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Consumidor quer melhor vestuário

O papel dos scanners corporais 3D foi um dos tópicos em discussão num workshop interactivo sobre tecnologia de dimensionamento e moda no Reino Unido em Junho último, organizado pela Association of Suppliers to the British Clothing Industry (ASBCI). Representantes da Asos, Boden, Burberry, Burtons, Bhs Menswear, Dorothy Perkins, George, Joules, Marks & Spencer, Monsoon, Mothercare, Next, Topman, Topshop e Peacocks estiveram entre os cerca de 200 delegados que participaram no seminário realizado em Leicester. Os oradores do evento expressaram que com a «década da quantidade» ultrapassada, as marcas estão a ser forçadas a entrar numa «década da qualidade», com o objectivo de aumentar as vendas. Tecnologias de ponta, tal como os scanners corporais 3D, que geram dados de forma detalhada por idade, género, etnia e área geográfica, já estão a desempenhar um papel importante. O programa do seminário da ASBCI abriu com o especialista no ajuste do vestuário Ed Gribbin, presidente da Alvanon, que abordou o «factor de frustração do ajuste» do cliente. Gribbin argumentou que «a década da fast fashion descartável está acabada». Face a uma população do Reino Unido, e da Europa em geral, onde dois terços das mulheres são obesas, Gribbin também aconselhou os fornecedores de moda a abandonar o velho ideal de «porte de ampulheta ou atlético» nos padrões de ajustamento. Ele defende que chegou o momento de adoptar práticas de ajustamento científicas e processos baseados em dados reais de consumidores, gerados por digitalizações corporais 3D e desenvolver roupas com base em avatares 3D virtuais e formas personalizadas de ajustamento. Karen Schiller, consultora sénior de moda na Lectra referiu que «a morfologia global é muito variada, por isso os fornecedores de moda devem optar por pesquisas de tamanho para identificar a demografia dos seus consumidores alvo e, em seguida, gerar gráficos de medidas do corpo para os seus consumidores, que podem ser traduzidos em mapas de design e normas». Por seu lado, Jochen Balzulat, director de digitalização corporal em 3D na Assyst Bullmer e sócio da Human Solutions GmbH, revelou estar empenhado em oferecer a tecnologia que «aadapta produtos à forma humana real, fornecendo informações detalhadas sobre os tamanhos e formas dos clientes». O scanner corporal 3D a laser da Human Solution recolhe medidas detalhadas de tamanho, forma e postura a partir das quais produz tabelas de tamanhos. Esta informação vital de marketing pode ser usada para determinar o potencial de quota de mercado para as empresas que pensam na exportação do produto para novos mercados. Também é utilizada para produzir modelos 3D em que os padrões 2D podem ser aplicados, modificados e validados. Andrew Crawford, director-executivo da Sizemic, especialista na pesquisa da forma do consumidor, tem trabalhado extensivamente em diversos projectos no Reino Unido de recolha de forma, incluindo o Size UK. Crawford aconselhou os delegados a: «afastarem-se da fixação com medidas lineares, pois têm pouco a ver com a forma do corpo». O director-executivo da Sizemic sublinhou que a indústria deve reconhecer que a figura de ampulheta clássica dos anos 40 e 50 está agora mais recta e menos curvilínea. Colocando em prática a teoria do ajustamento 3D encontra-se Jackie Lewis, chefe de tecnologia de vestuário para senhora do maior alfaiate de comércio electrónico do Reino Unido, o Shop Direct Group (SDG). Lewis deu aos delegados uma perspectiva de como a SDG desenvolveu e lançou a sua nova marca de moda isme.com, para consumidores com mais de 50 anos de idade. Reconhecendo que a forma do corpo muda à medida que as pessoas envelhecem, a SDG orientou as suas equipas de técnicos e designers da isme.com para criarem «a moda sem barreira de idade» e concentrarem-se em mulheres entre 50 e 65 anos, em que o tamanho do vestido médio é 14. A utilização de dados da forma do corpo retirados de mulheres reais na população alvo ajudou os designers da isme a produzir roupas ajustadas. Os compradores foram então convidados a usar e experimentar as roupas e os seus comentários serviram de base para novos desenvolvimentos. Parece, portanto, que o ajuste está a desempenhar um papel central no fornecimento de valor acrescentado para os compradores, numa época em que a qualidade não é negociável.