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Cotton Brothers de malas feitas

Depois de se ter aventurado numa plataforma própria de comércio eletrónico, a Cotton Brothers está de malas aviadas para entrar na Rússia e nos EUA. A marca de vestuário feminino está cada vez mais ecológica e determinada em aumentar a sua visibilidade no mercado global.

Sandra Lobo

Perto de completar seis anos de vida, a Cotton Brothers, que tem como maiores mercados Portugal e Espanha, quer agora embarcar em novos desafios. «Estamos em toda a Europa: Portugal, Espanha, Reino Unido, Irlanda, Grécia, Alemanha…», enumera Sandra Lobo, brand manager. «Temos um cliente nos EUA, temos um na Ásia», acrescenta.

A vontade de alargar horizontes para «mercados fora da Europa» leva a Cotton Brothers a pensar mais longe e a direcionar-se para novos pontos do globo, que deixam a marca em rotação pelas novas oportunidades. Na linha cronológica, os EUA surgem em primeiro lugar e, logo depois, virá a Rússia, «um mercado totalmente novo que está a abrir portas às marcas europeias», garante Sandra Lobo. «Vamos começar a tentar entrar na Rússia. É o objetivo principal, juntamente com os EUA, onde estamos um bocadinho mais à frente, porque já fizemos uma feira e temos alguns clientes. A Rússia ainda não sabemos muito bem o que esperar, até porque tudo é novo e demora algum tempo a preparar logisticamente», revela ao Portugal Têxtil.

Pela primeira vez, a marca de vestuário feminina fundada pelos irmãos Odete Santos e Nuno Mendes esteve presente na feira de moda Magic em Las Vegas, para tentar conquistar os EUA. «Queremos ter mais vendas num mercado novo. Apesar das dificuldades que existem neste momento, é um mercado muito ávido de conhecer novidades e tem uma filosofia diferente. Por isso, é tentar remar nesse sentido e ir para mercados que ainda estão à procura do “made in Europe”», explica a Brand manager. «Somos 100% made in Portugal e tentamos usar isso como uma mais valia», sublinha.

Investimentos visíveis

Reconhecida como uma marca de moda «versátil» por ser de uso quotidiano, mas de fácil adaptação para eventos com a ajuda de alguns apontamentos, a Cotton Brothers, que representa 15% das vendas da Confecções Bugalhós, quer investir no crescimento da marca e, a «médio prazo», que esta seja o principal cliente da empresa, que soma 35 anos de atividade e 70 colaboradores.

«Os nossos investimentos estão muito virados para o bem-estar do trabalhador e no crescimento da marca, para ter uma projeção maior. Estamos a apostar mais nas feiras, que acabam por ser uma parte importante, mas depois também usamos as redes sociais para promoção no B2B e B2C. Recorremos a influencers para trabalhar connosco, chegamos a trabalhar com a Dolores Aveiro e, neste momento, estamos com a Marta Cyrne Carvalho a fazer um trabalho de exposição, quer da nossa loja online quer do nosso produto de inverno», adianta Sandra Lobo.

Diferença e originalidade

Com o foco no mercado, a Cotton Brothers «tenta fazer o que os clientes não podem comprar de uma forma mais barata», admite a brand manager. «Lutamos todos os dias com os gigantes que oferecem moda a preços com os quais não conseguimos competir e tentamos mostrar outras mais-valias, como a sustentabilidade, e apostar num produto diferenciado para captar a atenção dos clientes: ter artigos originais, tamanhos diferentes…», aponta.

A marca de gama média-alta já «praticamente eliminou o uso de poliésteres e poliamidas» para ir ao encontro da «necessidade do mercado» e em prol do meio ambiente. «Esta [outono-inverno 2020/2021] é a segunda estação onde estamos a apostar em fibras e tecidos mais sustentáveis e naturais. Usamos alguns materiais reciclados, como o poliéster reciclado, o algodão reciclado… No verão introduzimos os linhos, que são mais frescos, usamos sempre liocel, que apesar de ser uma fibra fabricada pelo homem é sustentável», destaca Sandra Lobo.

Para a Cotton Brothers, 2019 foi um ano «difícil», mas foi possível manter o volume de negócios do ano anterior. «Foi um ano difícil porque poderíamos ter crescido, mas infelizmente houve algumas lojas que fecharam e sentimos essa dificuldade no mercado espanhol e no mercado nacional, conseguimos manter o nível de vendas que é o mais importante tendo em conta a conjetura internacional», esclarece. «Por temporada andamos à volta de um milhão e meio, dois milhões com as duas temporadas», afirma a brand manager.