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Continente digital

O Velho Continente tem sabido acompanhar a imersão dos consumidores de moda no universo online e vê-se rejuvenescido a cada nascimento de startups. A Europa ocupa a primeira fila da inovação tecnológica desta indústria e o contributo português – via Farfetch e, recentemente, Chic by Choice – é um dos mais relevantes.

À retalhista online de luxo de José Neves juntam-se a plataforma de Lara Vidreiro e Filipa Neto, Chic by Choice, e a aplicação britânica Snap Fashion.

A Europa é conhecida pela sua cultura de moda e a tecnologia tem contribuído para a disseminação, descoberta e aquisição à escala global (ver Europa domina e-commerce). Para falar sobre o presente e futuro desta aliança, os fundadores das startups de moda Farfetch, Chic by Choice e Snap Fashion subiram ao palco do evento Disrupt London, organizado pela Tech Crunch, nos dias 7 e 8 de dezembro, e discutiram os diferentes mercados e os desafios destes novos modelos na indústria da moda.

«Somos todos novos nisto», afirmou o empresário português José Neves, cuja startup tem como principal objetivo ajudar os clientes a localizarem artigos de mais de 300 lojas de luxo (ver Historial de luxo). O fundador da Farfetch ressalvou ainda que apenas 6% do total das vendas da retalhista são efetuadas online e que os restantes 94% ainda pertencem às vendas físicas. «Um dos maiores desafios vai ser como a loja digital se poderá fundir com a loja física», acrescentou Neves, que em maio último adquiriu o espaço da icónica boutique Browns, em Londres, iniciando um movimento de fusão do panorama digital e físico.

Uma opinião partilhada por Jenny Griffiths a fundadora e CEO da Snap Fashion – que permite fotografar uma peça e encaminhar a busca de artigos semelhantes para a aplicação/website que encerra centenas de milhares de ofertas –, que antevê que o futuro será sobre essa interseção. «Penso que haverá muita gente a propor essa experiência de moda, que começa na rua e chega ao online», explicou. «Também há muitas ideias novas e modelos de negócio. Acredito que vamos assistir a novidades nas vendas online», acrescentou, por seu lado, José Neves. Uma das localizações com maior potencial de crescimento da Farfetch, segundo o empresário, são os EUA – mercado número 1 da retalhista online, sendo que, curiosamente, a China ocupa o posto de número 3 na plataforma lançada em 2008.

«É bom saber quem tem poder de compra e quem são essas pessoas», afirmou a cofundadora e CEO da Chic by Choice Felipa Neto. «Tem sido uma viagem», assegurou sobre o percurso da plataforma de aluguer de vestidos de luxo que, em pouco mais de um ano de existência online, tem como atuais acionistas a Portugal Ventures, a Faber Ventures e o The Edge Group.

Os três participantes na conferência “Fashion Forward”, uma das iniciativas que tomou conta do palco do evento Disrupt London – que apresentou as últimas novidades do mundo da inovação e tecnologia – parecem concordar que este é apenas o começo do contacto entre a indústria tecnológica e a moda online. José Neves sustenta que os espaços físicos não vão desaparecer, antes vai acontecer um trabalho conjunto entre o offline e o online. Uma visão também defendida por Felipa Neto, que diz que ainda há muito espaço para as compras online se expandirem.