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Corpo masculino em evidência

O homem da Primavera/Verão 2011 destacará o seu tronco, enfeitado com acessórios, como foi proposto em vários desfiles apresentados durante a Semana de Moda de Paris dedicada ao homem, que teve lugar entre os dias 23 e 27 de Junho. Inspirando-se, segundo Gustavo Lins, «no quimono japonês». O estilista brasileiro, que foi a grande revelação desta edição, privilegiou os em coletes – como a peça-chave da sua colecção –, que apenas cobriam a parte da frente do corpo dos manequins. «Apostei em peças de qualidade com acabamentos requintados, para um homem moderno e ousado», explicou Lins, acrescentando ainda que «inspirei-me nos códigos da roupa feminina, ou seja, os drapeados e os quimonos, para criar peças que se destaquem e sejam apelativas, mas sempre tendo em conta o segmento para o qual estava a criar». Os homens da colecção de Walter Van Beirendonck apostaram igualmente nos acessórios, desta feita, nos colares gigantes para evidenciarem o tronco. A colecção do estilista belga foi ainda complementada por peças como calças marcadas e camisas em tons alegres como o amarelo, o vermelho, o rosa, o verde e azul. A colecção da Cerruti elegeu um ambiente completamente diferente, apostando na ecologia como factor-chave para o desenvolvimento da sua linha de roupa, que se destacou pela elegância traduzida em calças ajustadas ao corpo e em cores a relembrar a estação estival, como o dourado, o vermelho ou o tijolo. Já Paul Helbers, para a Louis Vuitton, inspirou-se nas suas viagens virtuais por mundos orientais e ocidentais, criando indumentárias destinadas aos amantes dos passeios. Definindo a sua colecção como «boémia digital», o criador da marca francesa apostou em visuais descontraídos, deixando de fora os fatos e as gravatas. Viktor Horsting e Rolf Snoren, por seu lado, recriaram o glamour de Hollywood, dos anos 40, em peças de praia, desconstruídas e relaxadas. Em passerelle, destacaram-se os fatos e os trench-coats, que foram complementados por cintos e coordenados com calças de pregas. As bermudas foram outra das fortes apostas da dupla holandesa. Fora do calendário oficial, a marca japonesa The Viri-dianne “conquistou” a torre de Jean sans Peur, único testemunho intacto de arquitectura civil e fortificada da Idade Média em Paris, para apresentar uma colecção influenciada pelo período azul de Picasso. Inspirada pela beleza melancólica das obras do pintor espanhol, A The Viri-dianne, quis evocar «a hora do dia entre o entardecer e a noite, apostando nos mais inesperados tons cinzentos e azuis até chegar ao negro, que até agora era a cor habitual e quase única das nossas colecções».