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Cottonanswer triplica faturação

A empresa de confeção, que tem igualmente serviços de tinturaria, multiplicou o volume de negócios por três em seis anos, passando de 5 milhões para 16 milhões de euros. A Cottonanswer, que exporta a totalidade da produção, conseguiu subir mais de 10% em 2019 e, para 2020, está empenhada em crescer na Europa e nos EUA.

António Santos

O crescimento foi concretizado com o apoio de um projeto de investimento no âmbito do Compete 2020, com o valor elegível de 3,895 milhões de euros, dos quais 1,948 milhões de euros provenientes do FEDER – Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional. Segundo o Compete, este projeto tem como objetivo diferenciar, aumentar e flexibilizar a capacidade dos serviços de tinturaria e acabamentos e na oferta de vestuário em private label da Cottonanswer, assim como projetar a empresa «de forma autónoma, a nível internacional, com a criação de uma linha produtiva para a sua marca própria».

«O têxtil português deve continuar a apostar na inovação, nas matérias-primas, nas malhas, nos tecidos, mas ao mesmo tempo no fitting, no design e nas novas ideias e novos criadores, para se diferenciar. Porque nunca nos podemos esquecer que temos um know-how de mais de 150 anos», afirma António Santos, presidente do conselho de administração da Cottonanswer.

A empresa sediada em Barcelos apostou, nos últimos anos, em produtos diferenciados, conseguidos com o reforço do parque produtivo e tecnológico, incluindo novos equipamentos de tinturaria e acabamentos, que permitem um avanço ao nível dos revestimentos, tratamentos hipoalergénicos e hidrofóbicos, absorção de odores, desfibrilação e reação à luminosidade.

«O cluster têxtil vai revolucionar-se, a tendência é as micro e as pequenas empresas sofrerem uma metamorfose, porque a qualidade transformou-se num valor pré-assumido e o que determinará o sucesso será a criatividade e a inovação», garante António Santos. «Daí ser primordial o foco na criatividade como fator de valor acrescentado ao nosso produto. Nunca podemos esquecer que é o consumidor que dita o mercado, como podemos reivindicar melhores salários, se não valorizamos o produto?», questiona.

100 mercados em carteira

A Cottonanswer cresceu «mais de 10% em 2019», revela a empresa em comunicado, acrescentando que «triplicou a faturação em seis anos» e aumentou o número de funcionários de 80 em 2014 para mais de 200 atualmente.

«Os recursos humanos devem possuir duas valências essenciais: a valência técnica e a valência multicultural. A primeira é dada, no local de trabalho, pela entidade produtora em cooperação com os centros de formação. Já a segunda prende-se com a necessidade de que os nossos jovens tenham vivências e experiências além-fronteiras. Isso é fundamental», aponta o presidente do conselho de administração da Cottonanswer. Neste sentido, a empresa assinou um protocolo com o Modatex em parceria com o Centro Qualifica para aumentar a qualificação dos seus trabalhadores, num programa onde estão envolvidos cerca de duas dezenas de colaboradores num curso de 35 horas semanais, num total de 700 horas de formação.

Atualmente, a especialista em vestuário exporta a sua produção para mais de 100 mercados, da Europa à América, passando pelo Japão. «Vamos continuar a trabalhar o mercado internacional e os países com maior potencial em 2020 são Itália, Suécia, Noruega, Alemanha e EUA», assegura António Santos, que adianta que «contrariando as adversidades e ultrapassando o Brexit, em 2020 vamos continuar a crescer na ordem dos dois dígitos, alicerçando a estratégia no desenvolvimento de dois pilares: o técnico e o criativo. Os dois estão intimamente ligados».

Para o futuro, o presidente do conselho de administração da Cottonanswer acredita que «o país deve sobretudo criar uma imagem e um produto que incorpore o ADN português: a sua multiculturalidade, a sua versatilidade e capacidade de adaptação, porque é com isso que o consumidor moderno se identifica. Isto é, no fundo, criar uma identidade nacional na têxtil. Porque nós, portugueses, temos essa capacidade de nos reinventarmos constantemente». Aliás, considera António Santos, «a única vantagem que temos em relação aos mercados de baixo preço é exatamente isso, ser português».