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Conjuntura exige mudanças nos inventários

A situação atual provocada pela emergência sanitária, que levou ao encerramento dos países, comprovou a necessidades das empresas fazerem alterações na gestão de inventário. A integração em todos os canais e a utilização de ferramentas automáticas e de otimização são essenciais, segundo a myPartner e a K3.

No webinar Optimizing Inventory Management in the Fashion Industry, dedicado à otimização do inventário, que teve lugar ontem, 4 de junho, a myPartner, especialista em softwares de gestão, conhecidos por ERP, e a sua parceira K3, juntaram-se para revelar as mais recentes tendências no negócio da moda que estão a ter influência na forma como a gestão dos stocks é feita.

«As mudanças que estão a acontecer no negócio da moda estão a impulsionar a necessidade de alterar a gestão do inventário», apontou Emily Steegstra, especialista na indústria da moda na K3.

Entre estas mudanças encontram-se o aumento dos preços de produção, a gestão de diferentes canais de venda – físicos e online, com destaque para os marketplaces – e as maiores exigências por parte dos consumidores, incluindo ao nível da satisfação dos seus desejos. «Os consumidores estão a tornar-se mais exigentes e contam com a entrega imediata do produto que desejam comprar. Se o consumidor não puder ter o produto de imediato, vai encontrá-lo noutro sítio», sublinhou.

O mesmo acontece em relação à responsabilidade ambiental e social, com muitas marcas e retalhistas, como a H&M, a serem condenadas na praça pública por destruírem produtos não vendidos. «A H&M introduziu mudanças drásticas na sua gestão de inventário para evitar que esta questão voltasse a acontecer», afirmou.

A supremacia do omnicanal

Embora estas fossem mudanças já subjacentes ao negócio, «deverão acontecer mais rápido do que o esperado devido à atual crise do coronavírus», destacou Emily Steegstra.

Amazon

Entre os desafios que a indústria da moda tem para superar na gestão do inventário está a necessidade de ser um negócio omnicanal, com pontos de venda físicos, próprios e de terceiros, a existência de um site online e a crescente adesão a marketplaces, como a Amazon, para alargar o público da marca. «É o novo normal para o retalho», revelou a especialista da K3, adiantando que os consumidores «querem ter uma experiência fluída», quer usem um canal ou outro.

Neste ambiente, é essencial, explicou Emily Steegstra, que a marca ou retalhista tenha visibilidade para todo o inventário e consiga também aceder a informação de preferências sobre cada cliente, quer este esteja numa loja física ou a fazer compras online. «A personalização ajuda a prever o que o cliente quer e a oferecer um melhor serviço», aumentando, no final, o volume de negócios.

A importância da integração

Para responder a estas alterações, a solução passa por soluções de software integradoras de todos estes elementos, para «unificar as operações em todos os canais», garantiu a especialista da K3, realçando que não basta integrar os sistemas já existentes, que não permitem obter resultados tão positivos nos negócios. «A primeira coisa a fazer é um ERP centralizado», destacou Emily Steegstra, acrescentando que esta solução permite que todos acedam à mesma plataforma, com os mesmos dados, em vez da tarefa morosa e passível de erro de comparar dados em diferentes localizações.

Esta solução possibilita também melhorar a colaboração com os fornecedores, uma área que a crise atual veio mostrar ser problemática, depois dos retalhistas se terem recusado inicialmente a pagar artigos em produção ou já produzidos. «É preciso uma colaboração mais forte das marcas com os fornecedores para lidarem com os problemas atuais e no futuro a curto e médio prazo.

Emily Steegstra

As marcas devem monitorizar os seus dados de vendas e trocar informação com os seus vendedores e fornecedores e depois rever os seus planos de produção para o outono e época de Natal de 2020 e para a primavera de 2021, de acordo com a análise da McKinsey», citou. «É preciso uma solução que ajude a construir uma cadeia de aprovisionamento colaborativa mais eficiente em termos de custos, com visibilidade do inventário do início ao fim e uma comunicação fácil com os fornecedores», afiançou.

Tecnologias aplicáveis

A visibilidade do inventário deverá permitir reduzir os níveis de stocks para o mínimo, aumentando, consequentemente, as margens.

Tecnologias como o design 3D, que permite reduzir o número de amostras físicas, RFID (identificação por radiofrequência) e NFC (comunicação por campo de proximidade, mais conhecida pela expressão inglesa Near Field Communication), que possibilitam uma base de dados única, praticamente indestrutível, dos produtos, contribuem para uma gestão mais eficaz dos inventários, que pode ir mais longe com inteligência artificial, capaz de calcular quando e onde os produtos vão ser necessários. Já a tecnologia de blockchain, acredita Emily Steegstra, vai ser cada vez mais utilizada para «aumentar a transparência e fiabilidade dos dados».

Tempe (Grupo Inditex)

«Um estudo recente mostra que investir na cadeia de aprovisionamento para assegurar que tem um elevado nível de performance ajuda a atingir um crescimento do volume de negócios acima da média para qualquer tipo de negócio», resumiu a especialista da K3, que deu alguns exemplos de negócios que introduziram com sucesso alterações focadas na cadeia de aprovisionamento, nomeadamente a Inditex, que em 2019 deu conta de um aumento dos lucros de 12% graças à aposta no omnicanal e otimização do inventário, e a Bestseller, que detém as marcas erro Moda, Jack & Jones e Only, que melhorou os processos operacionais e a gestão do inventário com a implementação de RFID.