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Contextile revela lado artístico do têxtil

A 4.ª edição da Contextile reúne 58 obras de 51 artistas internacionais que trabalham o têxtil como matéria-prima para criar obras de arte. As diversas exposições da bienal, que está a contribuir para promover a região e a indústria têxtil, podem ser vistas até sábado, dia 20 de outubro.

Ann Hamilton

Inicialmente pensada como um evento para a Capital Europeia da Cultura, em 2012, a Contextile assumiu o caráter de bienal e é uma das iniciativas que perdura no tempo. «Em 2009 ou 2010, quando se começou a falar da Capital Europeia da Cultura, pensámos em apresentar um projeto de arte contemporânea ligado ao têxtil e ao território. Na altura apresentámos a proposta de uma grande exposição, mas foi-nos dito que preferiam projetos que tivessem perspetivas de continuidade. Pensámos primeiro numa trienal, mas acabou por se transformar numa bienal», conta, ao Portugal Têxtil, Joaquim Pinheiro, coordenador da Contextile e um dos associados da plataforma colaborativa Ideias Emergentes, promotora do evento

Joaquim Pinheiro junto da obra Substancia, de Baiba Osite

Desde 2012, mais de 100 mil pessoas estiveram em contacto com a Contextile, entre nacionais e estrangeiros, com um impacto económico na região estimado em mais de um milhão de euros. A este valor financeiro acresce o valor intangível do envolvimento da comunidade e da projeção da região e da própria indústria. «Uma das estratégias da bienal é trabalhar com o território e consideramos que a arte, a cultura e a criatividade podem ser um valor acrescentado à fileira têxtil, através do seu prestígio, através de uma perceção a nível nacional e, sobretudo, mundial, porque a bienal é mais conhecida além-fronteiras do que em Portugal», afirma Joaquim Pinheiro.

Tendo como matriz conceptual o envolvimento com o território e, necessariamente, com o tecido industrial – como destaca Joaquim Pinheiro, «70% do PIB em Guimarães está ligado ao têxtil» –, a bienal tem procurado o apoio e a participação do sector.

Empresas como a Sampedro, a Lameirinho, a Bordalima e a Têxteis Penedo fazem parte do grupo que, nesta edição, colaboraram de alguma forma com o evento.

Traces Of Time, de Ida Blazicko

«Gostaríamos – não temos conseguido – de seduzir as empresas para nos apoiarem, nomeadamente em termos financeiros. Se forem muitas, um bocadinho cada não custa nada, porque a bienal pode não ter um impacto muito grande ao nível do marketing direto para cada empresa, mas para o conjunto das empresas e para o território terá», assegura Joaquim Pinheiro. «Queremos trabalhar de mãos dadas com as empresas e que elas tenham a perceção de que isto é bom para toda a gente e, como tal, para as próprias empresas», assume. Além da vertente financeira, o apoio das empresas pode ainda ser prestado de outras formas. «É neste trabalho de parceria, seja em residências artísticas, seja no fornecimento de algum material para as obras, que foi o caso da Lameirinho, que forneceu a maior parte do trabalho da Ann Hamilton [uma das artistas convidadas nesta edição], que podemos criar o nosso futuro», afirma o coordenador da Contextile.

Roteiro por Guimarães

Dividida pela cidade, esta quarta edição da Contextile traça um roteiro por alguns dos espaços emblemáticos de Guimarães, do Palácio Vila Flor à Casa da Memória, ao Convento de Santo António dos Capuchos e até ao claustro do edifício da Câmara Municipal de Guimarães.

Piedras Textiles, de Alejandra Ruiz
Basal Structure, de Aud Bækkelund

 

No Palácio Vila Flor está concentrada a exposição internacional, que inclui a obra premiada com o prémio aquisição, no valor de 4.000 euros, Substancia, da artista da Letónia Baiba Osite, que usou troncos encontrados à beira-mar, na costa do Báltico. No mesmo piso de cima, os visitantes podem encontrar as menções honrosas atribuídas às obras Piedras Textiles, da colombiana Alejandra Ruiz, e Basal Structure, da norueguesa Aud Bækkelund. No piso inferior está a outra menção honrosa, entregue a Inside Out, da holandesa Jenny Ymker.

Inside Out, de Jenny Ymker

Entre o mercado municipal, a Sociedade Martins Sarmento e a Plataforma das Artes e Criatividade espalham-se as obras de Ann Hamilton. Sob a designação “Side by side”, a artista americana entranhou-se nas tradições da região, com performances artísticas que misturam o património têxtil, a cidade, a arquitetura e a história. Todas as sextas-feiras assiste-se, no mercado, a uma performance com o grupo coral “Outra Voz”, onde é ainda entregue um “jornal” com imagens que a artista digitalizou manualmente. «Convidámos a Ann Hamilton porque incorpora a matriz conceptual da bienal. Ela aceitou o desafio e o convite de desenvolver o trabalho à volta do conceito temático – é “Side by side”, mas todo o projeto incorpora o conceito temático (in)organic», justifica Joaquim Pinheiro.

Dvora Morag

“Entre o Céu e a Terra” é o tema da exposição da artista convidada Dvora Morag, patente no Centro para os Assuntos da Arte e da Arquitetura (CAAA), dividida em dois espaços. De um lado, 400 sacos de estopa com plantas pelo meio simbolizam «a morte e a vida entrelaçadas para marcar o ciclo de vida», explica a artista numa nota introdutória. Do outro, os sacos são usados para criar estruturas que homenageiam o arquiteto catalão Antoni Gaudí.

Fiber Art Fever

O programa da Contextile contempla ainda uma exposição em parceria com o coletivo francês Fiber Art Fever!, com obras de 17 artistas patentes no Palacete de Santiago/Museu Alberto Sampaio, e a exposição satélite Magic Carpets, com os trabalhos de Hermione Allsopp e Ida Blazicko, esta última com uma das suas obras abertas ao público no claustro da Câmara Municipal de Guimarães.