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Consumo de algodão ultrapassa produção

Ao contrário das projeções avançadas ao longo do ano, o consumo deverá ultrapassar a produção da fibra têxtil. As condições do mercado, onde existe uma grande volatilidade, levaram, contudo, o ICAC a suspender as previsões de preço de algodão nos próximos meses.

[©Unsplash/Karl Wiggers]

Com dois meses para o fim da época 2021/2022, o consumo de algodão superou a produção, de acordo com o mais recente relatório do International Cotton Advisory Committee (ICAC).

Reduções no tamanho da colheita de alguns dos principais países produtores da fibra, como a Índia, Argentina e África do Sul, fizeram com que a tendência se invertesse e o consumo ultrapassasse a produção. Embora durante grande parte da época, a oferta e a procura tenham estado mais ou menos alinhadas, com o balanço a pender positivamente para a produção, as colheitas abaixo do previsto levam agora a que as previsões apontem para que o consumo exceda a produção em cerca de 265 mil toneladas, segundo o ICAC.

O relatório estima ainda que na próxima época, de 2022/2023, a área mundial de plantação desça 1%, para 32,78 milhões de hectares, que a produção se situe em 26,13 milhões de toneladas, que o consumo atinja 26,12 milhões de toneladas e que os preços sejam influenciados por múltiplos eventos, difíceis de prever, incluindo políticas governamentais.

[©Unsplash/Clayton Malquist]
Para avaliar o impacto destes números nos preços, o rácio stocks/utilização – que mede os stocks de algodão disponíveis como uma quota da utilização de algodão pelas fiações – pode ajudar a quantificar a relação entre a oferta e a procura de algodão. Quando a oferta é muito próxima da procura, o rácio é mais baixo. Um rácio stocks/utilização baixo pode indicar preços mais altos. Pelo contrário, quando a oferta excede a procura, o rácio aumenta, colocando pressão de descida dos preços. A área plantada pode também ter um grande impacto nos preços.

Tendo em conta tantas variáveis e imprevistos, o ICAC decidiu suspender a publicação de projeção de preços e vai reavaliar a situação em agosto. «A elevada volatilidade e circunstâncias extenuantes nos mercados mundiais tornam difícil qualquer enquadramento de modelação para produzir informação útil e precisa», justifica o comité, acrescentando, contudo, que se trata de uma «pausa temporária», que já aconteceu na época 2010/2011 pelas mesmas razões, e que, «assim que estivermos confiantes no modelo de dados, vamos publicar projeções».