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Consumo natalício mais jovem e tecnológico

Um novo estudo conclui que o segredo para os retalhistas impulsionarem as vendas na época natalícia é atender aos desejos dos consumidores mais jovens. A aposta foca-se em nova tecnologia, produtos amigos do ambiente e na melhoria dos métodos de entrega das encomendas.

Os consumidores com idades compreendidas entre os 18 e 34 anos vão ter um papel crucial no que diz respeito à onda de gastos na Europa e nos EUA. De acordo com o mais recente estudo da multinacional francesa Capgemini, estima-se que 40% dos compradores com menos de 35 anos gastem mais nas compras de Natal de 2019 do que no ano anterior, comparando com uma média de 28% para as restantes faixas etárias.

O inquérito, que incluiu mais de 6.700 consumidores na França, Alemanha, Espanha, Reino Unido e EUA, revelou que são os consumidores mais jovens o centro das preocupações dos retalhistas que se sentem pressionados para lhes conseguir agradar, adotando, consequentemente, uma melhor estratégia de vendas. Mesmo assim, a qualidade, o custo e a conveniência continuam a ser os principais motores da decisão de compra.

A análise da Capgemini conclui que as estratégias-chave englobam a diversificação de canais online, da loja e das plataformas de voz, investir em tornar produtos e as embalagens mais amigas do ambiente e usar a tecnologia para melhorar a experiência de compra e de entrega para que os artigos cheguem antes da época festiva que se inicia com a Black Friday.

Ainda que a sustentabilidade seja um fator de relevância crescente para os consumidores atuais, o relatório refere que continua a ser fundamental partir dos elementos básicos. A variedade de produtos disponíveis em stock (34%) e a conveniência do local da loja física (21%) foram apontados como os principais requisitos que diferenciam a escolha entre um determinado retalhista e outro, nos casos em que o preço não faz parte da equação.

Quando questionados sobre os três principais fatores que influenciam as compras de presentes para amigos e familiares, os inquiridos indicam a qualidade dos produtos e as opções de economia de custos como descontos e reduções, ambos com 54%. Já a variedade de produtos foi o terceiro fator mais citado, com uma percentagem de 50%.

Em relação às expectativas sobre os próximos passos de investimento dos retalhistas para as festividades, a resposta mais popular com 33% foi reduzir ou manter os preços atuais dos artigos.

A transparecer a consciencialização que existe em relação ao ambiente, a seleção de produtos com embalagens mais sustentáveis foi um ponto determinante para 21% dos inquiridos, sendo que, para os entrevistados dos 18 aos 24 anos, a preocupação com esta temática mostrou ser maior (24%). Considerando todos os países participantes no estudo, os consumidores do Reino Unido são os mais preocupados com a sustentabilidade das embalagens (29%), seguindo-se a Alemanha (21%), a França (19%) e a Espanha e os EUA empatados com 14%.

Expectativas divergentes

A fazer jus ao ditado “mudam-se os tempos mudam-se as vontades”, os consumidores entre os 18 e 34 anos apresentaram prioridades de compra muito distintas quando comparadas com os entrevistados com idade superior a 35 anos.

Os consumidores mais jovens têm menor probabilidade de recorrer a lojas físicas para realizar compras de Natal e preferem optar por retalhistas que oferecem mais que uma marca. 29% confidenciaram gastar mais dinheiro na loja física, enquanto 37% disseram gastar mais dinheiro num retalhista multimarca. Os valores descritos comparam-se, respetivamente, a 39% e 32% para a média geral registada por todos os entrevistados no estudo.

Além disso, os consumidores mais jovens, de 18 a 34 anos, são mais adeptos do uso das novas tecnologias no que toca a melhorar a experiência de compra. 23% têm maior preferência por caixas automáticas comparativamente com os 16% da faixa etária superior. O mesmo acontece com o pagamento móvel (21% contra 12%), com as tecnologias nas lojas como espelhos de realidade virtual (22% contra 15%) e com os novos meios de entrega das encomendas, como drones ou carro (16% contra 10%).

Diversificar meios

As lojas físicas continuam preparadas para receber a maior parte do lucro na época natalícia, com 39% dos consumidores a planear fazer compras intensivamente neste período. Os retalhistas online que disponibilizam múltiplas marcas também estão prontos para receber lucros consideráveis este ano, com 32% a planear gastar a maior parte do dinheiro nesses websites.

Para os retalhistas que procuram capitalizar as oportunidades de compra nas plataformas por voz é importante saber que os consumidores têm maior probabilidade de o fazer se sentirem que a experiência será segura (25%), se tiverem acesso a descontos exclusivos (23%) e se estiverem confiantes de que terão uma experiência simples e direta (20%). No caso dos consumidores mais jovens (entre 18 e 24 anos) representarem o público alvo, o melhor será mesmo intensificar a aposta nas plataformas de compra com assistente de voz, com as percentagens mais elevadas de 29%, 33% e 27% respetivamente.

Entrega e conveniência

Não é surpresa para ninguém que novembro é o mês em que os consumidores mais compram. 30% dizem iniciar as compras de Natal a partir desse mês. Para satisfazer os clientes neste período de consumo, alguns retalhistas online oferecem opções de entrega mais rápidas, durante a noite ou até no mesmo dia, por exemplo. Contudo, 33% dos consumidores esperam que os produtos sejam entregues dentro de três dias úteis.

Em geral, o estudo provou que a tecnologia é essencial para melhorar a experiência de compra na atualidade. Porém, as variações regionais obrigam a que os retalhistas se adaptem ao mercado local em que estão inseridos, incluindo lojas que usam tecnologia inovadora em Espanha (31%) e França (18%), a capacidade de usar o pagamento móvel nos EUA (17%) e serviços self-service no Reino Unido (15%).

«As compras na quadra natalícia são críticas para os resultados dos retalhistas e os planos de consumo dos consumidores mais jovens representam esperança para os retalhistas», afirma Kees Jacobs, vice-presidente de Produtos de Consumo Global e do Sector de Retalho na Capgemini. «No entanto, os retalhistas devem adaptar a estratégia de modo a ganhar o mais possível deste grupo. A tecnologia pode ajudar a distribuir qualidade, custo e variedade que todos os grupos de consumidores querem, mas os retalhistas devem pensar com cuidado na forma como equilibram os novos investimentos para corresponder às expectativas da geração jovem com os preços baixos», acrescenta.