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Consórcio ecológico à volta da malha

Produzir uma linha de vestuário de malha ecológico em ambiente biológico é o objectivo que se fixaram a Orfama, a Crispim Abreu, o Citeve, a Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica e a Bayer. Esta é a missão do GoBlue, o projecto que reúne todas estas entidades e que foi iniciado no passado mês de Outubro. Este projecto, avaliado em 600 mil euros, será financiado em 70% pela Agência de Inovação e terminará em Outubro de 2006.

«Perante um mercado asiático de constante ameaça, temos presente na nossa estratégia para o futuro a imagem de que necessitamos de continuar a ter o melhor desempenho possível ao nível da resposta, qualidade, produtividade e inovação. Se queremos garantir a viabilidade do negócio, temos que ser obrigatoriamente a “locomotiva da inovação”», sustenta Paulo Rodrigues, director-geral da Orfama. «Possuímos know-how e capacidade organizativa, criativa e de gestão, assim como os meios tecnológicos mais avançados. Só nos falta efectivamente pôr em pratica as novas ideias que pensamos serem possíveis, fundamentalmente em articulação com outras empresas, universidades e centros tecnológicos». A empresa, especialista em malhas fully fashion está representada na comissão de gestão do GoBlue como directora de projecto, além de assumir a responsabilidade de coordenação interna das tarefas a desenvolver na empresa e assegurar a interface com o restante consórcio.

Para atingir o objectivo fixado, o GoBlue recorre às BATs (Best Available Technologies) que permitam o aumento da produtividade, o incremento da diferenciação/inovação, a melhoria da qualidade e a redução do prazo de entrega, contribuindo para o aumento da competitividade da ITV num ambiente cada vez mais limpo e seguro. Com os métodos desenvolvidos no âmbito deste projecto, as referidas entidades pretendem contribuir para a definição de uma estratégia global que vise o reaproveitamento total e a descarga zero na ITV.

«Desde as matérias-primas e os processos até ao produto final e a sua própria embalagem, a ecologia é o fio condutor do GoBlue», sublinha José Morgado, responsável do projecto pelo Citeve, a entidade responsável pela coordenação técnica dos trabalhos. No entanto, a ecologia é hoje um termo utilizado para dizer tudo, e que muitas vezes não quer dizer nada. Para evitar cair neste erro, o Citeve propõe-se analisar o ciclo de vida (LCA) do produto, comparando os processos utilizados com os processos convencionais, etapa por etapa, e quantificando os parâmetros que permitem definir o “mais ou menos ecológico”. Este software tem já sido utilizado em outros sectores com excelentes resultados práticos.

Se a ecologia é a palavra-chave do GoBlue, a biotecnologia é inegavelmente a sua ferramenta-chave. Com efeito, esta tecnologia de ponta vai permitir a formulação, purificação e optimização de enzimas aplicáveis em diferentes fases do processamento, tais como a preparação ao tingimento, tingimento e acabamentos. «Foi a nossa procura contínua de uma tecnologia de ponta, como a biotecnologia, que permitiu abraçar o novo projecto, numa indústria tradicional como a têxtil, e pensar de que forma seria possível trazer “mais-valias” ao negócio e simultaneamente contribuir para dar os passos mais adequados rumo à eco-eficiência têxtil», explica Paulo Rodrigues.

A experiência e o conhecimento absorvidos pelas empresas que participam no GoBlue – Orfama e Crispim Abreu – vão claramente contribuir para melhorar a sua performance em cinco aspectos fundamentais: na capacidade para implementar um plano de endogeneização dos novos processos de enobrecimento, na clara definição dos parâmetros a serem analisados de para optimização dos processos, na diversificação ao nível dos produtos da empresa, na diminuição do consumo de energia, de água e de carga poluente dos efluentes e no aumento da rapidez de resposta ao cliente final.

A participação destas empresas tem um carácter demonstrador da aplicabilidade dos resultados do GoBlue à escala industrial, sendo intenção das mesmas colaborar num plano de marketing, assim como em acções de disseminação, divulgação e comunicação dos resultados do projecto. «Para o efeito, planeamos utilizar, numa primeira fase, uma linha com marca própria (Marie Claire e Montagute) e validar o interesse do produto junto dos consumidores finais, e numa segunda fase, promover o novo produto junto de marcas que de alguma forma pretendam encontrar alternativas aos seus produtos comercializados pelo mundo», conclui Paulo Rodrigues.