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Consumidores europeus querem gastar em moda

O estudo do IFM-Première Vision Chair, apresentado na edição online da Premiére Vision, revela que as compras de moda continuam a ser um prazer para os consumidores do Velho Continente, que, contudo, exigem cada vez mais produção local e responsabilidade ecológica.

[©Pixabay]

Apesar da incerteza causada pela pandemia, que está a levar 42% das mulheres e 30,4% dos homens europeus a anteciparem uma redução no consumo, há uma parte dos consumidores – 13,7% das mulheres e 17,1% dos homens – que deseja aumentar as suas compras de moda. Cerca de 88,9% destes consumidores afirmam-se motivados por um impulso de “compras de vingança”, um fenómeno em que os consumidores são impelidos a fazer todas as compras que sentem que não fizeram devido às restrições impostas pelo confinamento.

Estas conclusões foram retiradas do inquérito realizado em junho no âmbito da parceria entre a Première Vision e o IFM – Institut Français de la Mode, que inquiriu 5.000 consumidores em quatro dos principais mercados de consumo da Europa – França, Itália, Alemanha e Reino Unido – sobre as intenções de compras no segundo semestre deste ano.

Em França, aponta o estudo, o vestuário surge em quarto lugar, com 8,2% das respostas, entre os consumidores que admitem querer comprar mais, depois das categorias de saúde e bem-estar, produtos alimentares e mobiliário/decoração e à frente de férias, gastos com tempos livres, automóveis e desportos.

Karine Porret (jornalista) e Gildas Minvielle [©Première Vision]
«Não é uma grande percentagem, mas é significativa», afirmou, no webinar de apresentação do estudo, Gildas Minvielle, diretor do Observatório Económico do IFM, que sublinhou ainda que o mais interessante é «o ranking das prioridades». Além disso, explicou, em França «o comércio eletrónico tem sido um grande apoio durante o ano e durante a crise. Nos primeiros sete meses do ano, houve um aumento de 11% nas vendas online de vestuário e, para o ano completo de 2020, será mais, por isso é significativo, quando temos em conta que no ano passado, em 2019, cresceu apenas 3%». Isso não impedirá, contudo, que o mercado francês de moda «caia provavelmente 20%, talvez menos, mas ainda assim uma queda significativa».

Os dados mostram que os europeus deverão fazer compras nos próximos meses sobretudo nos períodos de saldos e promoções, devido à situação económica atual, e que há um desejo cada vez maior de se focarem em produtos intemporais (para 83,7%) e para 47,3% deles, isto é, quase um em cada dois consumidores, em artigos mais caros e de maior qualidade.

Consumo responsável

Esta tendência parece alinhar-se com a tendência para um consumo mais ponderado. De acordo com o estudo, os produtos de moda ecologicamente responsável são atrativos para a maioria dos consumidores inquiridos. Cerca de 64% dos europeus querem comprar peças feitas com materiais mais ecológicos e 30,1% estão dispostos a pagar mais por isso. Esta percentagem sobe para 66,1% em França e para 76,2% em Itália, com os italianos a terem uma visão semelhante independentemente da idade. «É interessante constatar que não há diferença entre países do norte [Alemanha e Reino Unido] e países do sul [França e Itália]», destacou Gildas Minvielle.

No geral, entre os consumidores europeus mais jovens, dos 18 aos 34 anos, a percentagem é ainda mais elevada, atingindo 73,1%.

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As matérias-primas são o principal motor das compras ecologicamente responsáveis. Na Europa, 41,8% dos consumidores citam os materiais mais ecológicos (reciclados, orgânicos ou novas fibras) como o principal critério quando escolhem um produto ecologicamente responsável. Os consumidores britânicos e alemães são os mais numerosos a citar este fator (43,8% e 45,6%, respetivamente). Este interesse é partilhado pelos jovens em todos os países europeus. «Isto pode sugerir que numa altura de crise de saúde, um interesse em matérias-primas está relacionado com preocupações globais de saúde», refere o estudo. Em França e Itália, países com tradição de produção e forte know-how, os consumidores continuam a mostrar um forte interesse pela produção amiga do ambiente (40,7% em França e 44% em Itália).

Entre os jovens dos 18 aos 34 anos que não planeiam comprar moda responsável, o preço continua a ser o principal obstáculo (61,8% desses europeus estão à espera de preços mais acessíveis).

Há igualmente interesse pelo mercado em segunda-mão. Cerca de 30,8% dos europeus gostariam de fazer compras neste tipo de loja nos próximos meses e 44,3% dos jovens manifestam a mesma vontade.

Produção local preferida

As etiquetas revelaram-se igualmente um fator importante, com a maioria dos consumidores europeus atentos, sobretudo à indicação “made in” (60%), e 58,5% reconhecem dar preferência à produção local. Entre os indivíduos da faixa etária 18-34 anos, 33,1% estão mesmo dispostos a boicotar certos produtos fabricados no estrangeiro.

Os consumidores europeus indicaram que são muito a favor de colocar o local de produção nas etiquetas e até a tornarem isso obrigatório, o que exigiria a adoção da diretiva europeia por parte de todos os países-membros.

Em países com tradição de produção, a questão é ainda mais importante. Em Itália, 73,5% dos consumidores prestam atenção ao local de produção e 72,9% preferem produtos “made in Italy”.

[©AtumItaly]
«O “made in” tornou-se novamente num tema importante», garantiu o diretor do Observatório Económico do IFM. «Tal como a responsabilidade ambiental, saiu reforçado», acrescentou.

«A mensagem dos consumidores neste estudo é que o mundo de amanhã, o futuro, não será uma cópia exata do mundo antes [da pandemia]. Precisamos de um novo paradigma. Um paradigma onde o “made in” e a responsabilidade ecológica terão um papel muito importante. Isso vai ajudar a reconstruir a confiança», concluiu Gildas Minvielle.