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Consumo emergente – Parte 1

Segundo um estudo publicado pelo Euromonitor International, a região do Médio Oriente e África é primordial para as marcas de moda internacionais, independentemente de estarem posicionadas no segmento de massa ou de luxo. No entanto, conforme salienta a análise, ainda persistem diversos desafios complexos. Em destaque na região encontram-se cinco mercados em particular, nomeadamente (taxas de câmbio de 2012): África do Sul com 18,5 mil milhões de dólares de vendas em 2012 (crescimento de 11,2% em relação ao ano 2011 e vendas per capita de 362 dólares), Arábia Saudita com 12,6 mil milhões de dólares de vendas (crescimento de 5,6% e vendas per capita de 462 dólares), Emiratos Árabes Unidos com 5,4 mil milhões de dólares de vendas (crescimento de 2,5% e vendas per capita de 654 dólares), Israel com 4,4 mil milhões de dólares de vendas (crescimento de 2,7% e vendas per capita de 561 dólares) e Marrocos com 3,6 mil milhões de dólares de vendas (crescimento de 5,8% e vendas per capita de 108 dólares). Tem havido muita discussão sobre a África ser a última fronteira da moda. Na realidade, a dimensão da região – possui mais de 820 milhões de pessoas – torna este continente uma oportunidade difícil de ignorar. Mas a África Subsaariana tem apresentado diversos desafios a esta potencial expansão. Enquanto a classe média está a crescer, a pobreza continua a ser generalizada, com o fator preço a superar a marca e o estilo quando se trata de compras de moda. A infraestrutura precária, os mercados de retalho subdesenvolvidos e a instabilidade política aumentam a complexidade de instalação de lojas. O crescimento permanece confinado a determinados locais, levando a um efeito de aglomeração da atividade das marcas internacionais. A África do Sul tem sido um exemplo primordial desta situação. O país continua a ser o mercado mais rico do continente, com vendas de vestuário per capita na ordem dos 362 dólares em 2012, um valor dez vezes superior ao do Egito. Este desempenho transforma o país num trampolim natural para o continente africano – como é o caso de marcas de vestuário de renome mundial, incluindo Gap, Zara e Topshop, as quais lançaram lojas no mercado sul-africano em 2012, com a H&M pronta para entrar em 2014. A Nigéria também emergiu como um país apetecível para a atividade, com as marcas a aproveitarem o levantamento da proibição de importação de têxteis. A entrada de atores como Woolworths, Hawes & Curtis e Mr Price, embora ainda limitada no seu impacto, está efetivamente a anunciar uma mudança no sentido do retalho moderno e formal. A Nigéria também tornou-se um ponto de atração inesperado para as marcas de luxo, incluindo Ermenegildo Zegna e Hugo Boss, que procuram capitalizar com o crescente apetite do país por produtos de gama alta. O principal ponto de atração da África Subsaariana encontra-se na sua composição demográfica jovem – um fator fundamental para os retalhistas de vestuário centrados na América do Norte e Europa Ocidental, que estão a enfrentar o envelhecimento da população e a diminuição da força de trabalho. Os jovens adultos e adolescentes são o mercado-alvo preferencial para muitas marcas de vestuário, devido à sua elevada propensão para consumir moda e ao seu apetite por marcas. Além disso, uma cultura jovem que está a ser fortemente moldada pelo Ocidente abre o caminho para as marcas de moda europeias e americanas neste mercado. A população jovem tem sido também evidente nos mercados do Médio Oriente, que tornaram-se um terreno fértil para as marcas e retalhistas de vestuário infantil. Na Arábia Saudita, as crianças dos 0 aos 4 anos de idade representavam 11% da população em 2012, enquanto as dos 5 aos 14 anos representavam uma quota adicional de 19% da população, e este perfil jovem irá provavelmente manter-se no futuro. Nos Emiratos Árabes Unidos, a roupa de marca para criança foi a categoria mais dinâmica do vestuário de designer em 2012, com um aumento de 12% no valor. Este desempenho é devido, principalmente, aos níveis extremamente elevados de consciência de marca entre os jovens pais, muitos dos quais desejam vestir os filhos com as suas marcas de luxo favoritas. A segunda parte deste artigo continua a analisar o desenvolvimento que está a ocorrer no retalho de vestuário no Médio Oriente e África.