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Consumidores chineses dão novo alento à indústria de luxo

Marcas de luxo, como a Burberry e a Aquazzura, estão a registar um crescimento das vendas na China, o que dá alento ao sector. Ainda assim, as vendas globais deverão cair 35% este ano.

Os chineses voltaram às compras e estão a dar um novo alento à indústria de artigos de luxo. Ainda assim, as principais marcas enfrentam um caminho difícil e, provavelmente, terão que repensar os seus modelos de negócio.

Segundo a CNN, várias empresas de artigos de luxo estão a registar um aumento de vendas na China, depois do levantamento do confinamento imposto pela pandemia de Covid-19.

A Tiffany deu conta de uma subida das vendas em 30% em abril e 90% em maio, em comparação com os mesmos meses do ano passado. A joalharia norte-americana registou, contudo, uma queda global de 40% nas vendas líquidas.

«O nosso desempenho comercial na China continental assinala uma recuperação robusta», afirmou o presidente, Alessandro Bogliolo, durante a apresentação de resultados.

Mas a Tiffany não é um caso isolado, também a Burberry reportou no mês passado um aumento das vendas. O mesmo aconteceu, de resto, com a Richemont.

«Os dados indicam que a China está em modo de recuperação», sublinha Luca Solca, analista da Bernstein, em nota publicada no final do mês passado.

A China pode mesmo ser o único mercado em que a indústria de luxo poderá sofrer uma reviravolta.

«Na verdade, tem sido muito positivo», revelou, à CNN Business, Edgardo Osorio, fundador da marca italiana de calçado Aquazzura. «A China sempre foi, mas agora é mais do que nunca, um dos clientes mais rápidos», explicou.

Na base do comportamento dos consumidores chineses parece estar «não só o efeito psicológico de voltar à vida normal, mas também o facto de as pessoas estarem impossibilitadas de viajar, o que as leva a consumir na China».

A recuperação na China é importante porque os consumidores chineses são vitais para o mercado global de luxo, uma vez que representam 35% de as vendas em todo o mundo, de acordo com dados da Bain. Aliás, a consultora estima que, dentro de cinco anos, o peso da China poderá disparar até aos 50%.

No entanto, a recuperação do mercado chinês é apenas uma parte da história. Segundo a Bain, as vendas globais dos artigos de luxo poderão sofrer uma contração de 35% este ano, com receita esperada de 180 a 220 mil milhões de euros, um valor muito aquém dos 281 mil milhões de euros registado em 2019.