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Consumidores à toa com sustentabilidade

A sustentabilidade está na ordem do dia e domina não só as práticas e valores das indústrias, como também começa a aplicar-se aos hábitos de consumo de compradores individuais. No entanto, muitos não sabem determinar se o produto que compram é, de facto, sustentável.

H&M

A nova coleção outono-inverno 2019/2020 da H&M traz uma novidade: aposta na sustentabilidade. Recorrendo a têxteis  e metais reciclados e à reutilização de fibras de algodão, a nova linha da marca de fast fashion quer afastar-se cada vez mais de uma indústria cheia de produtos feitos a partir crude, como a poliamida. A H&M é uma das marcas que integram o Project Effective, lançado no ano passado pelas empresas Aquafil (fornecedora de produtores de tapetes) e Genomatica, com o objetivo de promover o uso de materiais sustentáveis na indústria têxtil.

A Genomatica, empresa de bioengenharia dedicada ao licenciamento de processos para criar alternativas naturais para produtos sintéticos, lançou um novo estudo que indica que 95% dos americanos procuram soluções sustentáveis, apesar da grande maioria não conseguir distinguir os produtos que se enquadram nesta categoria – 74% dos inquiridos que leem os rótulos não compreendem o que lhes é apresentado. Christophe Schilling, CEO da Genomatica, revelou que recentemente reuniu várias marcas conhecidas de produtos de consumo no sentido de compreender as suas preocupações ao nível da sustentabilidade e ajudá-las a orientar-se nesse sentido – agora «é altura de testar a nossa teoria diretamente nos consumidores».

Falta de conhecimento gera contrassenso  

A empresa averiguou que quase metade dos americanos ignoravam que o petróleo estava presente em muitos produtos de uso quotidiano – 44% não sabia que as garrafas de plástico são fabricadas com esta matéria-prima, assim como 42% desconhecia que a mesma era aplicada em cremes de rosto e 55% em protetores solares para bebés. Parece ser do conhecimento geral que o petróleo é um dos ingredientes-chave da gasolina. Porém, 11% da chamada geração do Milénio (pessoas nascidas entre 1980 e 1999) não tinha consciência de que também o gás recorre à mesma matéria-prima.

Por outro lado, de acordo com os dados do estudo, os millennials são o grupo que parece estar mais atento à sustentabilidade – 78% procuram fazer escolhas orientadas neste sentido, comparativamente com os 69% da geração Z (pessoas nascidas em meados dos anos 90 até 2010). Os boomers (entre 1946 e 1964) seguem-se aos millennials, com 76% dos inquiridos dedicados a tomar decisões mais sustentáveis. Neste sentido, a geração millennial tem os consumidores mais bem informados, já que 34% conhece os ingredientes que compõem o rótulo das embalagens, comparativamente com os 23% registados pelos boomers e geração X (entre os anos 60 e 80) e os 20% da geração Z.

Schilling admitiu ter ficado surpreendido por ser a geração Z aquela que apresenta comportamentos menos sustentáveis, o que pode justificar-se pelo facto de os jovens enfrentarem «diferentes pressões, inerentes à fase das suas vidas», que assumem uma maior prioridade. Contudo, em contrassenso, «a geração Z tem maior probabilidade de boicotar uma marca por não ser sustentável», sublinhou o CEO.

Christophe Schilling

No fundo, as diferenças nos hábitos de consumo entre as várias gerações estão intrinsecamente ligadas ao maior ou menor nível e vontade de adaptação às novas necessidades sustentáveis. Apesar de a grande maioria da amostra procurar seguir opções neste sentido e 46% já ter chegado a recusar uma marca pelas suas práticas prejudiciais ao ambiente, apenas um quarto admite estar disposto a pagar mais pela sua marca favorita se os seus produtos forem sustentáveis.

Schilling indicou que a empresa «planeia usar esta informação para continuar a educar empresas de produtos químicos e marcas de que os consumidores estão empolgados com os produtos sustentáveis. A procura é real e já existe».