Início Arquivo

Consolidação é o caminho

A vasta disponibilidade de calçado em lojas de vestuÁrio, departement stores e supermercados, juntamente com o comércio on-line, acresceram a concorrência nas cadeias de calçado tradicionais. E com o muito publicitado abrandamento do consumo no Reino Unido a influenciar igualmente os números do sector, os retalhistas especializados sentem-se fora de jogo. De acordo com um relatório recente da Verdict Research, analisado pelo site just-style, a inflação dos custos agravou ainda mais os problemas que os especialistas britânicos de calçado têm de enfrentar. Segundo a Verdict, apesar do aumento dos custos, os retalhistas de calçado não são capazes de aumentar os preços devido à feroz concorrência no mercado, sobretudo por parte dos retalhistas de vestuÁrio. De acordo com o grupo de pesquisa, oito dos dez principais especialistas no retalho de calçado viram as margens de lucro diminuir ou tiveram perdas em 2006 e, em 2007, a tendência manteve-se. A analista de retalho da Verdict e co-autora do relatório, Carol Ratcliffe, revelou ao just-style que em termos de vendas hÁ uma forte concorrência, com os retalhistas de vestuÁrio e as lojas generalistas a conquistarem uma grande quota do mercado. Os especialistas precisam de oferecer mais alguma coisa para fazerem com que as pessoas entrem nas suas lojas, mas tal tem-se tornado mais difícil». A analista considera que algumas das ameaças vêm de lojas como a New Look, que conjugam estilo e facilidade de compra, e dos operadores dirigidos aos segmentos médio e baixo. Segundo Ratcliffe, para galvanizar o sector, as cadeias de calçado têm que investir nas suas marcas, lojas e serviços. Uma das formas que sugere passa por investimentos para renovar as lojas, uma Área onde as cadeias têm sido ultrapassadas. é preciso investir no ambiente da loja porque a concorrência é muito mais acérrima agora», diz Ratcliffe, que prossegue afirmando que os especialistas precisam de promover a marca e ter a certeza de que estÁ claro a quem é que a loja se dirige, sendo importante estar muito direccionada tanto em termos de idade como de estilo». Embora os retalhistas de vestuÁrio e outros não especialistas estejam também a enfrentar custos maiores, o facto de serem, normalmente, organizações também maiores permite-lhes estar em melhor posição para aguentar as pressões, de acordo com a Veredict. A inflação dos custos deve-se, entre outros factores, às taxas anti-dumping introduzidas em 2006 na UE, rendas mais altas, custos de combustíveis e preços da energia. Contudo, a Veredict não sente que exista alguma quebra na procura por parte dos consumidores britânicos. Como resultado, mesmo o maior especialista em calçado no Reino Unido continua a sofrer apesar do crescente apetite dos consumidores por calçado novo», sublinha o relatório, intitulado Retalhistas de Calçado do Reino Unido 2008. Quando a especialista Dolcis foi para administração judicial a 21 de Janeiro, a empresa culpou as difíceis condições de comércio no Reino Unido. A cadeia foi forçada a fechar cerca de metade das suas 185 lojas e concessões, com cerca de 600 dos 1.200 empregados a perderem o seu posto de trabalho. Contudo, a especialista em insolvências KPMG afirmou que não havia falta de interesse no negócio e que os administradores conjuntos, Brian Green, Allan Graham e Howard Smith, foram contactados por “cerca de 40” interessados. Acabou por ser a Stylo Plc, cujas marcas incluem a Barratts, PriceLess e Shellys, a comprar a empresa a 14 de Fevereiro. Michael Ziff, presidente executivo da Stylo, considera que continuamos num ambiente muito competitivo e esta aquisição é uma grande oportunidade para fortalecer a nossa posição no sector do retalho de calçado». Por isso, parece que apesar da combinação de aumento dos preços e a pressão de uma possível diminuição do consumo estar a deixar ficar para trÁs alguns especialistas, outros estão a aproveitar a oportunidade de se tornar grandes players no sector do calçado. O Shoe Zone é mais um grupo que procura crescer, tendo anunciado a 28 de Janeiro a compra da Stead & Simpson por uma soma não revelada. O director executivo do Shoe Zone, Anthony Smith, tenta agora pôr a Stead&Simpson na rota dos lucros nos próximos meses. Por sua vez, a Stead&Simpson espera aumentar os pontos fortes e reduzir os custos ao tornar-se parte de um grupo consolidado. Para aqueles que optam por lutar em vez de fugir, a concorrência das cadeias de moda pode ser saudÁvel. HÁ futuro para os especialistas de calçado, mas terão que elevar o seu jogo a um outro nível para sobreviverem», conclui Ratcliffe. Os investidores esperam que grupos consolidados como The Shoe Zone e Stylo ajudem os retalhistas do calçado a fazer a dispendiosa transição para um nicho de mercado mais forte.