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Contextile teve maior edição de sempre

A 6.ª edição da Contextile fechou portas com um balanço positivo. Durante dois meses, artistas, estudantes e público em geral encheram os vários espaços espalhados pela cidade de Guimarães para ver as obras de arte, participar nos workshops e debater as práticas de ensino das escolas artísticas.

Graduated Ribbons [©Contextile]

«No ano em que completou 10 anos de existência, esta foi a maior edição de sempre da Bienal de Arte Têxtil Contemporânea, mobilizando cerca de duas centenas de artistas, que expuseram em 15 espaços da cidade», afirma a direção da Contextile na nota de encerramento publicada na sua página do Facebook.

A Contextile 2022, que decorreu de 3 de setembro a 30 de outubro, contou com 58 obras de 531 artistas, selecionados de um total de 1.505 trabalhados artísticos de 1.250 autores. Entre estas, a obra Graduated Ribbons, da belga Leïla Pile, foi distinguida com o Prémio de Aquisição da Exposição Internacional. A instalação artística vencedora, que será adquirida pelo município de Guimarães, é composta por fitas tecidas e desenhos. «Leïla Pile recorda que no Anciens Abattoirs de Mons/Antigos Matadouros de Mons (centro de arte contemporânea em Mons, Bélgica), as calhas estão suspensas. Os ganchos que estão pendurados circulam ao longo de 200 metros. No século XIX tinham a função de distribuir e organizar o espaço. Eram utilizados para mover as carcaças. É a partir desta ideia que Leïla Pile elabora o seu trabalho. As seis fitas são concebidas de acordo com um protocolo de três cores. O vermelho é sobreposto à alternância cru/preto que corresponde a todas as secções de calhas de ponta a ponta. Enroladas, a borda das fitas revela o ritmo e a vibração dos segmentos coloridos», explica a Contextile no seu website.

[©Contextile]
As obras The Shopping Bags of Tartarus, da finlandesa Arja Kärkkäinen, Flashlight & Turn it off, da chilena Estefanía Tarud, Plastic Textile, dos italianos IPER-collettivo, e Ativando Guimarães, da brasileira Vania Sommermeyer, foram também distinguidas com menções honrosas atribuídas pelo júri internacional, composto por Lala de Dios (curadora e professora de têxtil), Janis Jefferies (professora de artes visuais e curadora), Monika Grasiené-Zaltê (artista têxtil e curadora), Orenzio Santi (professor e artista têxtil) e Cláudia Melo (diretora artística da Contextile 2022).

Um programa eclético

Da programação da Contextile 2022 constaram ainda as Textile Talks – Educational Futures, dedicadas ao futuro da educação artística, nomeadamente «as especificidades pedagógicas e metodológicas ligadas ao mundo dos têxteis na sua dinâmica com o pensamento e o fazer artístico, e as influências e disseminações com outros campos do saber, e ao mesmo tempo facilitar a investigação e a divulgação de boas práticas feitas neste campo», que contou com a intervenção, entre outros, do ganês Ibrahim Mahama, o artista convidado desta edição da Contextile, que é também fundador e diretor do Centro de Arte Contemporânea de Savannah, no Gana, Svenja Keune, da Escola Sueca de Têxtil, Anne Wilson, professora emérita da Escola de Artes do Instituto de Chicago, e Janis Jefferies, professora emérita da Universidade Goldsmith, do Reino Unido, e também a exposição O Têxtil na Arte Portuguesa, que incluiu trabalhos de Ana Vieira, António Barros, Eduardo Nery, Gisella Santi, Joana Vasconcelos, João Pedro Vale & Nuno Alexandre Ferreira, José de Guimarães, Leonor Antunes, Lourdes Castro e Margarida Reis.

Imagine! [©Contextile]
As artistas Gisella Santi e Margarida Reis foram ainda alvo de uma homenagem especial. «A Contextile 2022 prestou o seu tributo a duas importantes artistas que trabalharam o têxtil, Gisella Santi, com um importante papel no restauro de têxteis antigos, e Margarida Reis, precursora de uma nova linguagem que desafiou certas regras nas áreas da tapeçaria e tecelagem. Nesta homenagem a que se associou Orenzio Santi, filho da artista [Gisella Santi] que, se ainda fosse viva, completava esta semana 100 anos, mais não foi que uma homenagem a dois importantes nomes da arte têxtil contemporânea e dos mais importantes na arte têxtil portuguesa», realçou a organização da Contextile numa publicação no Facebook a 27 de outubro.

A tudo isto somaram-se ainda uma exposição que reuniu obras de artistas noruegueses, tendo a Noruega sido o país convidado desta edição, oito residências artísticas e uma dezena de workshops com diferentes técnicas, do jacquard à escultura em feltro, passando pelo bordado de Guimarães.

«Esta 6.ª edição foi um sucesso. Um sucesso de todos. Assinalando um crescendo de afirmação da arte têxtil contemporânea, foi momento de encontro e reflexão sobre o papel da criação têxtil no desenvolvimento de novas dinâmicas culturais nas comunidades, nos territórios», resume a direção da Contextile, que deverá estar de volta à Cidade-Berço em 2024.

Tributo a Gisella Santi e Margarida Reis[©Contextile]