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Consumo emergente – Parte 2

Conforme evidencia o estudo do Euromonitor International, o mercado de vestuário do Médio Oriente e África foi o segundo que mais cresceu no mundo em 2012, apenas ultrapassado pela América Latina (ver Consumo emergente – Parte 1). Do luxo ao “private label”, a região está no topo da agenda para as marcas de vestuário de toda a escala de preços. A cadeia de supermercados Asda escolheu o Médio Oriente para lançar a primeira loja independente da sua marca de vestuário George, juntando-se à rival Tesco, que assinou um contrato de franquia com o parceiro local Fawaz Abdulaziz Al-Hokair em 2012, para comercializar a marca de vestuário F&F. Israel foi uma escolha popular para diversas marcas internacionais em 2012, com Victoria Secret, American Eagle Outfitters e Forever 21 a entrarem no país. O mercado israelita deixou de ser considerado pequeno e insignificante e a atratividade encontra-se na sua base de consumidores globalizada, que possui um PIB per capita intermédio e um elevado nível de conhecimento das tendências da moda. Os principais retalhistas nacionais da região vão estar dispostos a expandir as suas carteiras de franquias para manter a vantagem competitiva, com foco em marcas internacionais com um posicionamento único. A MH Alshaya, por exemplo, seguiu esta estratégia em 2012, quando conquistou os direitos de franquia no Médio Oriente para a marca de moda japonesa Muji. Com os seus ornamentados centros comerciais, festivais de compras, diversas marcas internacionais e preços altamente competitivos, não é de surpreender que os Emiratos Árabes Unidos continuem a ser um dos últimos paraísos de compras do mundo. A procura interna é ampliada por elevados fluxos de turistas, com o país a ser reconhecido como uma área de estabilidade no meio das revoltas da Primavera Árabe. O fluxo de turistas atingiu os 10 milhões em 2012, um aumento de 7% em relação ao ano anterior. O vestuário de luxo, em particular, tem beneficiado do forte aumento do fluxo de turistas de mercados emergentes como a Rússia e a China. Por exemplo, o número de turistas chineses mais do que duplicou desde 2009, chegando a ultrapassar os 300 mil em 2012. Como resultado, muitas marcas têm contratado pessoal de vendas de língua chinesa. No entanto, no Médio Oriente, o código de vestuário altamente conservador continua a ser uma das principais preocupações para as marcas de moda ocidentais, na medida em que a roupa tradicional mantém uma posição firme no mercado de vestuário. A proliferação da Internet e dos média sociais está, todavia, a desempenhar um papel notável na formação de tendências de estilo de vida, com os consumidores a aceitarem, cada vez mais, sugestões de moda e celebridades do Ocidente. No Irão, por exemplo, apesar das mulheres deverem cobrir as suas cabeças, elas não deixam de estar interessadas em expressar o seu estilo pessoal através de acessórios, como cintos, calçado e bolsas. Os “chadors” tradicionais, que cobrem o corpo da cabeça aos tornozelos deram origem a uma opção mais moderna: casacos curtos à altura do joelho, conhecidos como “mantos”. O Irão deverá ultrapassar a África do Sul e tornar-se no maior mercado da região para os retalhistas especializados até 2017, gerando 16,8 mil milhões de dólares em vendas (sem considerar o imposto sobre o consumo). O crescente número de mulheres que entra no mercado de trabalho também está a influenciar o desempenho da categoria. Na Arábia Saudita, a população feminina ocupada aumentou mais 1% para atingir 1,1 milhões em 2012. Esta evolução, por sua vez, apoiou as vendas de fatos e casacos de senhora, que cresceram 11% e 10% em 2012, respetivamente. Contudo, a África do Norte tem sido profundamente influenciada pela Primavera Árabe e pelas suas inevitáveis consequências. De salientar o caso do mercado de vestuário do Egito, outrora previsto tornar-se um dos mais rápidos sectores em desenvolvimento da região e que está a sofrer dificuldades por causa dos contínuos protestos. Em contrapartida, Marrocos tem registado um melhor desempenho, depois de ter resistido relativamente bem à Primavera Árabe. O governo marroquino tem investido numa série de medidas para melhorar o ambiente empresarial e as condições sociais. O valor das vendas de vestuário no Médio Oriente e África deverá crescer mais 18 mil milhões de dólares ao longo do período de 2012 a 2017. A distribuição demográfica da África Subsaariana representa uma oportunidade considerável para as marcas internacionais de vestuário, mas permanece latente devido a uma fraca infraestrutura de retalho, com a exceção da África do Sul. No entanto, as oportunidades permanecem no estabelecimento de uma vantagem para os primeiros a chegar. Por seu lado, no Médio Oriente, o crescimento populacional em curso, em conjunto com um sólido quadro económico, deverão aumentar o desempenho do vestuário durante os próximos anos. A importância da região como destino turístico e paraíso de compras vai continuar a sustentar o fluxo de marcas multinacionais no mercado.