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Covid adia feiras na China

A política de tolerância zero do governo chinês para controlo da pandemia de covid continua a afetar o negócio da indústria têxtil e vestuário. As mais recentes baixas foram as feiras Intertextile Shanghai Apparel Fabrics, Yarn Expo e Chic, que já não se realizarão este ano na China.

[©Messe Frankfurt Hong Kong/GuJi]

De acordo com a organização da Intertextile Shanghai Apparel Fabrics e da Yarn Expo, a cargo da Messe Frankfurt Hong Kong, a decisão foi tomada para apoiar as atuais medidas de controlo da pandemia de covid na China, ao mesmo tempo que permite a integração de recursos da indústria de forma mais eficiente e maiores certezas aos expositores. Inicialmente agendadas para este mês, as feiras de Xangai irão realizar-se apenas em março do próximo ano, mantendo a data prevista para as edições de primavera: 8 a 10 de março.

«Sabemos o quão importante é para os fornecedores e compradores a época de sourcing no outono, mas como organizadores responsáveis de feiras, temos um compromisso tanto para com os participantes como para com as autoridades locais que vai além do recinto ferial», afirma Wilmet Shea, diretora-geral adjunta da Messe Frankfurt Hong Kong. «Tendo em conta as medidas de controlo de pandemia em curso em Xangai, e depois de consultarmos os nossos principais stakeholders, decidimos remeter as feiras de outono para a próxima primavera da forma mais apropriada para a indústria têxtil», explica. Até porque, acrescenta Wilmet Shea, «embora tenhamos procurado uma altura adequada mais tarde este ano para as feiras de outono, qualquer adiamento iria congestionar o calendário ferial».

O primeiro anúncio realizado pela Messe Frankfurt Hong Kong referia-se apenas às feiras de Xangai, que deveriam realizar-se de 21 a 23 de outubro, mas também as de Shenzhen, marcadas para 2 a 4 de novembro, foram adiadas. «Tendo em conta os desafios que a indústria têxtil enfrenta atualmente, sabemos o quão importantes são estas feiras para apoiar o crescimento do negócio, sobretudo na região de grande potencial da Área da Grande Baía [que abrange Cantão, Shenzhen, Zhuhai, Foshan, Dongguan, Zhongshan, Jiangmen, Huizhou, Zhaoqing, Hong Kong e Macau]. Estamos, por isso, a trabalhar de forma próxima com o centro de exposições para encontrar novas datas para o próximo ano para o regresso da Intertextile Shenzhen Apparel Fabrics e da Yarn Expo Shenzhen», adianta.

[©Chic]
Também a feira de moda Chic foi obrigada a rever as datas, com a edição em Xangai a ficar concentrada na primavera, o mesmo acontecendo com a de Shenzhen. «Devido ao aumento de casos de covid-19 em Shenzhen, a Chic GBA (Greater Bay Area), agendada para 2 a 4 de novembro de 2022, será adiada para 2023 para controlo da pandemia e integrada na Chic Shanghai em 2023. Com um poder de moda concentrado, o evento da primavera terá lugar de 8 a 10 de março de 2023», refere um comunicado da agência de comunicação Jandali, que representa a Chic na Europa.

Um travão nos negócios

De acordo com o Just Style, que cita especialistas em vestuário, a política de tolerância zero do governo chinês em relação à pandemia está a preocupar marcas e retalhistas internacionais, preocupados com possíveis disrupções na produção. «Muitas marcas de moda ocidentais que operam na China reportaram perdas financeiras sem precedentes no primeiro semestre de 2022 devido à política da China em relação ao covid», afirma Sheng Lu, professor associado em estudos da moda e vestuário na Universidade do Delaware.

Para além da perda em vendas e da incerteza, Sheng Lu sublinha ainda que «a China é um fornecedor têxtil crítico para muitos países exportadores de vestuário na Ásia. Com a política de tolerância zero em relação ao covid a interromper a produção têxtil na China, as fábricas de vestuário em muitos países asiáticos irão enfrentar também a falta de matérias-primas, como fios e tecidos».

[©Messe Frankfurt Hong Kong]
Já Bob Antoshak, sócio da Gherzi Textil Organization, acredita que esta política restritiva está a levar a um afastamento das encomendas da China, sobretudo «quando combinado com fatores macroeconómicos como a inflação e uma procura incerta nos mercados de consumo», estando a contribuir para que as estratégias de sourcing fiquem mais próximas dos mercados de consumo, nomeadamente no Hemisfério Ocidental.