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Cordex cresce na diferenciação

A empresa, que desde este ano passou a dedicar-se exclusivamente à cordoaria, tem vindo a crescer a dois dígitos, num percurso que se faz de inovação e da capacidade da Cordex apresentar artigos diferenciadores para mercados distintos.

Nuno Vitó

Com mais de meio século de história, a Cordex separou, este ano, as duas áreas de negócio – as espumas ficaram sob a alçada da Flex2000 – e está agora completamente devotada à cordoaria.

Na Techtextil, onde marca presença há mais de 20 anos, a empresa fundada em 1969 apresentou-se com apenas um stand de 12 metros quadrados e seis rolos de fio, o suficiente para mostrar o know-how da empresa, acredita o diretor comercial Nuno Vitó. «É uma feira de têxteis técnicos e os clientes andam atrás de fibras e percebem que são fibras diferentes na área dos polímeros», além de que «somos uma empresa altamente rentável, sã, reconhecida pelos clientes como muito séria naquilo que faz», explica ao Portugal Textil.

Os multifilamentos de polipropileno de alta tenacidade, nomeadamente o Polysteel, uma mistura de polipropileno com polietileno, de 9 gramas por denier, «que poucos fazem», foram alguns dos destaques da empresa, que serve mercados como a segurança, construção e geotêxteis, com fios que são usados tanto para produzir redes de segurança, como para reforçar placas de cimento.

Tal como noutros segmentos da indústria têxtil, a circularidade está a gerar novas soluções na Cordex. A empresa faz já a reutilização do desperdício da sua produção, ostentando inclusivamente a certificação Zero Waste, mas está agora a voltar-se para o exterior. «O desafio estará na recolha e tratamento do produto final», considera o diretor comercial. Atualmente, a Cordex, que exporta mais de 95% da sua produção, encontra-se a trabalhar com parceiros para a recolha desses produtos finais em fim de vida em alguns mercados. «Em França, nos produtos que vendemos para enfardamento agrícola, cobramos uma ecotaxa aos clientes», exemplifica. A ecotaxa é então aplicada para pagar a empresas que fazem a recolha dos produtos finais usados, que são reciclados «para retirar o plástico do ecossistema», esclarece Nuno Vitó. «Outra tónica está em explorar os fios biodegradáveis. São projetos que estão também em carteira, ideias que estão a ser desenvolvidas», adianta.

Nestes últimos anos, a empresa investiu cerca de 5 milhões de euros, sobretudo em tecnologia e na área agrícola, estando previstos novos investimentos para breve, pensados para «expansão e novos produtos. Quando compramos tecnologia, pensamos sempre em comprar algo que possa permitir explorar alguma coisa de novo», revela Nuno Vitó.

Progressão regular

Entre 2019 e 2021, o crescimento foi de «uma média de 10% ao ano», aponta o diretor comercial, à semelhança do que tem acontecido nos últimos anos, em que a taxa de crescimento «passa, às vezes, os dois dígitos», graças «também a investimentos em aumentos de capacidade, que pressupõem um crescimento de capital. Temos vindo a crescer sempre paulatinamente, de uma forma muito sustentada», acrescenta. No final de 2021, o volume de negócios da Cordex, que contabiliza 600 trabalhadores e 10 empresas, incluindo duas unidades produtivas, em Portugal e no Brasil, e escritórios comerciais no Canadá, EUA, França, Reino Unido, Holanda e Alemanha, ascendeu a 120 milhões de euros.

«Houve clientes que estavam a comprar, se calhar, mais à Ásia e se reposicionaram», indica o diretor comercial da empresa, que tem na América do Norte, França, Reino Unido e Espanha os seus principais mercados. «Tivemos alguns casos desses, mas depois, na parte das vendas, tivemos um aumento exponencial dos custos de transporte, uma dificuldade muito maior em termos de serviço e disponibilidade de transporte para o envio dos produtos. E é um problema que não está resolvido», salienta Nuno Vitó.

A logística, de resto, tem causado muitos transtornos à Cordex, que aumentou mesmo os seus stocks em cerca de 30% «para evitar ruturas», até porque «não podemos correr riscos de ficar sem matéria-prima. No ano passado houve uma situação quase limite e, nessa altura, ficou decidido aumentarmos substancialmente os stocks, para nos salvaguardarmos». O mesmo conselho foi dado aos clientes. «Motivamos os nossos clientes a fazer a mesma coisa», garante o diretor comercial.

As questões logísticas, a somar às consequências da guerra e às tensões inflacionistas, fazem com que as expectativas para este ano não sejam tão elevadas. «Tem sido um ano razoável», assume Nuno Vitó, mas «não tão bom como o ano passado», reconhece o diretor comercial, admitindo a possibilidade de o crescimento ficar abaixo do de 2021. Para o futuro a curto prazo, há igualmente apreensão. «Estamos todos preocupados com o aumento de custos – agora vão aumentar as taxas de juro, com certeza absoluta. Se o ciclo começar a ser recessivo, as condições do mercado vão degradar-se. Toda a vida foi assim, a economia é feita de ciclos, portanto, entraremos num ciclo menos bom. Quem tiver feito o trabalho de casa, quem tiver contas sãs, quem tiver foco na sua estratégia e na sua atividade, quem estiver bem posicionado, passará por esse período. E depois haverá de vir outro ciclo melhor», conclui Nuno Vitó.