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Conjuntura espanhola em “ponto morto”

A ligeira melhoria vivida pelo sector de têxtil e vestuário em finais de 2002 não teve continuidade na primeira metade do corrente ano. As causas desta evolução são várias e complexas, destacando-se a elevada incerteza sobre a evolução da economia europeia, principal mercado da indústria espanhola, que não encara de maneira real a recuperação que se prevê para 2004. Assim, as vendas na Europa, nos primeiros meses do ano, têm sido baixas especialmente nos mercados mais importantes como a França, Alemanha e Portugal. No caso dos mercados de países terceiros (extra-comunitários), que haviam tido um comportamento muito favorável em 2002, foram influenciados pela elevada cotização do euro relativamente ao dólar e outras divisas ligadas ao mesmo, especialmente as asiáticas. Devido a esta situação, a procura destes países também retrocedeu, mantendo, no entanto, níveis favoráveis de crescimento. Detecta-se uma baixa geral dos preços unitários de exportação, o que, para além dos câmbios nas cotizações das divisas, sugere que as empresas, perante a debilidade da procura, sacrificaram as suas margens de exploração, com vista a manter a sua quota de mercado. Em relação ao mercado interno, há que assinalar que a evolução da procura no primeiro semestre foi ligeiramente positiva, com uma boa temporada de rebaixas, apesar da melhoria não ter beneficiado a indústria devido a maiores importações de produto final (artigos de vestuário e roupa de têxteis-lar), que mantém uma taxa de crescimento interanual acima dos 10 por cento. Há também que considerar a atitude de prudência nas compras por parte da distribuição num momento de falta de expectativas do mercado. O desfasamento entre os preços praticados e o aumento dos custos foi continuando a crescer, devido ao excesso de oferta existente que pressiona os preços de mercado a baixar. No que diz respeito ao mercado interno, a maioria das previsões apontam para a manutenção do consumo na segunda metade do ano, já que os fundamentos económicos são favoráveis a isso mesmo, ou seja, dinamismo do emprego, baixa da inflação, redução de impostos e todo o tipo de interesses, aumento da riqueza das famílias, etc… No entanto, o efeito sobre as empresas do sector continuará a ser limitado pelas maiores importações, favorecidas pela cotização do euro. Actualmente as carteiras de encomendas encontram-se abaixo dos níveis do ano anterior, pelo que não é provável uma alteração rápida da situação, se bem que as existências ao largo da cadeia têxtil são geralmente baixas, pelo que, se se produzir a referida alteração da tendência, o efeito sobre a actividade seria significativo e rápido. Relativamente aos mercados externos, a recuperação do consumo das famílias e a procura industrial na Europa, caracteriza-se cada vez mais como um processo lento e de avanços limitados. A procura de países terceiros pode ser afectada pela cotização do euro. Por isso, as exportações crescerão de maneira modesta em 2003, (mais cinco por cento), tendo em conta, para além dos efeitos da crescente liberalização, os intercâmbios mundiais nos principais mercados. Em relação à actividade, mantém-se a perspectiva de uma certa melhoria durante a segunda metade de 2003, ainda que actualmente o nível de produção se encontre abaixo do ano anterior.