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Corrida no retalho – Parte 2

O retalho do Reino Unido está em grande efervescência, na sequência da performance registada por marcas como a Primark e a H&M (ver Corrida no retalho – Parte 1). Proposta de valor O argumento da Primark passa por diminuir os preços e aceitar uma menor margem de lucro, por meio de obter uma maior quota de mercado. Mas, apesar da aparente derrota da marca face à H&M no segmento do preço, e saturação da penetração de mercado, o retalhista continuará a utilizar o seu baixo preço de venda como uma forma de impulsionar o crescimento da marca em 2015, adianta a Bernstein. No entanto, os analistas salvaguardam-se, afirmando que, «apesar da H&M ter sido bem sucedida na sua defesa face à Primark no Reino Unido em 2014, é ainda demasiado cedo para afirmar se o preço fixado é defensável no longo termo. Esperamos também um aumento dos preços nos fornecedores, pressões acrescidas devido ao fortalecimento do dólar face ao euro e erosão das margens para o ano fiscal de 2015 devido a investimentos de longa duração». A H&M não foi a única a conquistar clientes à Primark, com a espanhola Zara a conseguir também aumentar a sua cota de mercado neste segmento. A Zara superou os resultados do mercado, registando um aumento de 4,7% nas suas vendas em 2014, com um aumento de volume de 9,7% a compensar significativamente a redução de preços de 4,5% assinalada. Esta tendência resultou, particularmente, do aumento de 3,6% na frequência do espaço de compra. ´ Os analistas salientaram que «este é o terceiro ano consecutivo de aumento de visitas aos espaços da marca e acreditamos que é um sinal da lealdade dos clientes da Zara, que são impelidos a visitar a casa com frequência para garantirem que não deixam escapar nenhum item, já que a Inditex não tem por hábito fazer armazenamento de produtos em particular, permitindo que esgotem». Em relação ao sistema de rotação de quotas e clientes, os analistas da Bernstein adiantaram que, a Zara ganhou três vezes mais vendas pertencentes anteriormente a rivais do que as perdidas para os seus competidores. Da mesma forma, a Primark arrecadou quota anteriormente pertencente a marcas como Top Shop, Debenhams e Asos. Quotas roubadas Entre os principais rivais da marca britânica de baixo custo encontram-se, também, as marcas Next e Marks & Spencer (M&S), ambos figuras dominantes do segmento do retalho de vestuário britânico. A Next ultrapassou os valores médios do mercado em 2014, apresentando um crescimento de 5,6% das suas vendas, apesar dos seus clientes terem adquirido, em média, menos 1,6% de itens em cada incursão a um espaço comercial da marca. A Next conseguiu, em média, mais 5,4 vendas face àquelas que perdeu para os seus principais competidores, entre os quais se destacam a Primark e a Asos. Pelo contrário, a M&S ficou aquém dos valores do setor, apresentando um declínio de 2,1% nas suas vendas em 2014. O preço médio de venda aumentou 5,3%, promovendo uma ampliação das margens mas, inversamente, conduzindo a uma redução do volume em cerca de 7%. Apesar dos gastos dos consumidores atuais terem aumentado, Bernstein revelou que o retalhista perdeu vários clientes e muito optaram por marcas de retalho low-cost. «Em 2014, o principal motivador da redução dos gastos foi a comutação de clientes, apesar da M&S se ter mostrado capaz de contornar essa situação extraindo mais dos consumidores já existentes», explicou. A Next foi a marca que mais clientes subtraiu à M&S, que também registou outras perdas significativas para retalhistas de baixo custo como Primark, H&M, Sainsbury’s e Sports Direct. Os analistas da Bernstein não preveem uma inversão das circunstâncias no curto prazo, especialmente quando a marca planeia aumentar a sua margem de lucro, restringindo a baixa de preços e, consequentemente, o volume de vendas e o crescimento das receitas.