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Cotex supera todas as provas

O fenómeno da globalização colocou a Cotex à prova, mas a produtora portuguesa de rendas, fundada em 1975, soube adaptar-se, adquirir novas valências e conquistar outros segmentos de mercado. Zara e Dolce & Gabbana são apenas dois dos nomes internacionais que já não dispensam a criatividade da Cotex nas suas coleções.

«A Cotex foi fundada pelo meu pai [Francisco Cruz] e pelo meu avô [Francisco Martins], com mais dois sócios, que, entretanto, saíram, todos com alguma experiência na área das rendas, para responder a uma necessidade do mercado. E veio, de certa forma, revolucionar a produção de rendas em Portugal, tanto pelo domínio do produto como pela capacidade tecnológica», contou, na edição de março do Jornal Têxtil, o administrador Nelson Cruz, a terceira geração, juntamente com o irmão José, à frente do negócio.

A revolução não parou por aí e a Cotex foi-se reinventando para acompanhar o “l’air du temps” e as necessidades dos clientes. O vazio deixado pela partida de muitos clientes do sector da lingerie foi preenchido, com paciência e persistência, por grandes marcas e retalhistas do pronto-moda – desde a Zara à Dolce & Gabbana –, que hoje já representa 60% das vendas de produtora de rendas. «O mercado de lingerie tradicional fugiu do país, penso que até fugiu da Europa, porque é um mercado que consome quantidades grandes e, por isso, fugiu para a Ásia», afirmou. «Para nós, procurar outro tipo de mercado, de clientes, de necessidades, foi um contrarrelógio. Sem dúvida que a abertura do mercado chinês fez uma grande mossa. Perdemos muitos clientes e ficaram poucos, que conseguiram de uma forma ou de outra adaptar-se e sobreviver, que é aquilo que muitas vezes custa nas empresas: perceber realmente qual é o caminho», acrescentou.

O percurso passou, por isso, pela mudança no tipo de produto, que é diferente quando se trabalha para a lingerie ou para o vestuário de exterior. «Na renda exterior podemos dar asas à imaginação, utilizar matérias diferentes, com gramagens muito diferentes, até na própria paleta de cores, trabalha-se com os tons da moda, enquanto o mercado da lingerie é mais tradicional, o próprio leque das cores é muito limitado», explicou Nelson Cruz.

A coleção de base inclui cerca de 100 referências, com a Cotex a apresentar cerca de 50 desenhos novos por ano, que vende a clientes variados, desde o grupo Inditex ao El Corte Inglés, em Espanha, incluindo ainda marcas portuguesas como a Ana Sousa e diversos designers e marcas italianos, como a Max Mara ou a Dolce & Gabbana. A empresa exporta atualmente 20% da produção, uma quota que tem tendência a crescer tendo em conta a forte aposta na internacionalização que tem sido feita. «Nos últimos dois anos andamos de malas pela Europa, e não só, a ver onde é que nos podíamos encaixar. Fizemos uma série de feiras, em Marrocos, Dubai, Tunísia, Lituânia, Itália, Espanha, … para percebermos exatamente quais eram as feiras que nos interessava fazer», revelou o administrador, destacando entre os principais mercados Espanha (que representa 60% a 70% das exportações da empresa), Itália, Inglaterra, França, Holanda e Marrocos, sendo que este último é «um mercado que tem vindo a crescer e que começa a ter relevância».

Com um volume de negócios que em 2015 rondou 1,3 milhões de euros, Nelson Cruz espera que 2016 seja um ano de crescimento, afirmando que «o ideal seria chegar aos 1,5 milhões de euros». O mesmo valor que a empresa, com um efetivo de 30 trabalhadores, deverá investir nos próximos cinco anos. «Há sensivelmente oito anos fizemos um grande investimento, na ordem dos 1,5 milhões de euros. Agora estamos a namorar uma segunda fase de investimento, num valor semelhante, para substituir e melhorar o parque de máquinas. É um investimento que deverá começar este ano e prolongar-se por cinco anos», adiantou o administrador ao Jornal Têxtil.

O crescimento deverá ainda ser impulsionado pelo próprio mercado, referiu Nelson Cruz. «Uma das coisas que tenho dito ao longo dos últimos anos é que as rendas vão estar cada vez mais na moda», contou, apontando a «relação qualidade/preço excelente» como um impulsionador para que cada vez mais marcas usem as rendas nas suas coleções. «A renda, é, no fundo, mais um produto que os designers têm à mão, tal como a seda ou o estampado – já não é um produto tão exclusivo como era.

Na Cotex temos preços muito diferentes, para mercados muito diferentes», destacou o administrador. «Estamos na vanguarda do que é conseguir fazer um produto interessante, bonito e com um componente preço que o cliente possa comprar», concluiu.