mais acentuada no segundo semestre, impulsionada pela carteira de encomendas interna e externa.Volume de Negócios Apesar do aumento do optimismo empresarial ao longo do ano, o volume de negócios da ITV caiu significativamente em 2005. Sendo uma indústria em que a exportação absorve mais de metade das vendas, o aumento da concorrência nos mercados de destino dos artigos nacionais reflectiu-se no volume de negócios agravando a tendência descendente dos últimos quatro anos. Neste contexto, de acordo com as estimativas do Observatório Têxtil do CENESTAP o volume de negócios da ITV atingiu os 6.537 milhões de euros, correspondendo a uma queda de 11,2% face a 2004. Como seria de esperar, o abrandamento foi mais pronunciado no vestuário que no sector têxtil com taxas de redução de 12,5% e 10,1%, respectivamente. Pelo segundo ano a Indústria Transformadora evoluiu em contraciclo com a ITV com uma taxa de crescimento das vendas de 2,5%. As variações descritas implicaram uma perca de peso relativo da ITV que passou de 10,5% em 2004 para 9,1% em 2005. Produção As dificuldades enfrentadas pela ITV nacional no primeiro ano da liberalização também se reflectiram no índice de produção industrial. Após três anos de sucessivas contracções, 2005 não foi excepção. A quantidade produzida caiu 8,3% face a uma queda de 7,5% em 2004 e de 6,0% em 2003. A análise intra-anual revela que enquanto o primeiro semestre foi menos favorável para o vestuário, no segundo foi o sector têxtil que se destacou pelo pior desempenho. No cômputo do ano a produção têxtil caiu 7,9% que compara com a redução de 8,7% patenteada pelo vestuário. Emprego No emprego, a evolução da fileira têxtil e do vestuário acompanhou a Indústria Transformadora. Os dados do Observatório Têxtil apontam uma queda do índice de 7,0% (6,2% no sector têxtil e 7,5% no vestuário) atingindo os 196.717 efectivos. Por detrás desta redução do emprego da ITV estão factores ligados à inovação tecnológica, perda de competitividade das empresas que apostam em mão-de-obra de baixo custo, o aumento de trabalhadores afectos a outras áreas que não directamente à produção assim como a racionalização da estrutura de custos da empresas do sector. Neste contexto, é previsível que a redução de efectivos afectos à ITV se prolongue nos próximos anos à semelhança do que já se verificou nos principais produtores comunitários. Apesar da redução do emprego da ITV, a indústria absorve ainda mais de um quarto (25,7%) do emprego total gerado pela Industria Transformadora. Preços Contrariamente a 2004, o ano de 2005 ficou marcado por uma ligeira queda dos preços à saída da fábrica dos artigos da ITV (-1,0%). Desagregando a análise no sector têxtil e do vestuário constata-se uma variação em sentido oposto, uma vez que, o primeiro registou uma queda homóloga de 1,7% e o segundo com um aumento de 0,7%. Evolução diferente tiveram os preços médios da produção industrial da Indústria Transformadora (3,5%) ampliando a distância face à taxa de variação da ITV para 4,5 pontos percentuais. No que respeita aos preços no consumidor, destaca-se a manutenção da orientação descendente dos preços do vestuário iniciada em 2004. De facto, os dados anuais apontam para uma queda dos preços de 1,1% face à redução de 1,5% do ano anterior (Note-se que o IPC geral registou uma taxa de variação média de 2,3%). Evidencia-se também o abrandamento dos preços dos têxteis de uso doméstico que verificaram um modesto crescimento (0,8%) após dois anos com taxas superiores aos 3%. Associada a esta tendência descendente dos preços da ITV está a liberalização dos mercados no início do ano, visto que a eliminação das restrições quantitativas às importações têm como consequência directa a diminuição dos preços médios de importação. Fonte: Observatório Têxtil do CENESTAP Perguntámos às empresas os comentários que 2005 merece e quais as perspectivas para 2006 Tebe O ano de 2005 correu muito bem. Apresentámos um volume de negócios de 25 milhões de euros, mais um milhão do que em 2004. Estamos optimistas em relação a 2006, quando pretendemos essencialmente atingir dois objectivos: consolidar o investimento no negócio das malhas e conseguir estruturar uma rede de compras mais alargada. Já estamos na Índia, a vamos realizar este tipo de operações agora a partir de Marrocos, que tem um acordo comercial preferencial com os Estados Unidos. No mesmo contexto, queremos explorar a breve prazo, a possibilidade de começar a comprar na Turquia dado que tem um acordo comercial com Marrocos, que por sua vez tem o tal acordo com os EUA, e estabelece-se assim uma rede. António Pereira – CEO Arco Têxteis Em 2005 tivemos um recuo de 5% no volume de negócios, o que obviamente que não foi bom, mesmo com os condicionalismos do ano particular a que o sector assistiu. O final de 2005 e este início de 2006 permite antecipar um ano melhor. Digamos que estamos menos pessimistas do que no ano passado. Alfredo Resende- Administrador Beiralã Este ano está a corre muito melhor do que o ano passado, o ambiente de negócios é muito melhor pois muitos dos clientes que se mostravam indecisos ou até decididos a não comprar para já e estão a mostrar-se disponível novamente, já querem ver as colecções. Os negócios estão a avançar. Há que considerar aqui dois efeitos: quem já conseguiu assimilar o embate dos produtos chineses no ano de liberalização, e agora já está a redinamizar a sua actividade, e aqueles que já estão a ser beneficiados da divisão do mercado provocada por esta liberalização, que o bi-polarizou em artigos que competem apenas pelo preço e os que competem pela qualidade, como é o caso de muitas das empresas nacionais. Jean Marc Delimbeuf – director comercial Impetus Este ano já se nota mais optimismo, até porque vemos que a Alemanha está a recuperar, e é uma economia que funciona de certa forma como força motriz da Europa. Nota-se que muitos clientes estão a voltar a comprar em Portugal, depois de treme tido uma experiência na China que muito provavelmente não lhes agradou. Nós estamos a vender para algumas cadeias de lojas dinamarquesas, e são neste momento um bom exemplo de empresas que estavam a comprar muito na China e agora estão a voltar a comprar artigos europeus, apostando mais na qualidade e rapidez de entrega que nos caracteriza. Para 2006 as perspectivas são optimistas: entre outros projectos, estamos a vendar agora para um cliente na Coreia do Sul, em Seul ? o Hyundae ?, com onze pontos de venda, no que pode considerar-se o equivalente ao El Corte Inglés em Espanha. Prevemos ter um shop-in-shop em cada um dos pontos até ao final do ano, e trabalharmos também com outro department store muito conhecido lá – o Galeria ? até Abril Manuel Torres – director de Marketing Idepa O ano de 2005 correu bem e o ano de 2006 é uma incógnita: depois da liberalização de 2005 está toda a gente expectante para ver o que sucede neste ano, pois ninguém consegue fazer previsões Eduardo Moura e Sá – CEO Li & Fung A Li & Fung Portugal conseguiu superar os objectivos traçados para 2005, para os quais muito contribuíram a forte aposta no segmento High Fashion e resposta rápida. Para 2006 antevemos a consolidação destas importantes áreas, assim como o aumento da oferta de Design próprio aos nossos clientes. Luísa Alves – CEO Sampedro O ano de 2005 para a Sampedro foi um pouco melhor do que prevíamos, mas muito difícil. Confirmaram-se as dificuldades com a total abertura, em Janeiro, à entrada de produtos da China, Paquistão, Índia, etc. Para 2006, estamos um pouco mais optimistas, procurando confirmar se os clientes que experimentaram colocar encomendas nos países acima foram bem sucedidos, visto que nos pareceu que alguns voltam a ter interesse em fazer negócios. Em resumo: grandes preocupações e um optimismo moderado. José Machado – administrador