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Cordeiro, Campos & Ca mais sustentável

Nos Prémios de Excelência Empresarial do CENIT, a produtora de vestuário recebeu o galardão dedicado à sustentabilidade, uma área onde a Cordeiro, Campos & Ca tem vindo a apostar nos últimos anos e na qual pretende continuar a investir.

Laurinda Campos, Gilberto Santos e Carolina Campos

«Em 2017 começámos, juntamente com o CITEVE, com o processo de certificação STeP, que engloba cinco grandes patamares: gestão ambiental, desempenho ambiental, responsabilidade social, qualidade e gestão química. Numa primeira fase conseguimos a certificação de nível 3, que é o nível mais avançado, mas com um score de 73%. Entretanto, ao longo dos anos, com a renovação dos certificados, conseguimos melhorar bastante o score na parte ambiental e conseguimos incluir ainda a nossa segunda unidade produtiva, que é uma unidade em Oleiros, que tem mais 50 trabalhadores», esclarece Laurinda Campos, diretora de qualidade e ambiente da Cordeiro, Campos & Ca.

Para obter esta certificação, a empresa estuda minuciosamente a sua pegada. «Fazemos todas as caracterizações a nível ambiental, desde emissões gasosas, a análises de efluentes. Fazemos uma boa gestão de produtos químicos, todos amigos do ambiente, e utilizamos determinadas práticas no sentido de redução de energia fóssil, água e resíduos. Conseguimos uma boa redução da pegada ecológica, o que nos deu um score extremamente bom a nível do sector. Acho que foi o melhor. Se calhar, é por isso que ganhámos este prémio», avança ao Jornal Têxtil.

Um investimento forte, superior a dois milhões de euros, mas que tem tido retorno. «Normalmente, quando se fala em sustentabilidade ou produtos sustentáveis, as pessoas pensam logo que vai ficar mais caro. Não podemos pensar nessa vertente. Se a ideia da sustentabilidade é conseguirmos, no fundo, uma melhor racionalização de recursos, isso não pode traduzir-se, de imediato, em custos mais elevados. É lógico que há um investimento, mas, a médio prazo, consegue-se o retorno do investimento», assegura a diretora de qualidade e ambiente.

Em curso está ainda o estudo para novos investimentos. «Alguns passam pela gestão dos processos produtivos, para, precisamente, obtermos melhores ganhos, porque sempre que se consegue reduzir, por exemplo, numa matéria-prima, é um ganho acrescido», afiança. A empresa, que trabalha para grandes nomes da moda, está igualmente empenhada em aprovisionar-se em matérias-primas com melhores credenciais sustentáveis. «É um dos nossos grandes objetivos», realça Laurinda Campos.

Sob o signo do otimismo

O ano de 2021 foi de recuperação para a Cordeiro, Campos & Ca, depois de, em 2020, ter sentido, como muitas outras, as consequências da pandemia. «A empresa nunca teve necessidade de fechar, esteve sempre em laboração, mas este ano estamos a retomar os valores de 2019», assevera a administradora Carolina Campos. «Devemos terminar o ano entre os 18 e os 19 milhões de euros», indica, por seu lado, o CEO Gilberto Santos.

Uma recuperação feita com os clientes habituais, posicionados numa gama alta e de luxo, que procuram peças mais sofisticadas e elaboradas, e os mesmos mercados que a Cordeiro, Campos & Ca tem trabalhado nos últimos anos, com destaque para França, que é o principal país de destino dos artigos fabricados pelos 200 trabalhadores da empresa – 150 na unidade industrial de Roriz, em Barcelos, e 50 na de Oleiros, em Vila Verde.

Para 2022, a administração da empresa assume-se otimista, «sempre», salienta o CEO. «Haja encomendas, haja criativos, haja moda. Nós estamos cá para os enfrentar. Os desafios vão ser postos pelos clientes», acrescenta a diretora de qualidade e ambiente.