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Coton Couleur ruma a Oriente

Os mercados asiáticos são um dos focos da empresa de têxteis-lar para 2019, que não descarta também a possibilidade de explorar os EUA. 100% exportadora, a Coton Couleur quer chegar aos clientes de nicho, para os quais aposta em produtos sustentáveis e de gama média-alta.

A Europa é, atualmente, o principal destino dos produtos da Coton Couleur, nomeadamente Espanha, Reino Unido, Finlândia, Suécia, Dinamarca, Holanda, Bélgica e Áustria. Mas a empresa está empenhada em chegar a outras latitudes e já tem as baterias apontadas para novos mercados. «Estamos a analisar a Austrália. E a pensar fazer pelo menos alguma pesquisa relativamente aos mercados asiáticos, nomeadamente a Coreia do Sul, o Japão e a China», revela Carlos Carvalho, sócio da empresa. «A China é um bocado mais difícil porque é um mercado muito grande, mas não é nada em que não tenhamos pensado», afirma ao Portugal Têxtil.

Os horizontes da Coton Couleur abrem-se também para os EUA, «um mercado difícil, onde é preciso muita paciência e muito tempo, tal como nos mercados asiáticos. Mas o nosso objetivo não é conseguir aquelas contas demasiado grandes. Procuramos um nicho de valor acrescentado, com quantidades relativamente mais pequenas», explica Carlos Carvalho.

O caminho para os EUA poderá ser facilitado pela presença que a empresa tem no vizinho do norte. «Este ano vou apostar muitíssimo no Canadá, acho que é um mercado com muito potencial, e, se calhar, pode ser depois um trampolim para os EUA», admite o sócio da Coton Couleur. «O nosso objetivo, neste momento, é fazer um spread out dos mercados e dos clientes», indica.

Sustentável, orgânico e de qualidade

A empresa, que emprega 17 pessoas, tem incluído na sua gama de produtos artigos mais sustentáveis, nomeadamente misturas de algodão com poliéster reciclado, cânhamo e a utilização de fio de algas.

Além disso, está a usar um novo tingimento, efetuado em parceria com outra empresa, que permite uma redução de consumo de água de 86% em comparação com o processo tradicional. «Cada vez mais, os clientes pedem produtos sustentáveis. Nós estamos atentos e sabemos o que o mercado procura e foi nessa direção que desenvolvemos esse tipo de produto», esclarece Carlos Carvalho.

A preocupação com o meio ambiente reflete-se não só nos produtos mas também no funcionamento da empresa. «Para fazemos os produtos temos que estar todos no mesmo espírito e acreditar que isto é, efetivamente, algo sustentável para o planeta. Procuramos sempre, interna e externamente, coisas que acreditamos ajudar o planeta», assegura o sócio da Coton Couleur, que tem a certificação GOTS para roupa de cama em algodão orgânico.

Cinco anos de crescimento

Fundada em 2013, a empresa registou, no ano passado, um volume de negócios que rondou os 12 milhões de euros. «Chegámos ao fim do ano basicamente com o mesmo volume de negócios de 2017. Mas temos que pensar que a Coton Couleur é uma empresa que começou do zero e que atingiu esse volume de negócios cinco anos depois», destaca Carlos Carvalho, que adianta que agora é uma fase de consolidação. «Como há sempre desvios em termos de compras – clientes que compram mais, outros que compram menos –, o que temos de fazer é procurar ajustar noutros mercados e com novos clientes o volume que neste momento já temos», assume.

2019, contudo, não se afigura o ano mais fácil, pelo menos em termos de previsões. «Há muita coisa a acontecer no mundo. Não tenho solução para o Brexit nem posso prever o que eventualmente vai sair dali», reconhece o sócio da empresa. Nos restantes mercados, sente-se «alguma instabilidade». Por isso mesmo, as metas não passam pelo crescimento. «O meu objetivo não é o aumento do volume de faturação. É basicamente manter aquilo que tivemos em 2018 e tentar arranjar novos clientes em novos mercados, o que poderá, naturalmente, obrigar a ter algum aumento do volume de faturação», admite Carlos Carvalho.