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Cortefiel foge de Espanha

A empresa espanhola Cortefiel está a acelerar a expansão internacional, incluindo um regresso aos EUA, para tentar compensar o difícil momento que atravessa o mercado interno. A retalhista de moda, originalmente um negócio de família fundado há mais de 100 anos, foi comprada em 2005 pelas empresas de private equity PAI Partners, CVC Capital e Permira, apenas dois anos antes do fim do “boom” do consumo em Espanha, alimentado pelo crédito fácil. O grupo tem ainda quase metade das suas lojas em Espanha e Portugal e o volume de negócios caiu 10% desde 2006, para 954 milhões de euros em 2012. Para tentar lidar com as difíceis condições vivenciadas em Espanha, a Cortefiel levou a cabo campanhas agressivas de promoção, encerrou lojas não rentáveis e expandiu-se além fronteiras. O diretor-executivo Juan Carlos Escribano, que tomou a direção da empresa em 2009, quer que 50% a 55% das vendas do próximo ano sejam realizadas no estrangeiro, em comparação com a quota atual de 47%. «A Velha Europa vai ter alguns anos muito calmos», afirmou o CEO na Cimeira Mundial de Consumo e Retalho da Reuters. Segundo explicou Escribano, com o desemprego em Espanha nos 27%, o consumo em vestuário no país regressou aos níveis de há 20 anos. Em contrapartida, as vendas internacionais da Cortefiel subiram 20% a 25% em 2012. A Cortefiel entrou em 35 novos países nos últimos cinco anos, incluindo em mercados como a Rússia, a China, o México e a Turquia. O grupo espanhol detém agora uma rede de 1.900 lojas, outlets e concessões em grandes armazéns, espalhadas por 70 países, com menos de um terço a ser gerido na base do sistema de franchising. O retalhista de moda está a regressar aos EUA, onde chegou a vender vestuário em grandes armazéns nos anos 60 e 70, onde pretende abrir 80 lojas franchisadas em cinco anos. Escribano também vê o potencial de aumentar a rentabilidade ao tomar o controlo das lojas franchisadas, algo que já fez na Rússia no início deste ano e nos Balcãs no ano passado. As marcas do grupo incluem a Cortefiel, a Women’s Secret e a Springfield, para além da marca de gama mais alta Pedro del Hierro. Em 2012, os donos de private equity refinanciaram a 1,38 mil milhões de euros com um empréstimo com bancos, o segundo refinanciamento desde a compra da empresa.