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Consumidores atentos às etiquetas

A grande maioria dos europeus não compraria, ou dificilmente compraria, vestuário sem etiqueta e são muitos os que seguem as instruções de conservações de têxteis espelhadas nas etiquetas, revela um novo estudo realizado pela Ginetex em parceria com a Ipsos.

O estudo foi efetuado em dezembro de 2016 junto de 6.000 inquiridos na Alemanha, Inglaterra, França, Itália, República Checa e Suécia e analisou o comportamento destes consumidores em relação às etiquetas de produtos têxteis e símbolos de conservação.

As conclusões, reveladas em comunicado pela Anivec – Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confecção (a entidade responsável por conceder e controlar a utilização dos símbolos da Ginetex – Associação Internacional para a Etiquetagem de Conservação de Têxteis em Portugal), mostram que 70% dos europeus seguem as instruções de conservação de têxteis representadas pelos símbolos, com 57% a afirmarem que os seguem “frequentemente” e 13% que o fazem “sempre”. «Estes números ilustram a importância das instruções de conservação nas mentes dos consumidores europeus», refere a associação portuguesa.

Entre os que seguem as instruções, 38% pretendem evitar problemas na lavagem, como encolhimento, e 31% preservar as roupas e mantê-las por mais tempo.

Além das questões práticas relacionadas com a durabilidade, os europeus mostraram-se ainda preocupados com a poupança de água e energia (84%), com 62% a indicarem que escolhem “secar a roupa ao natural sempre que possível”, 61% que fazem “principalmente lavagens a baixa temperatura” e 44% que usam o “programa Eco”.

Esta área tem sido abordada pela Ginetex, que lançou o clevercare.info, com um site direcionado para o público em geral com o objetivo de «aumentar a consciencialização e informar os consumidores sobre ações simples e fáceis de adotar para a eco-conservação de produtos têxteis».

Oportunidades e desafios

No entanto, os consumidores europeus deixaram algumas críticas aos modelos atuais de etiquetas: 62% indicam que cortam, com 74% a referirem que as etiquetas provocam comichão e irritam a pele e 55% a apontarem que são muito longas e desconfortáveis.

Ainda assim, «a presença da etiqueta é um critério de compra real, pois 80% dos europeus afirmam que nunca ou raramente comprarão roupa sem uma etiqueta», refere o comunicado da Anivec.

Um outro desafio prende-se com o reconhecimento dos símbolos. Embora os símbolos de passar a ferro e de lavagem sejam entendidos pela quase totalidade dos europeus (97% e 91%, respetivamente), os restantes três símbolos não são tão claros para os consumidores: o símbolo de limpeza profissional é o menos entendido, com apenas 21% dos inquiridos a interpretá-lo corretamente; 39% não sabem o que representa o símbolo de branqueamento; e 45% não conhecem o significado do símbolo de secagem.

Pelo lado positivo, 53% dos entrevistados indicaram ter curiosidade quando confrontados com símbolos que não entendem e, como tal, procuram na Internet o seu significado (39% usam um computador e 21% usam o smartphone).

«Os resultados deste barómetro Ginetex-Ipsos são positivos e encorajadores», considera Adam Mansell, presidente da Ginetex. «Refletem o papel fundamental do Ginetex e dos comités internacionais que trabalham para aumentar a compreensão dos símbolos de conservação de têxteis», acrescenta. «A nossa missão é trabalhar a longo prazo – um esforço também confrontado com obstáculos como a má interpretação de símbolos e a remoção de etiquetas. Juntamente com as marcas membro, devemos continuar a reforçar as nossas ações com o público em geral para garantir que todos os nossos símbolos (e características especiais) sejam compreendidos por todos, em todo o mundo. O nosso objetivo permanente de normalizar e harmonizar o nosso sistema de etiquetagem de conservação de têxteis em todo o mundo contribui para essa melhoria todos os dias», resume Adam Mansell.